Sinopse: Esta é a história criativa e comovente de Greg, um finalista do secundário cujo único objectivo é manter-se completamente anónimo e evitar quaisquer relações profundas. Para ele, essa é a melhor estratégia de sobrevivência no verdadeiro campo de minas social que é a vida de um adolescente. Juntamente com Earl, Greg faz curtas-metragens parodiando filmes clássicos, o que os torna mais colegas de trabalho do que propriamente amigos. 
Tudo corria bem até ao dia em que a mãe de Greg insiste com ele para passar algum tempo com Rachel, uma miúda da turma que acabou de ser diagnosticada com cancro. Lentamente, Greg descobre que um pouco de amizade não faz mal a ninguém. 

Opinião: Não peguem no livro com a ideia de que vão ler algo semelhante à história de amor de Augustus Waters e Hazel Grace. Não. Eu, o Earl e a Tal Miúda tem, literalmente, zero de romance e, inclusive, faz pouco de quem espera tal coisa e frases como: e agora esperam que uma qualquer atracção nos faça ficar subitamente apaixonados (frase não retirada do livro), mas enganam-se. Foram várias as vezes em que pensei que talvez, apenas talvez, houvesse alguma química, ou pelo menos um beijo. Mas não. Nada. O que me fez chegar à brilhante conclusão de que nem sequer era necessário.
A escrita de Jesse Andrews é maravilhosa. Eu, o Earl e a Tal Miúda é contada sobre a forma de prosa, do ponto de vista de Greg, aliás, o protagonista conta o livro como se fosse ele o autor, - o que me confundiu ligeiramente, confesso - revelando-se muitas das vezes como tal e apenas na conclusão, no epílogo, percebemos a razão por detrás de tal escolha. Eu, o Earl e a Tal Miúda está recheado de metáforas e de comentários sarcásticos, algo que é o meu ponto fraco. ADORO. Na verdade, esperava que o livro fosse mais deprimente do que aquilo que realmente foi. Jesse Andrews conseguiu transformar um livro que poderia ser automaticamente classificado como extremamente emocional e transformá-lo em algo divertido.
Eu, o Earl e a Tal Miúda, relata a história de amizade de Greg e de Rachel, uma amizade forçada pela mãe do protagonista. É um livro sobre cancro, sim, mas, ao contrário de outros do mesmo género, não o romantiza, pelo contrário. Jesse Andrews conseguiu colocar em palavras o processo pelo qual muitos doentes, infelizmente, são obrigados a passar.
Por esse mundo fora, existem milhares de Rachel, e só espero que, para cada uma delas, exista um Greg.
No entanto, por qualquer motivo, senti-me ligeiramente alheada da personagem de Rachel e, as emoções que nutria em relação à sua presença, eram sobretudo, dadas pelo protagonista. Pensamentos, aqui e ali, recordações acolá e pouco mais. Os diálogos não eram elaborados, nem pouco mais ou menos, e as piadas, na maior parte das vezes, não as compreendi, ou não vi a graça nelas, o que soou a forçado. O que adorei, e admirei, foi a perspicácia com que Jesse Andrews criou Greg. Um personagem carismático, inteligente, sarcástico e, sobretudo, memorável.
Eu, o Earl e a Tal Miúda é, contudo, um livro muito visual. Como está descrito na sinopse, Greg e Earl são cineastas e criam paródias de filmes clássicos. O problema? Não consegui visualizar o trabalho deles. A mensagem passava, a imagem é que não. Esta particularidade da história de Greg, Earl e Rachel, penso que seria - ou foi - mais bem explorada numa adaptação cinematográfica. Neste aspecto houve, sobretudo, uma falta de percepção. No entanto, não deixou de ser um livro que apreciei, - bastante - e que acho que vale a pena, sobretudo para aqueles que, como eu, apreciam um bom comentário mais arrogante aqui e ali e um protagonista capaz de nos fazer rir à gargalhada com apenas cinco palavras.
Outros títulos do autor
*Eu, o Earl e a Tal Miúda  - adaptação cinematográfica aqui.
*The Haters


Sinopse: A Princesa Eadlyn cresceu a ouvir histórias intermináveis de como a sua mãe e o seu pai se conheceram. Vinte anos antes, America Singer entrou na Seleção e conquistou o coração do Príncipe Maxon - e viveram felizes para sempre. Eadlyn sempre achou romântica esta história de encantar, mas não tem qualquer interesse em tentar repeti-la. Por si, adiaria o casamento tanto quanto possível. 
Mas a vida de uma princesa não é inteiramente sua e Eadlyn não pode escapar à sua própria Seleção - por mas fervorosamente que proteste. 
Eadlyn não espera que a sua história acabe em romance Mas com o início da competição, um candidato poderá acabar por conquistar o coração da princesa, mostrando-lhe todas as possibilidades que se encontram à sua frente... e provando-lhe que viver feliz para sempre não é tão impossível como ela sempre pensou

OpiniãoAo ler A Herdeira tive alguns dos mesmos sentimentos que a leitura de A Elite ou de A Escolha me despertou. Em primeiro lugar, tal deve-se ao facto de apesar da escrita simplista, Kiera Cass consegue despertar em mim emoções muito fortes, nem sempre as mais civilizadas, na verdade, quase sempre de frustração, o que não quer dizer que não seja um livro fantástico. Como já disse em múltiplas opiniões, o facto de uma protagonista despertar emoções é, por si só, um tremendo sucesso.
Pelo menos sei que, ao ler algo escrito por Kiera Cass aborrecimento não é uma palavra que vá, com certeza, utilizar.

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OpiniãoLove Rosie, Simplesmente Acontece ou Para Sempre, Talvez, são sinónimos para a história de Alex e Rosie, melhores amigos desde a infância que, por simples acasos do destino, permanecem separados; uma trágica história de amor nos tempos modernos. Baseado no livro de Cecilia Ahern, posso dizer que Love, Rosie, é um dos raros casos onde a adaptação é melhor do que o livro. Lily Collins e Sam Claffin cuja química é astronómica são os perfeitos protagonistas desta relação que continua a ser impedida pelos acasos da vida. Ambos os actores encarnam na perfeição o papel que lhes foi dado.
Mas, mais do que isso. No filme, ao contrário do livro, a passagem do tempo quase que parece natural e, em pouco menos de duas horas, vemos os anos passar à nossa frente e não sentimos nenhum tipo de constrangimento, não há pressas. É perfeito. As escolhas, as omissões que no livro me drenaram a energia, no filme pareceram correctas e, em vez de me fazerem sentir incrivelmente frustrada, fizeram sentido, trouxeram-me sorrisos e lágrimas aos olhos. A pessoa responsável pelo guião acertou em cheio.
Love, Rosie é uma história de amor, amizade, perseverança e coragem. É um filme altamente divertido mas, em igual medida, emotivo. A história, como em O Diário da Princesa, é pouco fiel ao livro. homónimo Na verdade, o filme encerra apenas o coração da história e pouco mais, as diferenças são muitas, mas fazem sentido. Foi, uma das poucas vezes em que me senti completamente satisfeita com as mudanças que foram feitas, o que, lendo as minhas opiniões sobre mudanças feitas em filmes é dizer muito. No entanto, tal como no livro, queria mais. Recomendo vivamente.
Outros títulos da autora: 
*PS: Eu Amo-te
*Para Sempre, Talvez - adaptação cinematográfica aqui.
*Se me pudesses ver agora
*Um lugar chamado Aqui
*Obrigada pelas Recordações
*A Prenda
*O Livro do Amanhã
*A Rapariga e o Espelho
*O Meu Encontro com a Vida
*Amor da tua Vida
*One Hundred Names (ainda não publicado em Portugal)
*The Year I Met You (ainda não publicado em Portugal)
*The Marble Collector (ainda não publicado em Portugal)


Sinopse: Há muito tempo, a superfície da Terra foi arrastada por uma guerra nuclear. Os poucos sortidos que conseguiram sobreviver refugiaram-se a bordo da Colónia, uma estação espacial que orbita o planeta. 
Cem anos após ter sido a salvação da Humanidade, a Colónia está em perigo. Os aparelhos que garantem a renovação do oxigénio na estação espacial estão a falhar e não há como os substituir. A última esperança da Humanidade reside em 100 jovens, selecionados entre criminosos para regressar à superfície da Terra e descobrir se o planeta pode ser de novo habitado. 
Depois de tanto tempo, estes serão os primeiros humanos a pisar a Terra. mas estarão na verdade sozinhos? Terão todos os seres vivos perecido durante o longo Inverno Nuclear ou será que algo se esconde nas sombras das grandes florestas que agora cobrem toda a Terra?

OpiniãoComo alguns livros atualmente, tomei conhecimento da existência de Os 100 através da sua adaptação televisiva e, embora ainda não tenha tido oportunidade de assistir a um episódio, a sua popularidade não foi algo que me tivesse passado despercebido pelo que, assim que pude, (mais concretamente, assim que coloquei um pé na Feira do Livro de Lisboa 2016), a minha intenção foi adquirir um exemplar. Sabia pouco da história em si, mas o que sabia, intrigou-me o suficiente: depois de uma guerra nuclear, o que restava da humanidade viu-se forçada a viver uma espécie de nave onde, ao final de quase um século, problemas de subsistência levam os governantes a enviar cem jovens criminosos para o antigo planeta para perceberem se as condições são ou não favoráveis à sua habitação.
Os 100 foi uma óptima surpresa. Do pouco que sabia não só do livro, mas da série em si, as expectativas eram elevadas e Kass Morgan superou-as a todas. O livro é contado do ponto de vista de quatro personagens diferentes: Clarke, Wells, Bellamy e Glass e, embora adorasse cada minuto passado com cada um dos quatro jovens, Glass era, sem dúvida, a minha preferida.
Talvez porque realçava o meu lado mais romântico.
Talvez por se ver envolvida numa paixão trágica.
Talvez porque é a única dos protagonistas cuja vivência continua a ser na nave, o que para mim despertou-me maior atenção e interesse do que a vida no planeta.
Na verdade, a história de Glass transportou-me para a leitura de Quando as Estrelas Caem de Amie Kaufman e Megan Spooner, o que adorei. Mas, ao contrário destas duas autoras que começaram com apenas dois protagonistas, Kass Morgan criou um núcleo de personagens diferentes mas interessantes que começam por ser apresentados como criminosos, embora de delinquentes, tenham pouco e que, apesar de extremamente jovens, a maior parte, tendo menos de dezoito anos de idade, movem-se por amor, seja esse fraterno ou não.
Para além disso, foi extremamente refrescante começar um livro cujas relações já se encontram estabelecidas pelo que nos é permitido fazer suposições e ver a sua maturação ao longo das páginas, fosse através de pensamentos ou de passagens antigas, reminiscências de um passado que os assombra e que, para quem lê as minhas opiniões frequentemente, sabe que adoro. No entanto, apesar de pequenos pedaços de história terem sido uma completa surpresa pela sua crueldade, ou pelo seu sentido de sacrifício, muito do livro foi previsível, o que acabou por matar um pouco do encanto.
Mas, a escrita da autora moveu a leitura e o facto de os capítulos serem curtos com uma alternância entre o amor de Glass, a preocupação de Clarke, o lealdade de Bellamy e a necessidade de perdão de Wells, ajudou. As palavras simples, mas sucintas, a forma quase crua como por vezes descrevia certas passagens, transportou-me mais facilmente para a história e, embora o seu início confuso, com demasiadas coisas a acontecer, demasiados segredos por revelar e personagens para conhecer, com a passagem das páginas, tudo culminou numa excelente história de ficção científica que com certeza espero continuar.
Outros títulos da colecção: 
*Day 21 
*Homecoming 



Sinopse: Mia sente-se a princesa mais infeliz do mundo! O baile de finalistas aproxima-se e ela não tem par, além disso, não quer um par qualquer, quer o namorado. Mas Michael não gosta de bailes e o convite não chega... Conseguirá Mia ir ao baile de finalistas? Conseguirá Mia deixar de chorar e conseguir convencer Michael? Conseguirá Mia comprar um vestido maravilhoso e a todos deslumbrar? Encontramos a nossa Princesa completamente infeliz... será que no fim ela vai ser superfeliz????

OpiniãoEm O Diário da Princesa V - A Princesa Cor-de-Rosa as coisas começam, à falta de melhor palavra, a ficar interessantes e, ao contrário do volume anterior onde a leitura pareceu ligeiramente forçada, neste quinto volume, Meg Cabot retorna com o enredo altamente divertido e viciante. A relação entre Mia e Michael começa a ficar mais séria e, entre uns beijos aqui e acolá conseguimos facilmente perceber o caminho que pode vir a tomar e só consigo prever o quanto irei rir com os devaneios alucinantes da nossa princesa face às hormonas aos saltos.
A verdade, no entanto, é que em termos de formato, O Diário da Princesa V - A Princesa Cor-de-Rosa, não muda. A escrita, já característica, é a mesma, e o momento no qual sabemos que tudo muda é o nosso foco, pelo que a leitura passa a correr e, embora os mil problemas alertados ao longo das páginas, das constantes frases "a minha vida acabou" sabemos que no fim, tudo se resolve - por enquanto. Por outro lado, há menos listas, menos devaneios e mais acção, por parte da protagonista e dos seus familiares/amigos, o que é preferível a coisas como "As 10 mulheres que me influenciam" ou "Os 10 homens mais sexy segundo Mia e Lilly".
Neste volume, a autora explora em melhor detalhe os pormenores do primeiro amor e as consequências do mesmo, não só a nível social, como a nível psíquico e, de repente, uma rapariga de crenças tão intrincadas como Mia dá por si a querer ser propriedade de um rapaz e a colocar as suas necessidades à frente de alguém que perdeu o seu trabalho porque quer, pura e simplesmente ir a um baile de finalistas. Os adolescentes, a bem ver, são criaturas altamente interessantes porque, para eles, - e tendo sido uma à poucos anos, falo por experiência própria - cada dia parece o fim do mundo e, Meg Cabot possui o dom de passar para o papel a complexa mentalidade do que é ter quinze anos de idade e de estar a vivenciar o primeiro amor, as primeiras discussões, e claro, a ansiedade de no futuro ter ou não a capacidade para reinar um pequeno principiado europeu.


SinopseJoana pensa que tem uma vida normal. Até que um estranho homem aparece e desestabiliza tudo. De repente, aquilo que pensava saber sobre os seus pais não condiz com a verdade. Nem aquilo que pensava saber sobre os seus amigos mais íntimos... 
Obrigada a escolher entre o seu mundo, a família mais próxima e os amigos, ou acompanhar Marcus para um lugar desconhecido e mágico, Joana vê-se numa encruzilhada que mudará definitivamente a sua vida e daqueles que a rodeiam. 
Uma rapariga que é a salvação ou a maldição. 
Um guarda com uma missão ambiciosa. 
Um grupo de amigos unido. 
Um povo desesperado por mudança. 
Uma rainha sem voz para se impor. 
Um rei iludido com uma utopia. 
Um reino dividido sem razão. 
Um mundo caído na guerra... 

Bem-vindo às Terras Brancas. No Reino de Elfanos. No mundo antigo. 

1. Vou passar as perguntas de praxe à frente, do porque é que quiseste/ ou o que te inspirou a ser escritora. Um livro é algo que é preciso escrever com gosto uma vez que envolve um processo bastante longo, doloroso e exaustivo, pelo que apenas aqueles que têm uma verdadeira paixão acabam por ter um produto finalizado (na maior parte das vezes). Após terminada a minha leitura de Elfanos - O Legado a minha primeira questão é: A ideia final foi algo construído ou que surgiu num determinado dia? E, porquê Elfos?

R: Ambas as coisas: primeiro tive a ideia num dia completamente normal, depois fui construindo-a ao longo dos anos, uma vez que esta história foi uma das primeiras que escrevi.
Eu comecei a ler Elfos e, talvez, seja por isso. Contudo, também quis recriar algo e, neste momento, acho que os Elfos sejam os menos explorados nesse campo.

2. Como é que conseguiste balançar o tempo para a  escrita com as tarefas quotidianas? Basicamente, quanto tempo é que demorou desde a ideia primordial até ao produto final? 

R: Comigo, o que demora mais tempo é planear toda a história; escrevê-la demora relativamente pouco. Neste caso, perto de 3 a 4 semanas, se não menos.
Em relação do produto final, contado com revisões e capa e tudo mais, muito mais tempo. Esse sim, é o processo mais doloroso de todos.

3. Em Elfanos - O Legado, encontramo-nos no nosso mundo, mais concretamente no nosso país. Joana, Gonçalo, Patrícia, Luís e Tânia são nomes bastante comuns para um livro de fantasia/fantástico e, a não ser que mudem, entretanto com o passar do tempo em Elfanos, são nomes que ninguém esperaria encontrar (falando por mim), num livro do género. A escolha dos nomes foi pessoal? Ou algo muito pensado, com um significado oculto? 

R: São nomes normais porque as minhas personagens são normais (pelo menos, no início). Esse é mais um estereótipo que pretendia mudar. Só porque o livro é de fantasia, as personagens têm de ter nomes que depois ninguém, além do autor, sabe dizê-las correctamente?

4. Seguindo esta linha de raciocínio, grande parte do livro passa-se no nosso mundo e, a não ser por meras referências aqui e ali, decorre em Portugal, no entanto, (e a não ser que me tenha passado despercebido) o local nunca foi desvendado. Se sim, foi intencional? E, sendo tu uma autora portuguesa e, tendo eu, muitas vezes assistido ao escrutínio por parte de algumas pessoas a autoras portuguesas cujos livros decorrem no estrangeiro, sentiste algum tipo de pressão por “ser portuguesa, logo ter de escrever em Portugal?”. 

R: Em relação ao local, sim, foi propositado não o desvendar. Primeiro porque não acho que isso interesse minimamente; o local importante é o Mundo Antigo, não Portugal.
A questão da pressão, não. Eu tenho histórias que são passadas em Portugal, e não porque sinta que deva escrever no meu país; decidi ser aqui. Nada mais.

5. Porquê escrever inicialmente no nosso mundo, e só depois em Elfanos e não sempre no mundo que criaste? Uma das linhas temporais que mais me interessou foi a passagem da mãe de Joana para fora de Elfanos, o motivo vai ser explorado nos próximos volumes? 

R: Uma das coisas que acho que está em extinção no nosso mundo é a amizade. Se criasse algo em Elfanos, provavelmente não conseguiria marcar tanto o amor que estes cinco amigos sentem uns pelos outros. Essa foi uma das razões.
Já me fizeram essa pergunta anteriormente, surpreendendo-me. Neste momento, não estou a pensar nisso mas, quem saberá?

6. No início do livro, há durante varias páginas, referências ao distanciamento de Joana com raparigas que gostam de se arranjar, referindo que a sua amiga Tânia “passou para o outro lado” que levava, inclusive, vestidos de gala no dia do seu aniversário para a escola. Essa discrepância sempre evidente em inúmeras passagens deu-se porque querias que Joana não fosse uma rapariga de “bonecas e vestidos”, mas uma guerreira? Qual o processo criativo por detrás da personalidade da protagonista?

R: Sim e não. Eu queria que Joana fosse uma guerreira mas, Tânia também acaba por o ser. Acho que o que queria mesmo era mostrar que, independentemente de qualquer “obstáculo”, se uma pessoa acredita e vai à luta, consegue. Pode demorar, mas consegue.

7. Quando visionaste o início da história, quando a primeira ideia surgiu e depois de passado o primeiro volume para papel e uma vez que o final foi deixado em suspense, resta a continuação. Alguma data em vista? E, enquanto autora já conheces o final da história ou irás deixar ver até onde é que o mundo te leva?

R: O segundo sairá no final do ano.
Já lhe vi o fim muitas vezes, contudo, à medida que vou escrevendo, começam-me a surgir novas ideias e, por agora, já não sei se terá fim tão cedo.

8. Para Elfanos - O Legado, antes da sua publicação, deste-o a ler a alguém, usaste beta-readers?  Se não, consideras utilizar para o próximo? E se, sim, o que achaste da experiência e, onde me inscrevo? 

R: Sim, dei. Uma das pessoas gosta deste estilo e a outra não. No próximo, vou abranger mais pessoas mas, como deves calcular, não posso dar o livro a toda a gente. O que umas pessoas gostam, outras não gostam, e antes de agradar aos outros, terá de me agradar. Se mudasse tudo o que me pedem, já não seria a minha história; seria a deles.

9. Há várias partes de cariz sexual ao longo de Elfanos. Os protagonistas são jovens e, portanto, dá um sentido mais real do que significa ser adolescente/jovem adulto, no que toca à exploração da sexualidade. Sentiste alguma dificuldade a escrever essas passagens? Admito que, na maior parte dos livros, as cenas sexuais quase que soam ao mesmo, incluindo o mesmo género de linguagem como “membro” ,“tecido virginal”. Como é que achas que te conseguiste diferenciar?

R: As partes sexuais são as que, realmente, me dão mais trabalho porque não quero que sejam vulgares mas também não quero estender-me demais. 
Sinceramente, não sei se me diferenciei porque o objectivo não era diferenciar-me nesse campo. Até porque, eu não quero escrever literatura erótica.

10. Numa entrevista mencionaste que << o próximo livro, já estava em andamento (…) vai depender de como este correr>>, caso Elfanos - O Legado, não atinja as vendas necessárias para as próximas publicações, pensas continuar com a história através do self-publishing?

R: Não. Quando disse isso, estava a referir-me a tempo e não a vendas. 

11. Numa nota mais pessoal, o que achas da literatura fantástica de autoria nacional? 

R: Não consigo formar uma opinião concreta porque já li coisas que gostei e outras que não gostei mas, verdade seja dita, não há grande coisa. Pelo menos, que eu tenha conhecimento e que tenha visto à venda.

12. E, para terminar, o que podemos esperar do próximo volume? 

R: Essa é uma boa questão à qual não sei responder. A única coisa que concreta que sei é que vai haver sangue.

E aqui estarei para ler a continuação. Obrigado Dud@ pelo tempo despendido!

Outros títulos da colecção: 



*Elfanos - O Legado
*Elfanos #2
*Elfanos #3
*Elfanos #4
*Elfanos #5


Sinopse: Joana pensa que tem uma vida normal. Até que um estranho homem aparece e desestabiliza tudo. De repente, aquilo que pensava saber sobre os seus pais não condiz com a verdade. Nem aquilo que pensava saber sobre os seus amigos mais íntimos... 
Obrigada a escolher entre o seu mundo, a família mais próxima e os amigos, ou acompanhar Marcus para um lugar desconhecido e mágico, Joana vê-se numa encruzilhada que mudará definitivamente a sua vida e daqueles que a rodeiam. 
Uma rapariga que é a salvação ou a maldição. 
Um guarda com uma missão ambiciosa. 
Um grupo de amigos unido. 
Um povo desesperado por mudança. 
Uma rainha sem voz para se impor. 
Um rei iludido com uma utopia. 
Um reino dividido sem razão. 
Um mundo caído na guerra... 
Bem-vindo às Terras Brancas. No Reino de Elfanos. No mundo antigo. 

OpiniãoDud@, com Elfanos - O Legado é uma das poucas autoras portuguesas cujo mundo criado me despertou o interesse pelo que, quando muito generosamente - diga-se de passagem, - a própria autora me disponibilizou o seu livro, a minha pessoa, como fã do fantástico e de fantasia viu-se incapaz de recusar.
Mas, é impossível fazer desaparecer o estigma do: o autor português não escreve fantasia que se lhe diga. E, por muito que queira corrigir essa afirmação, a verdade é que o meu histórico com livros a roçar a fantasia épica escritos por autores nacionais, não é o melhor.
Talvez, a qualidade do material publicado não seja tão escrutinado como o estrangeiro.
Talvez a quantidade de autores nacionais a escrever fantasia seja mínima quando comparado com o estrangeiro.
Talvez as editoras apostem pouco no que é nosso.
Sou sincera ao ponto de afirmar que, apesar da curiosidade que tinha, muito antes de Dud@ entrar em contacto comigo, já estava reticente na sua compra porque a verdade é que, ao lermos um livro, não podemos deixar de o comparar com outros, seus semelhantes a não ser que seja único no seu conteúdo, o que, nos dias de hoje, é raro. No caso de Elfanos - O Legado, com As Crónicas de Shannara, O Senhor dos Anéis, A Rainha de Tearling ou até mesmo O Beijo dos Elfos de Aprilynne Pike. Por ser uma autora portuguesa devemos ser menos exigentes na qualidade? Por ser uma autora portuguesa devemos apregoar aos sete ventos para o povo comprar um livro cujo conteúdo é medíocre (o que não é o caso)? Isto é uma das principais razões pelas quais não me relaciono muito com críticas escritas a autores portugueses que afirmam que tudo é perfeito, que o que é nosso é bom, como dizia o outro. Mas isso, é uma conversa para outras alturas.
Elfanos - O Legado, surpreendeu-me. A noção do mundo criado por Dud@ foi algo que me interessou desde a primeira página. Para uma amante de fantasia, é sempre uma maravilha depararmos-nos com conteúdos já utilizados e mais do que reciclados por outros autores e vê-los espremidos numa nova forma e, para mim, é sempre mais do que bom deparar-me com uma protagonista capaz de mudar um reino, mudar um mundo. Passo a explicar: um mundo, por si só, pode ser brilhante, uma ideia, por si só, pode ser maravilhosa, mas uma protagonista única consegue mover montanhas e levar os leitores até ela. A questão que se coloca é: Joana Hereros conseguiu-o?
Para mim a resposta ainda não é clara. Joana por si só, não me chegou, o que é um problema. Uma protagonista cujas acções se revelam irrealistas, nem é irreflectidas, levam a que a história por si só, perca muito do seu encanto. Joana, que pouco sabe sobre o Mundo Antigo, chega com uma atitude de "eu posso, quero e mando", uma postura que podia ser bem suportada, se houvesse uma maior profundidade/exploração/sentido do real do mundo/personagens. Um exemplo perfeito seria A Rainha de Tearling de Erika Johansen. Na maior parte das vezes, cheguei a preferir Patrícia, a melhor amiga de Joana, à mesma.
Agarrei o livro, assim que ele chegou, e parei apenas quando as páginas acabaram. Não vou mencionar as características físicas do mesmo porque, para mim, isso não é, de todo, o essencial e não deve ser o factor pelo qual alguém deve ou não adquirir um exemplar. A história é que deve ser o factor chamativo - nada mais. No entanto, por muito que uma história contada de boca em boca seja electrizante, o mesmo não se passa na história escrita. Para mim, um livro para ser considerado excelente deve ter uma escrita madura que, ou se nasce com ela ou é adquirida com os anos e, para mim, Elfanos - O Legado, não atingiu o ponto que eu queria. Houve um inúmero demasiado grande de conversas, diálogos, gestos e acções que foram demasiado previsíveis. Mas admito, fui surpreendida com algumas frases como "Beijinho no Ombro", e com acções que me fizeram recordar Aladdin, no momento em que Yasmin remove o capuz para se expôr aos guardas para impedir os guardas de mal-tratarem o seu amado e que, para mim, removeu algum do entusiasmo.
A escrita é fluída, organizada, mas lê-se com facilidade e para mim, há uma linha ténue que separa a facilidade da infantilidade. Elfanos - O Legano seria perfeito se fosse para um público mais jovem. Aí, a autora teria atingido o ponto. No entanto, não o é. O carácter sexual - não roçado ao de leve, mas pormenorizado - de algumas passagens, impossibilitam de tornar Elfanos - O Legado, um livro direcionado para os mais jovens. Houve demasiada facilidade na escrita. O desenvolvimento dos personagens foi demasiado fácil, a sua apresentação ao mundo foi demasiado simples, o "rapidamente somos mestres do combate com criaturas sobre as quais nada sabíamos" foi demasiado infantil, as transformações foram demasiado superficiais, as alianças demasiado rápidas, as relações quase sem conteúdo. A Elfanos - O Legado, falta profundidade. Enquanto somos bombardeados com quase uma página sobre a necessidade de urinar, roçamos apenas ao de leve uma transformação que, a meu ver, é essencial para o crescimento da própria protagonista/personagens.
Algo que me incomodou mas que roça o pessoal, foi o facto de um livro do fantástico/de fantasia, ser passado, maioritariamente no nosso mundo, de os nomes próprios serem demasiado comuns de não haver uma exclusividade dada a Elfanos - O Legado no que toca à nomenclatura. O facto de ser no nosso mundo, no nosso país, não acrescentou nada à história, não me aproximou da protagonista ou do seu núcleo de amigos. Mas, como já referi noutras opiniões, todas as histórias contam-se por si mesmas e, se para a autora funcionou, quem sou eu para dizer o contrário?
No entanto, dou os parabéns a autora pela imaginação, pelo conteúdo, pela forma como enrolou os eventos culminando num precipício de incertezas; dou-lhe os parabéns não apenas pelo facto de ter sido capaz de publicar um livro de fantasia neste nosso país que pouco valor dá aos escritores como de ter sido capaz de escrever algo com qualidade. Elfanos - O Legado é, para mim um livro, perfeito? Não, de todo. Mas acho que há potencial? Sem espaço para dúvidas. Irei continuar a história de Joana? Absolutamente.
Outros títulos da colecção: 
*Elfanos - O Legado
*Elfanos #2
*Elfanos #3
*Elfanos #4
*Elfanos #5