Sinopse: Duas famílias, uma agnóstica outra católica, vão ser literalmente atravessadas por uma tragédia. Filipa e Miguel, personagens escaldantes, não suportam que a família e a sociedade venham ditar as normas porque se regem os clamores do primeiro amor, esse que nunca se esquece, que nos marca indelevelmente, de onde se levanta a gigantesca catedral de sentimentos, de dores e alegrias, que irão abrir o rumo da nossa vida. 
Mesmo considerando a solidariedade e a harmonia na família de Miguel, os dois jovens vão enfrentar a dura prova do crescimento e aprender "que o vazio causa a dor onde a alegria e toda a esperança se esvaem". No final, a caminho da solidão maior, Miguel e Filipa tocam o zénite onde podem enfim fundir-se num só. 

OpiniãoQuando eu era uma pré-adolescente, adorável e ingénua, costumava devorar, livros como este. Ao contrário de outros, que devoravam livros como Uma Aventura, ou Os Cinco, eu lia, Maria Teresa Maia Gonzalez e, Um Beijo no Pé tornou-se, rapidamente, um dos meus favoritos, provavelmente pela relação entre os dois protagonistas, Miguel e Filipa.
No entanto, outra leitura, anos mais tarde - hoje, para ser mais concreta - , deu-me um sentimento, completamente diferente. Eu compreendo o fascínio que o meu eu de treze anos de idade sentiu pelo tema mas, o meu eu de vinte e três anos, não consegue compreender como é que uma autora que, tem um enorme poder de influenciar mentes jovens, descreve a violência doméstica como algo, que irá passar, algo que é preferível a ter um pai morto, algo que é aceitável.
Fiquei chocada porque, os único pormenores que recordava era a história de amor e não as histórias secundárias de personagens que pouco me interessaram mas, lendo agora, vejo o mal que uma única página pode fazer (página 70). Um livro que está no Plano Nacional de Leitura, a meu ver, por favor, partilhem a vossa opinião, não pode ter frases como: «o teu pai não faz aquilo por mal. Se a vida lhe corresse melhor, se tivesse um emprego, ele já não batia em ninguém»
O QUÊ? Esta é a mensagem que queremos passar? Que é OK, recorrer à violência caso esta seja justificada por uma falta de emprego? Que uma nódoa negra na cara de uma criança de cinco anos de idade é normal e que a criança não tem de se preocupar porque «tu hás-de ficar bem grande, assim como ele e ninguém anda por aí a bater num homem grande!». Não concordo com tal pensamento, de todo e, não sou capaz de assimilar ISTO.
A escrita é realmente simples, por vezes poética, no entanto, os diálogos deixam muito a desejar. Algo que é comum a vários autores deste género de livros é o palavreado adolescente e o quanto os autores se esforçam quando, não o deviam: «É melhor não ires lá, que, pelas trombas dele, passou-se uma cena escanifobética e não quer que lhe chaguem a mona». Humo
Algo de que gostei foi as reminiscências ao passado, - sempre fã - mas, achei que, perante o sucedido, o Miguel estava a ser o mais infantil, o mais ingénuo, que é possível ser sem passar para o lado ridículo. Claro que o meu eu de treze anos, aceitou tudo, de bom grado. Ter dezassete anos pareciam-me já a idade adulta mas, alguém devia ter dado uma bofetada na criatura e, não estou sequer a referir-me às crenças religiosas mas, à facilidade com que ele achava que tudo na vida se ia resolver, à forma como achava que ia lidar com tudo, só porque vinha de uma família com dificuldades, mas amada.
Foi uma boa hora de leitura, mais coisa menos coisa e, é engraçado, como este género de livros, transportam-nos com facilidade para o passado. Durante a leitura, a minha mente viajou dez anos e hoje, por uma hora, voltei a ser uma rapariga facilmente impressionável e que se deixava deslumbrar por bonitas histórias de amor.
Outros títulos da Colecção Profissão Adolescente: 
*Dietas & Borbulhas
*O Geniozinho
*Ricardo, o Radical
*A Ana Passou-se!
*Poeta (às vezes)
*A Sara mudou de Visual
*Pedro Olhos de Àgui
*O Tiago está a pensar
*Parabéns Rita!
*Um Beijo no Pé
*A viagem do Bruno
*O álbum de Clara
*Estrela à chuva
*Alguém sabe do João?
*Noites no sotão
*O irmão da Joana
*Inês e o Ministro da Educação
*Em Casa do Vasco
*Tomás e  Bianca
*Tão cedo Marta!
*O Salvador
*O ombro de Cláudia
*Raimundo
*Entre irmãs
*David, um herói entre as chamas
*A família da Nazaré


Sinopse: Clary Fray só queria que a sua vida voltasse ao normal. Ms o que é normal quando és um Caçador de Sombras? A tua mãe está em estado de coma induzido por artes mágicas, e de repente, começar a ver lobisomens, vampiros e fadas? 
A única hipótese que Clary tem de ajudar a mãe é pedir ajuda ao diabólico Valentine, que, além de louco, simboliza o Mal - para piorar o cenário é também o seu pai. Quando o segundo dos Instrumentos Mortais é roubado, o principal suspeito é Jace, que a jovem descobriu recentemente que é seu irmão. Ela não acredita que Jace de facto possa estar disposto a abandonar tudo o que acredita e a aliar-se ao diabólico pai Valentine...mas as aparências podem iludir. 

OpiniãoA Cidade das Cinzas, faz parte de um conjunto de seis livros que pertencem à série Os Instrumentos Mortais de Cassandra Clare, uma, de cinco conjuntos de livros (mais extras) que pertencem Às Crónicas dos Caçadores de Sombras e, para saber a minha opinião sobre o primeiro volume, A Cidade dos Ossos ou para discutir possíveis comparações ou ameaças de plágio por parte da autora face aos livros de Harry Potter, podem sempre carregar aqui.
A Cidade das Cinzas, em relação ao seu antecessor, melhorou, e melhorou muito. Para mim, A Cidade dos Ossos acabou por ser ligeiramente condicionada por se focar apenas num único ponto de vista: o de Clary, embora houvesse um ou outro capítulo focado em Jace e até mesmo em Hodge, tudo o resto rodeava a rapariga mundi de dezasseis anos, o que é compreensível uma vez que, tal como ela, o leitor pouco ou nada sabe sobre o Mundo das Sombras.
No entanto, neste segundo volume, o leitor está mais familiarizado com os Caçadores de Sombras, com as suas Leis e com os Habitantes-do-Mundo-à-Parte e a troca de pontos de vista é variada e, bem-vinda. Deixamos de estar limitados à existência de Clary e entramos na cabeça de Jace, Alec e Simon, criando uma mistura de cenas de acção, dor, perda e romance num único capítulo, quase como se o livro fosse algo vivo. Não há realmente momentos parados, pelo contrário, no entanto, se tivesse de fazer uma crítica, seria ao facto de algumas das lutas, serem repetitivas, provocadas pelo próprio desenlace dos planos de Valentine.
Em A Cidade das Cinzas, personagens cujos nomes já conhecíamos surgem e, é MUITO interessante ver a interacção com as nossas já conhecidas. Ao contrário de A Cidade dos Ossos, a autora deixa os clichês para trás, e debruça-se de cabeça sobre a acção e o desenvolvimento dos personagens e do mundo, brincando com a mente do leitor e, sinceramente, com o coração. Não vou dizer que não somos capazes de adivinhar o desenlace final na relação Jace-Clary, uma vez que há motivos para crer o contrário, mas quem vive, quem morre, como é que vamos sair desta situação, são questões que a autora deixa em aberto.
Algo que começo a habituar-me na escrita da autora é que cada momento deve ser lido com muita atenção, uma vez que cada atitude, cada franzir de olhos, sorriso ou gesto, significa SEMPRE alguma coisa. Cassandra Clare não deixa nada ao acaso e, em A Cidade das Cinzas, os segredos e as conspirações andam de mãos dadas. Aliás, abraçados, como se fossem um só. Há uma inteligência por detrás de cada palavra e essa inteligência tem o nome da autora.
Outros títulos das Crónicas dos Caçadores de Sombra por Cassandra Clare
*A Cidade dos Ossos - adaptação cinematográfica: aquiadaptação televisiva aqui


*Lord of Shadowns (sem data de publicação)
*Queen of Air and Darkness (sem data de publicação)

*Chain of Thorns (sem data de publicação)
*Chain of Gold (sem data de publicação)
*Chain of Iron (sem data de publicação)

*The Wicked Power #1 (sem data de publicação)
*The Wicked Power #2 (sem data de publicação)
*The Wicked Power #3 (sem data de publicação)

*Tales from the ShadowHunter Academy (publicado em short-stories - por enquanto)
*The Shadowhunter Códex

Outros livros da autora
*A Manopla de Cobre
*Magisterium #3
*Magisterium #4
*Magisterium #5


Sinopse: Esta é a história de um menino que vivia num asteróide, com os seus vulcões em miniatura e a sua linda rosa vermelha e, usava um longo cachecol a flutuar ao vento. Um dia ele resolveu viajar e visitou a Terra onde encontrou um grande amigo que depois contou a história desse menino. Esta história foi traduzida em muitas línguas, foi lida por milhares de pessoas pequenas e grandes, e também por aqueles que, tendo-a lido quando eram pequenos, a voltaram a ler na idade adulta. Tal como tu talvez daqui a muitos anos voltes a lê-la. Sabes porquê? Porque mesmo se te causar alguma estranheza ou te parecer enigmática, esta história revela-te um segredo muito simples e ao mesmo tempo muito sábio: é que as coisas mais importantes são muitas vezes invisíveis para os olhos - só com o coração é que podemos vê-las!

OpiniãoNão estava nos meus planos imediatos ler o Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry mas, estabeleci uma data de desafios para o ano de 2015 e o livro em questão insere-se na categoria do "livro que era suposto ler para a escola, mas que acabei por não ler" e, quando terminei a leitura, senti uma espécie de vazio. Olhando para o passado, para a criança que eu era, sei que teria adorado o Principezinho, fosse obrigatório ou não e senti pena de mim mesma por não poder ter esta experiência, enquanto criança - se é que estou a fazer o mínimo sentido. Mas, ao mesmo tempo, não sei até que ponto é que teria compreendido a mensagem do livro para além do: as pessoas crescidas são muito esquisitas, porque, sinceramente, estou na casa dos vinte e continuo a achar as pessoas crescidas muito esquisitas.
Logo no início o autor descreve os seus dotes enquanto pintor aos seis anos de idade, no entanto, os adultos disseram-lhe para se deixar disso, que devia focar-se em matérias mais úteis no mundo real do que desenhar jibóias abertas e jibóias fechadas. E isso faz-me pensar sobre o quanto os adultos "castram" a criatividade das crianças. A nível pessoal, fui uma criança imensamente sortuda e feliz e os meus pais nunca, em momento algum, me proibiram de criar ou ler fosse que livro fosse e em que idade fosse. Mas, não é apenas na criatividade que os adultos "castram" as crianças. Desde muito cedo que somos rotulados consoante as nossas aptidões e, desde muitíssimo cedo somos obrigados a decidir sobre o nosso futuro. Quantos de nós não quiseram ser determinada coisa mas, mudaram de ideias por ouvir que não se ganhava muito ou, não havia emprego? Isto porque, como em o Principezinho, as pessoas crescidas ficam deslumbradas com números.
Em o Principezinho vemos uma mudança nos comportamentos e valores morais e é, incrivelmente fácil fazer comparações com a nossa sociedade e com a forma como as pessoas bebem as palavras uma das outras, ao invés de olhar para os actos, como a flor do planeta do Principezinho. Sempre acreditei que o verdadeiro valor de cada pessoa reflecte-se nas suas acções mas, adorava ter lido o livro em criança, para me aperceber disso mais cedo ou, pelo menos, ter-me sido dada a oportunidade de tentar perceber.
Somos um planeta lindo, mas cheio de pessoas vaidosas, bêbadas, negociantes, trabalhadoras e curiosas mas, no final, acabamos por não ser nada sem amor. Somos apenas um corpo que não ocupa muito espaço, efémero, um animal que não se distingue dos outros a não ser que seja amado, ou "cativado", como refere a raposa. Mas, ao mesmo tempo que nos apercebemos disso, percebemos igualmente que deixar-nos ser amado, ou cativado, é sofrer e, a verdadeira questão é: vale a pena?
Há provavelmente milhares de livros que rodeiam o assunto, do amar e perder ou nunca ter amado mas, nunca li um livro que fosse directo ao assunto e, o que tirei do livro, e o que sempre foi a minha resposta, é que vale a pena. Sempre. Mais uma vez, somos um corpo, mas somos feitos de algo mais. Porque, sempre que pensamos em alguém que amámos, essa pessoa torna-se real para nós, uma vez mais, seja através de recordações, ou do riso de milhares de estrelas porque, só se vê bem com o coração, porque o essencial é invisível aos olhos.
Outros títulos do autor: 
*O Principezinho
*O Aviador
*Correio do Sul
*Voo Nocturno
*Terra dos Homens
*Piloto de Guerra
*Carta a um Refém 


Sinopse: A collection of the notable last recorded words of the dying, Famous Last Words is, unexpectedly, bursting with life, hope, wisdom, and often laughter. Here are writers, philosophers, athletes, gangsters, kings, queens, movie stars, and politicians, in all sorts of moods and states of preparedness. Some merely want to say goodbye to loved ones, others want to create a legacy. And some are caught completely off guard, like Civil War general John Sedgwick, answering his troops' urgings to take cover: They couldn't hit an elephant at this dist-.
There's the droll: It's the wallpaper or me. One of us has to go (Oscar Wilde); the blasé: How are the Mets doing today? (Moe Berg); the cranky: It wasn't worth it (Louis B. Mayer); the wistful: That was the best ice cream soda I ever tasted (Lou Costello); the optimistic: I shall hear in heaven! (Beethoven); and the overly optimistic: I've never felt better (Douglas Fairbanks). Ultimately, every one of these parting statements is a reflection of the person behind it. Each is accompanied by a mini-biography of the speaker, including the context of death, from the golf course (That was a great game of golf, fellers Bing Crosby) to a favorite armchair (Go on, get out. Last words are for fools who haven't said enough-Karl Marx).


OpiniãoPara os fãs de John Green, Ray Robinson não é um nome estranho. Em À Procura de Alaska, Miles Halter tem uma obsessão com a forma como as pessoas se despedem da vida e abraçam a morte, ou seja, com as últimas palavras.
Depois de ler À Procura de Alaska, eu própria fiquei ligeiramente obcecada com o conceito e encomendei esta pequena - muito pequena - beleza. Na minha cabeça, imaginei o livro como sendo apenas de citações, no entanto, maravilhei-me com o enquadramento de Ray Robinson. Ele escreve não apenas sobre a vida da pessoa, algumas completamente desconhecidas para mim, como do momento exacto da sua morte.
Quando soube que o título tinha "Pessoas Célebres", imaginei que iria conhecer cada um dos nomes mas, como é óbvio, enganei-me. A maioria das citações pertencem a magnatas, senadores e até mesmo presidentes da história americana, os primeiros menos conhecidos neste nosso Portugal. Contudo, Ray Robinson adicionou igualmente citações de nomes memoráveis como Beethoven, Jane Austen, as irmãs Bronte, Ana Bolena e, inclusive, de homens e mulheres que foram condenados à morte por homicídio, entre os quais John Booth. E, algumas das frases são conhecidas do livro de John Green, a mais importante, penso eu é "Aquilo ali e muito bonito", de Thomas Edison.
Dei por mim a rir-me com a não seriedade com que algumas pessoas encaram a sua morte. Um dos exemplos é Georges Danton, condenado por conspiração e condenado à guilhotina, cujas últimas palavras foram: "Tens que mostrar a minha cabeça às pessoas - vale a pena vê-la"; ou de Lady Astor "Estou a morrer ou é o meu dia de anos?"; e, as minha preferidas, de Fred Harvey "Não cortem o fiambre muito fino" e da Condessa de Vercellis: "Óptimo, uma mulher que peida não está morta".
Mas não só, há frases realmente inspiradoras, como a de Amelia Earhart "Por favor, acredita que estou perfeitamente ciente dos riscos. Quero fazê-lo porque quero fazê-lo. As mulheres devem tentar fazer coisas tal como os homens tentaram. Quando falham, o seu falhanço deve ser apenas um desafio para as outras". Ou frases pronunciadas em momentos conhecidos como o naufrágio do Titanic.
É um livro pequeno, realmente pequeno, mas, acho que é um bom complemento à leitura de À Procura de Alaska. É diferente, extremamente rápido de ler e com certeza irá provocar uma mistura de emoções, desde tristeza, saudade por pessoas que nunca conhecemos, e até mesmo divertimento.


Sinopse: No Pandemonium, a discoteca da moda de Nova Iorque, Clary segue um rapaz muito giro de cabelo azul até que assiste à sua morte às mãos de tres jovens cobertos de estranhas tatuagens. 
Desde essa noite, o seu destino une-se ao dos três Caçadores de Sombras e, sobretudo, ao de Jace, um rapaz com cara de anjo mas com tendência a agir como um idiota...

OpiniãoPrimeiro que tudo, Cassandra Clare é uma das autoras mais presentes nas redes sociais, sejam elas, twitter ou tumblr, o que dá aos seus leitores uma sensação de proximidade e, mais do que uma centena de vezes, a autora deu a sua opinião ou respondeu a questões feitas pelos fãs que abrem um pouco mais daquilo que é as Crónicas dos Caçadores de Sombras constituídas pelos Os Instrumentos Mortais (The Mortal Instruments), Origens (The Infernal Devices), The Dark Artifices, The Last Hours e The Wicked Powers (ainda por publicar), assim como As Crónicas de Bane e Tales from the Shadowhunter Academy. Mas, nem tudo é rosas e, mais do que uma vez, dei por mim a ler comentários ou textos de longas páginas sobre o suposto "plágio" da autora. De que livro?, perguntam os menos informados. Harry Potter de J.K.Rowling, para ser mais exacta.
Quando abrimos o livro, somos imediatamente arrastados para a protagonista Clary e, à medida que a personagem conhece o Mundo das Sombras, enquanto leitores, começamos a ver pequenas comparações.
- A forma como os edifícios se camuflam de lixeiras para parecer despercebidos aos mundos.
- A própria palavra mundis, para descrever as pessoas não Caçadores de Sombras, é semelhante a muggles, no universo de J.K.Rowling.
- O país de origem, Idris, a ideia por detrás da sua existência é semelhante ao feito por J.K.Rowling, em Harry Potter e o Cálice de Fogo durante a Taça do Mundo de Quidditch.
- O claro antagonista que quer a primazia de uma raça em detrimento de outra e que possui uma data de seguidores que levou a uma guerra.
- A existência de três instrumentos mortais.
- O coche dos irmãos silenciosos cavalga a rua e não provoca nenhum estrago no trânsito.
Compreendo os argumentos presentes em cada crítica. Como fã aficionada de Harry Potter e de J.K.Rowling vejo, com facilidade as parecenças, mas vejo igualmente a injustiça. É possível comparar cada distopia, cada fantasia, ou fantasia urbana aos livros mais conhecidos do seu género. Quantas vezes não lemos etiquetas com: "O novo Crepúsculo" ou "Os fãs de Harry Potter/Hunger Games vão adorar". São rótulos que servem para vender e, pouco mais. E, apesar de Cidade dos Ossos ter, claramente, semelhanças com Harry Potter, é possível diferenciar os dois, é possível adorar os dois e, mais do que tudo, Cidade dos Ossos cresce pela diferença. São os pormenores que são parecidos, não a essência do livro e, se alguém não leu Os Instrumentos Mortais por ser demasiado parecido com os livros do Rapaz Que Sobreviveu, tenho pena, porque são realmente bons.
Sendo o primeiro livro de uma série de seis e, sendo, penso eu, o primeiro livro publicado da autora à excepção de fan-fiction, vemos, não erros, mas uma escrita imatura, embora não tenha a certeza que seja essa a palavra que procuro. Onde? Essencialmente nos primeiros três capítulos, nos diálogos durante as explicações: perguntas simples, levam a respostas demasiado compridas e detalhadas que não estariam presentes num dito, diálogo normal.
Mas, uma coisa que Cassandra Clare faz de forma excepcional é o desenvolvimento dos personagens e a aproximação dos mesmos com os leitores. Ela toca em pontos sociais que nunca vi retratados em fantasia urbana, ou em qualquer fantasia, de forma tão aberta: a homossexualidade, o machismo e o racismo, ou seja, o preconceito e é aqui, para além da história, que a autora se distancia ainda mais de J.K.Rowling. O preconceito que ela descreve não é em relação ao sangue puro, ou sangue de lama, como em Harry Potter, mas em relação a RAÇAS diferentes, havendo uma maior aproximação com o mundo real. Fazendo outras comparações, Jace e Isabelle até ao encontro com Clary, levam vidas muito semelhantes no que toca às relações e promiscuidade mas, quem é que foi mais criticado, mesmo por Clary? Ou mesmo pelos leitores? Isabelle é uma personagem de carácter forte, uma das melhores Caçadoras de Sombras, extremamente feminina, cujo principal defeito é não saber cozinhar porque a própria mãe tinha medo que ela fosse encarregue da cozinha.
No entanto, há questões técnicas que me aborrecem. Um dos exemplos é o facto de sabermos que Hodge não quer mundis no Instituto mas, nunca vemos a reacção do mesmo ao aparecimento de Simon, apenas o diálogo com Isabelle: o Hodge vai matar-te. Para além disso, não há nenhuma explicação para, nas suas memórias, na Cidade Silenciosa, Clary ver um caixão a baixar, visto que a única morte que seria tecnicamente importante era a do pai que, ela referiu morreu antes de nascer. Há momentos de igual incoerência. Dorothea sabe que a Jocelyn foi casada com Valentine e chega a referir: um amor que deu para o torto e, uma página depois, é que reconhece-a por quem ela era: Jocelyn Fairchild, conhecia-a apenas por Jocelyn Fray. E, há alguns erros de caracterização: Pangborn é descrito como tendo pele púrpura, uma característica conhecida de pertencer aos filhos de Lilith, mas Pangborn é, na verdade, um Caçador de Sombras.
A verdade é que Cassandra Clare recria um mundo mítico a que temos sido bombardeados nos últimos anos sendo, no entanto, os Caçadores de Sombras, uma versão muito mais apelativa de Caçadores de Vampiros ou Caçadores de Demónios e, embora as primeiras páginas ofereçam de antemão o que vai acontecer, qual o motor da história e o romance, à medida que nos debruçamos, descobrimos um mundo complexo, apesar dos clichês habituais, e um final chocante. Não há apenas a história actual. À semelhança de Harry Potter, conhecemos a história por detrás do círculo e o passado de Valentine, Luke e da mãe de Clary, Jocelyn, havendo um confronto de gerações e comportamentos. Penso, que merece uma oportunidade para os leitores mais resolutos.
Outros títulos das Crónicas dos Caçadores de Sombra por Cassandra Clare
*A Cidade dos Ossos - adaptação cinematográfica: aquiadaptação televisiva aqui


*Lord of Shadowns (sem data de publicação)
*Queen of Air and Darkness (sem data de publicação)

*Chain of Thorns (sem data de publicação)
*Chain of Gold (sem data de publicação)
*Chain of Iron (sem data de publicação)

*The Wicked Power #1 (sem data de publicação)
*The Wicked Power #2 (sem data de publicação)
*The Wicked Power #3 (sem data de publicação)

*Tales from the ShadowHunter Academy (publicado em short-stories - por enquanto)
*The Shadowhunter Códex

Outros livros da autora
*A Manopla de Cobre
*Magisterium #3
*Magisterium #4
*Magisterium #5



OpiniãoE é mais uma fantástica saga que chega ao seu fim. É difícil de dar uma opinião sem estragar a surpresa, mas irei fazê-lo, portanto, será uma opinião livre de spoilers, ou o melhor que conseguir. Podem sempre ir ver o filme e depois ler a opinião para ver se condiz com a vossa e se têm mais alguma coisa a acrescentar.
Primeiro que tudo, A Revolta - Parte 2, começa exactamente onde A Revolta - Parte 1 terminou, até aí, não há surpresas. É uma adaptação extremamente fiel, uma vez que, tendo lido o livro há poucos dias, reconheci os diálogos como sendo o dos livros - LITERALMENTE. Portanto, se alguém está preocupado em que uma determinada frase ou cena, não esteja representado no filme, desengane-se. Contudo, A Revolta - Parte 2, peca por ser rápido nas suas explicações e rápido nas cenas de acção. Durante vinte minutos, nada mais acontece do que um diálogo significativo e no minuto seguinte, BANG.
Como disse nas três opiniões anteriores, que podem ler aqui, os filmes são um óptimo complemento à leitura porque, por muito imaginativos que os leitores possam ser, as cápsulas, o Holo, as ruas do próprio Capitólio ganham, pela primeira vez, vida. Lembro-me que, na minha primeira leitura, não percebia o que era o Holo e as caras do Pelotão Estrela: Cressida, Pollux, Castor, Jackson, Leeg 1 e Leeg 2, perdiam-se nos acontecimentos. O que não aconteceu, de todo, no filme.
Ao mesmo tempo, algumas cenas cruciais têm um desfecho mais emocionante que no livro e outras, de maior emoção, acontecem em pouco mais de dois segundos. Confesso que, como em A Revolta - Parte 1, adoraria ver mais da instabilidade da Katniss, uma vez que essa instabilidade representa as consequências de uma guerra, da dor e da perda, no entanto, no filme, cenas cortadas ou não, Katniss seguiu em frente com relativa "facilidade".
Um grande defeito que dou é a ausência de sangue. Como em Os Jogos da Fome, ou A Revolta - Parte 1, parece haver uma insistência em manter a "pureza" de uma cena que devia ser sangrenta.
A verdade é que, devido às explicações rápidas, às cenas de acção a correr, fiquei com a impressão de que se não tivesse lido livro, não teria percebido o filme na sua totalidade. Algumas mudanças - poucas - são muito bem-vindas, não só porque dá visibilidade a personagens secundários, mas porque saltam alguns momentos mais parados do próprio livro, embora, obviamente, tivesse gostado de ver algumas cenas, entre as quais as pessoas a regressarem ao Distrito 12, ou mais de Johanna. Mas, para mim, a essência da história continua definitivamente lá.
Foi a primeira vez que fiquei completamente satisfeita com o final de uma saga. Para além do que já foi mencionado, não há realmente defeitos a apontar porque no final, acaba por ser uma adaptação extremamente fiel e, o que mais me preocupava, o epílogo, estava lá, lindo, emocionante e maravilhoso. Penso que, para os fãs dos livros de Suzanne Collins, serão duas horas excitantes, muito bem passadas e cheias de emoção.
Outros títulos da colecção
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui aqui


Outros livros da autora
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw



OpiniãoComo aconteceu à maioria dos filmes juvenis como Harry Potter e os Talismãs da Morte de J.K.Rowling, Amanhecer de Stephanie Meyer ou o futuro Convergente e Ascendente (?) de Veronica Roth, A Revolta de Suzanne Collins foi dividida em duas partes, sendo que a segundo está a escassas horas de estrear.
Na maior parte dos casos, faço parte do grupo de pessoas que afirmam que ter o último filme dividido em duas partes não traz benesses para ninguém, salvo raras excepções. No entanto, no caso de A Revolta, como podem ver na opinião do livro homónimo aqui, sou da opinião que o livro podia ter sido muito melhor explorado. Como nas duas opiniões anteriores, aqui e aqui, respectivamente, fui de opinião que os filmes Os Jogos da Fome, ou Em Chamas são um EXCELENTE complemento à leitura e o mesmo aconteceu com A Revolta.
A Revolta é um filme parado, à falta de melhor palavra. Sim, admito, há algumas cenas de acção mas, grande parte dele centra-se na instabilidade mental de Katniss - maravilhosamente interpretada por Jennifer Lawrence - e nos conflitos psicológicos entre o Distrito 13 e o Capitólio.
Pela primeira vez, vemos em primeira mão a dimensão do Distrito 13. As descrições rápidas do livro ganham vida e quase que sentimos o ambiente frio, cinzento e de guerra permanente que se vive. A Presidente Coin - Julianne Moore - personifica cada traço do Distrito 13: frio, cinzento e em guerra. A verdadeira acção, foi deixada para A Revolta - Parte 2 e, A Revolta - Parte 1 é um filme que abre o caminho para a explosão de adrenalina e sofrimento que sabemos que vamos ver. O final de tensão em que somos deixados, evidencia isso mesmo. Isto porque, A Revolta - Parte 1, baseia-se apenas, se não me engano, em 164 páginas.
Tal como nos seus antecessores, em A Revolta - Parte 1, vemos para lá do interior de Katniss. Enquanto nos dois primeiros filmes, vimos o interior do Centro dos Produtores de Jogos, aqui, vemos as manobras e contra manobras, de Plutarch e de Coin e, é-nos dada um background relativamente à decisão de enviar Katniss para o Distrito 12, onde começa o último livro. O porquê de ela se encontrar ali, em primeiro lugar. E, apesar de ser o primeiro filme sem jogos, a pérola de Peeta, aparece como uma constante lembrança daquilo que nos falta - a presença do filho do padeiro. Para além disso, somos arrastados para o resgate de Peeta, Johanna e de Annie. Estamos lá, não apenas na companhia de Gale e de Boggs, que ganha um novo tom no filme, - mas também na de Finnick. Os saltos espaciais entre os dois, são bem-vindos.
É um filme pesado. Katniss parece ter, pela primeira vez, a sua idade. A mera visão do Distrito 12 é o suficiente para deixar o espectador perturbado. Ao contrário do primeiro filme que se contentou em mostrar o sangue derramado e não o ataque, em A Revolta - Parte 1, vemos corpos carbonizados, esqueletos, as cinzas daquilo que foram outrora personagens queridas e, pela primeira vez, a luta torna-se pessoal também para nós, espectadores e, citando a Presidente Coin: a revolução diz respeito a todos. O alívio cómico aparece sob a forma de Effie que, ao contrário do que acontece nos livros, está presente e de boa saúde e, é interessante ver a personalidade rebelde da própria personagem a ganhar vida.
Visualmente, há momentos de cinematografia épica. O meu preferido é, sem dúvida, o momento em que Katniss canta a pedido de Pollux, apoiada pelos mimo-gaios do bosque. A sua voz perde-se lentamente nas vozes dos rebeldes. Katniss é um deles.
A Revolta - Parte 1, não tendo um conteúdo extenso de acontecimentos permite o desenvolvimento da relação entre os personagens. Como já referi, com Peeta, agora desaparecido, Gale ganha um novo destaque e é óbvio que não há, nem nunca houve, algo parecido com um triângulo amoroso, pelo menos, na minha opinião. É-nos revelado mais da sua personalidade fogosa e insensível que irá ter um impacto tremendo no filme seguinte. Ao mesmo tempo, Prim, Mrs. Everdeen e Haymitch ganham uma nova cor. És a única amiga que tenho aqui.
Katniss é uma protagonista defeituosa mas, o espectador assiste de tal modo submerso ao seu sofrimento, que o egoísmo da mesma, passa-nos ao lado, mas Coin e Snow, reconhecem-na pelo que é, alguém que não se importaria de fugir se isso fosse o suficiente para lhe salvar a vida. É alguém que não vê além dos seus interesses egoístas. E, os momentos em que Katniss se revela, são interrompidos por cenas onde homens e mulheres se sacrificam pelo bem maior, pelo que nos esquecemos.
Como aconteceu em Em Chamas com a arena, em A Revolta - Parte 1, os propos ganham textura. Vejo-os exactamente como Plutarch os descreveu no livro, embora fosse incapaz de os imaginar antes de ver o filme. Gostei igualmente da relação que os mesmos estabeleceram com os espectadores, uma vez que muitos deles, foram lançados meses ou semanas antes do filme estrear. De repente, um livro mal explorado torna-se num filme denso e profundo. Uma adaptação maravilhosa
Outros títulos da colecção
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui aqui


Outros livros da autora: 
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw



OpiniãoComo é natural, as pessoas têm diferentes opiniões quanto aos livros criados por Suzanne Collins e, como não podia ser de outra forma, as opiniões relativas aos livros homónimos, também diferem. No que toca à minha pessoa, Em Chamas, foi o meu livro preferido (a opinião do mesmo pode ser lidas aqui) e, em relação ao filme, a minha opinião não mudou.
Em Chamas começa a desenvolver o stress pós-traumático da protagonista e, do mesmo modo, a formar os contornos da revolta que está para vir, e, somos apresentados pela primeira vez há possibilidade da existência de um distrito 13. Como Os Jogos da Fome, seu filme antecessor, cuja opinião podem ler aqui, é uma adaptação extremamente fiel daquilo que foi o livro, no entanto, ao contrário do primeiro filme e, apesar dos actores não apresentarem falhas na sua performance, o director, Francis Lawrence, dá a Em Chamas, mais cor, mas mantendo o esqueleto daquilo que foi o primeiro filme, ou seja, não há mudanças drástica, mas elas estão, efectivamente, lá.
Como já referi, as performances estão no ponto e, embora os livros sejam narrados na primeira pessoa e como tal, bastantes introspectivos, através dos actores conseguimos com facilidade, perceber o que vai na mente de cada um, ou, pelo menos, aquilo que estava escrito no livro. Um dos exemplos é, a morte de Peeta. Até então, um amor encenado, que não conquistou o Presidente Snow, ou outros vencedores como Finnick Odair, é revelado, nesse momento e apenas nesse momento, como verdadeiro e percebemos isso através das interpretações de Donald Sutherland e de Sam Claffin.
Esta trilogia, ao contrário de outras adaptações cinematográficas funciona extremamente bem como complemento à leitura. Como já referi na opinião anterior, em Em Chamas, vemos para lá da arena. Temos total consciência de como funciona o Centro dos Produtores de Jogos e Francis Lawrence, dá-nos cenas adicionais que mostram o quão imensa é a influência de Katniss não só nos distritos como no próprio Capitólio através da neta do próprio Presidente Snow.
No livro, apesar de termos uma ideia, uma visão, o filme dá-nos, de forma maravilhosa, a estrutura da arena, a ideia do que é o relógio, e o horror que cada sector proporciona. É uma experiência visual fantástica e, recuando no filme, há mudanças que são bem vindas. O aparecimento de Johanna Mason - uma personagem para lá de brilhante, - ou o desenho de Rue, feito por Peeta, relembram-nos do quanto os personagens perderam e o que tiveram de sacrificar; algo que não estava no livro. Aqui, realço a banda sonora. Seja no discurso durante o Passeio da Vitória, ou na ceifa, estava no ponto certo. Emocional o suficiente para deixarmos cair algumas lágrimas, mas forte o suficiente para nos fazer sentir revolta pelo Capitólio e pela existência dos próprios jogos.
Ao contrário do que aconteceu com Os Jogos da Fome, o vestuário e, os efeitos especiais criados por Cinna, sobem de qualidade - exponencialmente. No primeiro filme eram, obviamente falsos e, para ser sincera, penso que não impressionaram ninguém; mas, sob a direcção de Francis, o factor UAU, está definitivamente lá.
O que é igualmente divertido de se ver, é a forma como Elizabeth Banks dá vida a Effie. A única personificação do Capitólio que vemos e, por mais insensível que ela se mostre, somos incapazes de não a adorar. E, ao contrário do que aconteceu nos livros, conseguimos sentir, a dor dela, e o começo da percepção de que talvez, e só talvez, os jogos sejam errados, de que eles, o povo de Panem, merece um destino melhor. É a mudança que se desenvolve à frente dos nossos olhos - manobras e contra manobras.
Outros títulos da colecção
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui aqui


Outros livros da autora
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw


OpiniãoPrimeiro que tudo, qualquer leitor sabe que é difícil passar qualquer livro para o grande ecrã. No caso de uma distopia, como é o caso de Os Jogos da Fome, cuja opinião podem ler aqui, é preciso introduzir as características deste mundo futurístico: apresentar os distritos, as diferenças entre os mesmos, o capitólio e as principais características dos jogos em si: dois jovens, um rapaz e uma rapariga de cada distrito, dos doze aos dezoito anos são oferecidos como tributos para relembrar aos distritos as consequências de uma rebelião. Aqui Os Jogos da Fome, não se alarga. Num texto simples e elucidativo, somos imediatamente apresentados à essência do filme. São explicados o como e o porquê.
Para mim o livro e o filme, complementam-se maravilhosamente, isto porque no filme há uma expansão do mundo que não acontece no livro. Uma das primeiras cenas, apresenta Seneca Crane a anunciar ao mundo os jogos como algo que une os distritos, somos expostos à realidade do Capitólio e, ao mesmo tempo que essa cena termina, somos lembrados com os gritos de uma Prim assustada, a realidade por detrás dos mesmos.
Como já referi anteriormente, ler um livro, especialmente um livro escrito na primeira pessoa, é sempre uma experiência muito introspectiva, no entanto, durante o filme, coisas como, a personalidade de Gale salta à vista e, uma personagem que não foi tão amada por mim durante a leitura, ganha uma nova luz. O mesmo acontece com Effie e Haymitch. O filme permite-nos perceber melhor a complexidade, futilidade e até mesmo crueldade do Capitólio. Para quem leu o livro, os fatos de Effie eram somente coloridos e espampanantes, no filme, ganham textura e vida.
Por outro lado, o desespero e a preocupação de Katniss, interpretada de forma mágica por Jennifer Lawrence, passa com facilidade para o grande ecrã.
Para mim, pessoalmente, um dos aspectos negativos é, sem dúvida, a passagens rápida as imagens no início do filme. Não são apenas imagens rápidas mas, muito mexidas, como se tivessem sido filmadas por amadores. Imagens que retratam uma realidade cruel, de pessoas a morrer à fome, mães a despedirem-se dos filhos e crianças assustadas a percorrer o caminho que pode, com facilidade, levá-las à morte. O mesmo acontece na subida para o comboio e, rapidamente se percebe que, a intenção dessas imagens é o de fazer parecer que estamos a ver tudo através dos "olhos" de Katniss mas, para mim, resultou numa sucessão de imagens confusas e que me deixaram com uma tremenda dor de cabeça. Sensível.
Como já referi, ao contrário do que aconteceu no livro, temos acesso às câmaras e à sala dos produtores de jogos e, podemos perceber que cada acontecimento na arena é propositadamente provocado e quais são as razões por detrás de cada uma das acções. Ao mesmo tempo, Ceasar Flickerman e Claudius Templesmith são aquisições brilhantes para descrever o jogos, para explicar algo que um espectador que não tivesse lido o livro não perceberia, uma vez que Katniss quase não fala durante os primeiros dias na arena. Para além disso, temos acesso ao que se passa nos distritos, nomeadamente no 11 e no 12 e podemos perceber que a faísca que Katniss lançou começou com a morte de Rue.
Donald Sutherland interpreta o infame Presidente Snow e, sinceramente, penso que não podia ser de outra forma. Tal como vemos os produtores e os distritos, compreendemos melhor as motivações do Presidente e do porquê da existência dos jogos. A sua mente distorcida e cruel é quase dolorosamente atractiva. Ele apresenta-se como alguém benevolente que justifica as suas acções com acontecimentos do passado, alguém que não tem problema nenhum em mandar vinte e três crianças para a morte, e transformar uma delas numa assassina. Ou em castigar alguém pelos actos de outro, nomeadamente Seneca Crane, alguém que até ao lançamento do filme, não tinha rosto para nós, leitores.
Tal como nos livros, o meu gosto pelo aparecimento do mutantes era zero e, preferia que a autora se tivesse mantido dentro do espectro do que é real porque, como temia, os mutes no filme, não são atraentes ou assustadores e não parecem minimamente reais. Neste filme, os efeitos especiais, que incluem também os "fatos espectaculares" de Katniss e Peeta na quadriga, parecem falsos e feios.
Os jogos são fieis ao que é descrito no livro, não há dúvidas e, apesar de algumas cenas cortadas, como as horas de desidratação, acabam por ter repetições e por serem cenas paradas. No entanto, apesar de ser uma óptima adaptação, há diferenças: a Madge não existe, Katniss compra o próprio pin que mais tarde lhe dará um nome e oferece-o a Prim que, mais tarde, o oferece a ela; os tributos dos Distritos 1 e 2 treinam em academias especiais até aos 18 anos de idade; a equipa de preparação parece assustadora e não tonta; Katniss não fica surda e Peeta não perde uma perna. No entanto, são pequenos pormenores porque, de resto, é uma adaptação fiel, muito fiel, ao livro.
Outros títulos da colecção
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui aqui


Outros livros da autora
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw


Sinopse: Katniss Everdeen não devia estar viva. Mas, apesar dos planos do Capitólio, a rapariga em chamas sobrevive e está agora junto de Gale, da mãe e da irmã no Distrito 13. Recuperando pouco a pouco dos ferimentos que sofreu na arena, Katniss procura adaptar-se à nova realidade: Peeta foi capturado pelo Capitólio, o Distrito 12 já não existe e a revolução está prestes a começar. Agora estão todos a contar com Katniss para continuar a desempenhar o seu papel, assumir a responsabilidade por inúmeras vidas e mudar para sempre o destino de Panem - independentemente de tudo aquilo que terá de sacrificar... 




Book Trailer: 
Opinião: Para mim é completamente impossível dar uma opinião sobre A Revolta sem revelar alguns detalhes. Podia falar da escrita, de como a história me comoveu, e de como Suzanne Collins criou um mundo fantástico, mas não é sobre isso que quero escrever. Quero sim, discutir alguns pormenores que me deixaram decepcionada, confusa ou emocionalmente destruída, por isso, caso não tenham pegado no livro - o que raio andaram a fazer? - ou queiram ser surpreendidos no filme, por favor, não continuem: AVISO DE SPOILERS.
Primeiro que tudo, certamente não sou a única a pensar que A Revolta podia ter sido melhor explorado. Ao contrário de Em Chamas, onde Suzanne Collins encontrou o equilíbrio perfeito entre o romance, o medo e o desenrolar da acção, sem os jogos da fome ou sem um quarteirão para matar crianças inocentes, pareceu-me que a autora não sabia muito bem o que fazer com a história. O início começa de forma promissora: estamos no mesmo local onde começou Os Jogos da Fome, naquilo que era a cama onde a Prim dormia. Há um círculo que se fecha. No entanto, à medida que entramos no mundo do Distrito 13, o mal da autora em Os Jogos da Fome, repete-se. As mesmas cenas são escritas vezes e vezes sem conta. Não há um desenrolar da história em cem páginas e, quando esse desenvolvimento acontece, é em excesso. Um dos exemplos, mais uma vez, aviso de spoiler, é a morte de Finnick Odair, um personagem querido para muitos, inclusive para a protagonista, um dos personagens que merecia mais. E sim, em A Revolta há uma guerra, e é necessário seguir em frente para alcançar um objectivo ou para salvar a própria vida mas, isso não deve ser impedimento para dar mais do que duas linhas em relação à morte de um personagem que desempenhou um papel fundamental, que se tornou amigo e confidente da líder, e que cresceu no coração do leitor.
A ausência de Peeta é notória. Há um espaço em branco que deve ser preenchido desde o início do livro e nem mesmo Gale, com uma presença mais marcada é capaz de preencher. Contudo, o leitor tem a possibilidade de conhecer melhor aquele que é descrito como o melhor amigo de Katniss, o companheiro de caça, aquele por quem ela luta e por quem ele luta, aquele a quem ela era capaz de depositar a sua vida e de quem nunca desconfiou. No entanto, após a morte trágica que acontece no fim, após o cessar da guerra, Gale desaparece depois de um diálogo de uma página para nunca mais ser visto.
Claro que há momentos bons, muito bons, até. A instabilidade emocional de Katniss e mesmo de Finnick é descrita de forma real, sem paninhos quentes. Este tipo de instabilidade não é comummente descrito em livros do mesmo género, mas é o que torna Katniss, Finnick, Johanna e até mesmo Haymitch humanos, humanos que passaram por muito e que viram demais e aqui, Suzanne Collins faz um trabalho excelente e de cortar a respiração. Para além disso, a transformação de Peeta, já pronunciada em Os Jogos da Fome, o reencontro com Katniss e as consequências da sua transformação, elevam A Revolta a outro nível. Nenhum dos personagens é o mesmo. Tudo está diferente. As conversas entre Katniss e Peeta são a lembrança de isso mesmo. Lembranças ternas, que despertam com facilidade emoção no leitor.
Suzanne Collins tem uma capacidade enorme de transformar as personagens e de criar um mundo excepcional, no entanto, pecou, em muito, com a qualidade do desenvolvimento e da acção. Para além da repetições, há acontecimentos que resultam do acaso: o encontro com a equipa de preparação ou o encontro com o presidente Snow, são pequenos exemplos. Por outro lado, há momentos desnecessários e, um dos exemplos é o tiro no Distrito 2. Há um excesso de estadia no hospital. Um excesso de descrição de medicação.
Repetições. Repetições. Repetições.
Para além do aspecto rápido da acção e do pouco desenvolvimento, tal como em Os Jogos da Fome não apreciei a presença dos mutantes e dos casulos fantasiosos: raios que derretem as pessoas, uma onda de gel, um chão que se abre, homens lagarto, trituradores de carne... Preferia que Suzanne Collins se tivesse mantido fiel aos aspectos práticos e reais de uma guerra. Mas, são gostos.
A última morte, o verdadeiro sacrifício, o acto que acabou com a guerra foi, sem dúvida, a morte de Prim. O que veio depois, a dor, a verdade sobre a sua morte, a sua ausência, está maravilhosamente descrito e é de trazer lágrimas aos olhos. As palavras que Katniss ouve enquanto está em chamas, as mesmas palavras que Prim pronuncia no dia da ceifa quando a irmã mais velha se voluntariou para a salvar, são, um círculo perfeito e, é aqui que A Revolta se redime porque, por muito mau ou decepcionante que um livro seja, regra geral, recordamos melhor a sua conclusão e a de A Revolta é, provavelmente, uma das melhores.
Contudo, apesar de emocionalmente apelativo, há incongruências. Apesar do assassínio de Coin, Katniss vota a favor de um novo jogo da fome, desta vez com crianças do capitólio, crianças inocentes, crianças que, como ela própria e Prim, não passaram de peões num jogo que nunca foram capazes de controlar e decidido como forma de castigo - qual seria a diferença? Essa reviravolta no pensamento de Katniss deixou um quanto a desejar. E, para além disso, há buracos que ficam por tapar. Ficamos sem saber o que aconteceu a Effie? Ela aparece no fim, minimamente composta, mas no primeiro e no segundo volume sabemos que Effie e Haymitch trabalham em conjunto para o bem-estar dos tributos, então porque é que ela não estava na aeronave? Porque é que ela, sendo uma peça fundamental no início de cada jogo, passou despercebida durante um livro inteiro? O que aconteceu a Johanna? Alguém que no decorrer do volume se tornou importante e, como Finnick ganhou um lugar especial na vida da protagonista e no coração do leitor?
Claro que o Epílogo, o que veio depois para Katniss e para Peeta, é belo. Uma página e meia que culmina num turbilhão de emoções. Há um futuro, há provavelmente um casamento, há filhos, mas eles não esqueceram. Suzanne Collins é uma das poucas capazes de retratar as consequências que um evento trágico ou uma guerra podem ter sobre uma pessoa, mais do que as consequência físicas. O trauma da guerra, da dor e da perda continuam presentes. O tempo acalmou-os talvez. Ou apenas arranjaram uma maneira de lidar com a situação sem se deixar afogar no desespero. Katniss é humana. E a última frase de A Revolta é provavelmente uma das mais fortes que já li.
Outros títulos da colecção:
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui aqui

Outros livros da autora:
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw


Sinopse: Contra todas as expectativas, não só Katniss Everdeen venceu os Jogos da Fome, como pela primeira vez na história desta competição dois tributos conseguiram sair da arena com vida. Mas o que para Katniss e Peeta não passou de uma estratégia desesperada para não terem de escolher entre matar e morrer, para os espectadores de todos os distritos foi um acto de desafio ao poder opressivo do Capitólio. Agora, Katniss e Peeta tornaram-se os rostos de uma rebelião que nunca esteve nos seus planos. E o Capitólio não olhará a meios para se vingar...





Book Trailer: 

Opinião: Em Chamas, ao contrário do que aconteceu com Os Jogos da Fome, cuja opinião podem ler aqui, possui uma história mais aprofundada. Pela primeira vez, conhecemos outros distritos, é-nos dado a conhecer mais sobre a história de Panem, a futilidade das pessoas do Capitólio é mais explorada, e a crueldade do Presidente Snow começa a ganhar novas formas. E, ao contrário do primeiro volume, Em Chamas mantém um ritmo constante de acontecimentos. Enquanto que em Os Jogos da Fome, havia vários momentos parados, ou de repetições de tarefas quotidianas, neste segundo volume Suzanne Collins encontra o equilíbrio perfeito.
Os contornos da revolta dos distritos começam lentamente a formar-se e é interessante ver a perspectiva da protagonista em relação à mesma. A verdade é que Suzanne Collins não nos deu uma personagem perfeita e altruísta, pelo contrário. Katniss Everdeen preocupa-se exclusivamente consigo e com os seus. A maldade do Capitólio e do próprio presidente para com os seus habitantes, é-lhe indiferente, a não ser quando aqueles que ama são magoados. E, tais características, são raras. Na maior parte das vezes é-nos apresentada uma protagonista que QUER estar na frente de batalha e que QUER sacrificar-se para o bem maior. Katniss é um mero peão nas mãos de pessoas mais inteligentes e influentes. Refrescante.
No entanto, para além da protagonista, Em Chamas oferece-nos um novo leque de personagens, a maior parte, para mostrar os diferentes caminhos que os vencedores tomaram, seja o álcool, a droga, a prostituição, a solidão, a loucura e a ciência. Caminhos que convergem neste segundo volume. Caminhos que levam a um único propósito. Katniss. É interessante ver a dinâmica entre as diferentes personagens no que toca à protagonista, a forma como a própria se mantém na escuridão, indiferente ao que se passa à sua volta, às relações "sombra" entre Finick, Beete ou Johanna, que mantém, ao mesmo tempo, o leitor na sombra até ao final explosivo. Literalmente.
Em A Rainha Vermelha de Victoria Aveyard, cuja opinião podem ler aqui, há uma verdade incontestável: não se pode colocar a revolução em causa devido a um romance adolescente. No entanto, em Os Jogos da Fome ou Em Chamas, vemos precisamente o contrário. Um romance adolescente a "tentar" amainar uma revolução sendo, contudo, mal sucedido. São vários os livros que retratam o amor adolescente e revoluções mas penso que Suzanne Collins relacionou maravilhosamente os dois e, para ser sincera, não tenho nada de negativo a apontar.
Outros títulos da colecção
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui aqui


Outros livros da autora
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw