| Review | O Senhor das Sombras de Cassandra Clare

segunda-feira, 27 de novembro de 2017


Sinopse: Emma Carstairs vingou finalmente a morte dos pais, mas o sabor da vingança não é tão doce como imaginara.
Dividida entre o desejo proibido que sente por Julian Blackthorn, o seu parasitai, e a consciência da terrível tragédia que se abaterá sobre eles se esse amor for consumada, Emma simula uma relação amorosa com Mark, o irmão mais velho de Julian.
Mark, contudo, passou os últimos cinco anos da sua existência em Faerie...será que alguma vez vai conseguir esquecer o êxtase da Caçada Selvagem e abraçar de corpo e alma a sua condição de Caçador de Sombras?
Entretanto, em Faerie, as cortes não estão silenciosas. O rei Unseelie conspira o fim de toda a comunidade de Nefelins, e a rainha da Corte Seelie é uma aliada falível da causa dos Caçadores de Sombras. Uma reviravolta no instável xadrez da Paz Fria, para a qual contribuirá o regresso do Livro Negro dos Mortos e a sua promessa de destruição.
Opinião: O Senhor das Sombras de Cassandra Clare, decorre no mundo dos Caçadores de Sombras e é o segundo volume dos Artifícios Negros ou Dark Artifices. Depois de Lady Midnight é o livro pelo qual esperei durante demasiado tempo e, posso dizer com toda a certeza que, de todos os livros do mesmo universo - incluindo Instrumentos Mortais e As Origens - O Senhor das Sombras é o livro mais bem desenvolvido, o mais emotivo e o mais sofisticado. A escrita da autora melhorou imenso desde A Cidade dos Ossos, publicada precisamente há 10 anos e as histórias e o seu conteúdo têm melhorado e têm se aprofundado de livro para livro.
Algo que pura e simplesmente adoro no universo dos Caçadores de Sombras e na escrita da autora é as reminiscências a um passado antigo e querido. As constantes alusões a personagens e a momentos passados nos Instrumentos Mortais ou nas Origens intercalam-se na perfeição, não são forçados, e permitem ao leitor perceber a expansão e o verdadeiro tamanho do mundo e da história, provocando pelo meio um conjunto de emoções que vão desde a nostalgia até à incerteza. A autora fá-lo de modo inteligente, aproveitando inclusivé para apresentar pequenos pedaços do The Last Hours - a próxima trilogia.
Em O Senhor das Sombras - e já tínhamos visto igualmente em Lady Midnight -, ao contrário do que aconteceu com os primeiros volumes das outras duas trilogias - Cidade dos Ossos e Anjo Mecânico - a autora apresentou-nos a história através de múltiplos pontos de vista (POV): Ty, Kit, Emma, Julian, Mark, Cristina, Diana, Dru, Livvy. É uma dinâmica que aparece de forma muito natural e que permitiu não só ver o crescimento e o amadurecimento dos personagens - nomeadamente Julian, Emma, Cristina e Mark - mas também dar uma perspectiva diferente a uma mesma situação dando-nos a conhecer mais do personagem em questão. E, em termos práticos também possibilitou uma leitura mais rápida. 
O setting é quase uma outra personagem e faz parte do coração da história e muda à medida que as páginas avançam desde Londres à Cornualha, às Terras de Faerie e a Idris. Cassandra Clare explorou um mundo que desconhecíamos até hoje ou sobre o qual tínhamos visto apenas alguns vislumbres e não fiquei desiludida. As descrições estão bem trabalhadas e os momentos de tensão bem desenvolvidos. A forma como a autora escreve é quase mágica e é difícil não nos apaixonarmos pelos personagens o que mais tarde só leva a devastação e a um coração partido em pedaços. 
O Senhor das Sombras, à semelhança dos livros anteriores possui uma história complexa, profunda e tem um humor muito próprio já característico da autora. Fiquei particularmente interessada na forma como ela misturou a história dos Caçadores de Sombras com o passado e com a medicina Mundana. É impossível não criar teorias e mais impossível é mantermo-nos serenos com o decorrer da história. Fiquei igualmente impressionada com os riscos que a autora tomou. Cassandra Clare provou mais uma vez que nenhum personagem está seguro e embora acredite que as mortes nos livros têm fundamento, uma vez que ajudam o plot a avançar, - ainda assim -, custou horrores. 
Fiquei satisfeita após a leitura e recomendo. Apesar do antagonista ser o mais fraco na minha opinião, as expectativas para o próximo volume - Queen of Air and Darkness - estão na estratosfera. Mais uma vez, O Senhor das Sombras é uma experiência muito emotiva que não decepcionou. O meu coração treme mas é uma leitura que vale a pena e a sua execução foi melhor do que eu poderia alguma vez imaginar.

There is truth in stories,” said Arthur. “There is truth in one of your paintings, boy or in a sunset or a couplet from Homer. Fiction is truth, even if it is not a fact. If you believe only in facts and forget stories, your brain will live, but your heart will die.

2 comentários:

  1. Não conhecia mas a tua crítica deixou-me curiosa.
    Parece ser muito interessante.

    Vim cá parar através do grupo All Kind Of Portuguese Bloguers.
    Visita o meu blogue, espero que gostes.

    Beijinhos, A Vida De Diana.

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