Opinião: Imaginem um jogo de Verdade ou Consequência mas onde a única resposta possível é a Consequência, no entanto, podem decidir ser jogadores (players) ou observadores (watchers). No primeiro caso, executam os desafios. No segundo caso, não só observam, como filmam e ainda decidem os desafios dos jogadores. O objectivo? Um monte de dinheiro por cada tarefa cumprida para aqueles que têm a coragem de jogar.

(Continua) 

Isto é Nerve. Um jogo online que se baseia na ideia do Verdade ou Consequência e sem dúvida, a parte mais interessante de tudo o que foi criado pela a autora Jeanne Ryan. O que também o torna interessante é a facilidade com que sabemos que isto pode acontecer. Nerve é uma mistura de jogos e de reality shows populares como Big Brother, Survivor e Fear Factor havendo uma componente psicológica forte por detrás de cada um dos desafios, uma vez que eles são adaptados a cada um dos jogadores de acordo com as suas informações online. Nerve mexe com a privacidade que, neste caso, deixa pura e simplesmente de existir.
Com Nerve o entretenimento vence a razão e vemos o lado perverso por detrás do jogo, onde a popularidade é justificada mas obtida através de uma perda de privacidade e o elemento romântico ajuda à percepção da perda do livre arbítrio, embora sofra ao transformar-se no estereótipo comum "da rapariga que precisa de aprender a divertir-se" e "do rapaz com um passado negro e desconhecido". 
O maior ponto positivo do filme, para além do conceito do próprio jogo, é a estética, o próprio visual e a utilização das cores que, em alguns momentos me lembraram do filme Tron: O Legado. Os elementos visuais complementam a ideia de perda de privacidade envolvendo as redes sociais como o Twitter ou o Facebook. A própria banda sonora complementa na perfeição o tom rápido e colorido do filme. Uma adaptação futurista e direcionada aos jovens. 
No entanto, o clímax do filme foi muito pobre e muito mal explorado. Em primeiro lugar, foi diferente do livro - o que neste caso acaba por não ser uma coisa má - mas, a facilidade com que termina deixa muito a desejar e acaba por não complementar as coisas boas do filme. É um final desleixado e muito incoerente no que diz respeito há base cientifica ou até mesmo à vida real, com jovens a serem hackers e a salvar o dia. Nerve perde por não explorar mais a parte psicológica e as consequências da perda de privacidade e de identidade às mãos de outros e, ao invés disso, eleva o seu conteúdo visual que, pelo menos, acaba por ser bem trabalhado.

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