Opinião: O Diário da Nossa Paixão de Nicholas Sparks, ou The Notebook na versão original, é um filme que depressa se tornou um clássico. As personagens já são nossas conhecidas das vezes que o filme passou na televisão e já somos capazes de antecipar os nossos momentos favoritos e, talvez, adivinhar algumas das falas. É um filme capaz de transpor a barreira do tempo e mesmo há vigésima terceira vez, provocar umas quantas lágrimas.

(Continua)

É um filme romântico - para mim, um dos mais românticos do autor. Nicholas Sparks criou com O Diário da Nossa Paixão uma história sobre duas pessoas que se amavam para lá do possível, e cujo destino separou e voltou a juntar. Penso que foi tão bem-recebido pelo público porque, de uma forma ou de outra, o público reve-se em alguma parte da vida de Noah e de Allie - seja no amor proibido ou na intensidade de um amor juvenil, seja na frustração/incompreensão de não termos aquilo que queremos e que sabemos ser o mais certo. Mas, por outro lado, o filme pode ter ganho o carinho do público por demonstrar uma vida que muitas pessoas desejam - a vivência de um amor que dure uma vida inteira, uma história bela que muitas pessoas apenas podem ter através das páginas de um livro ou viver através do pequeno ecrã.
O filme, O Diário da Nossa Paixão é diferente do livro com o mesmo nome. É muito mais emotivo, muito em parte pela excelente representação e química entre Ryan Gosling e de Rachel McAdams no papel de Noah e de Allie e dá ao espectador muito mais do que o livro, com pouco mais de duzentas páginas. A verdade é que Nicholas Sparks dá muito pouco sobre a juventude do casal, relatando apenas - quase de forma factual - como é que a paixão surgiu e terminou naquele fatídico verão. Enquanto isso o filme dá-nos cenas icónicas e dá-nos uma visão, um motivo real pelo qual aquelas duas pessoas se apaixonaram e, mais importante, permite-nos vivenciar o amor, o avançar da relação, e dá-nos um motivo para nos importar-nos com o que lhes acontece. 
Mais uma vez, o filme acaba por ser um complemento do material original que se foca mais sobre o final da vida do que propriamente sobre o início do amor. Há um equilíbrio raro entre os dois - filme e livro - um equilíbrio que é apenas quebrado com o final - ambos finais injustos e abruptos - um deles relata a morte, o outro a vida. É uma diferença que acaba por não ter muito significado, considerando o comprimento do filme, ou do livro, mas é a última cena, a última lembrança que tanto o leitor como o espectador têm. É a última memória de Allie e de Noah antes do ecrã ficar preto. É uma diferença que perde importância porque sabemos que tudo termina - ou que continua noutro local, dependendo das crenças de cada um.

If you're a bird. I'm a bird.  

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