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Opinião: Sempre fui da opinião de que as adaptações, sejam cinematográficas ou televisivas, perdiam parte do seu conteúdo original, perdendo em qualidade para o seu material homónimo mas, e apesar de chegar bastante tarde à fandom, a adaptação televisiva de A Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin repete, quase palavra por palavra, o conteúdo/diálogo do livro a um nível que para mim é surreal. Para alguém que, como eu, foi avançando nas páginas ao mesmo tempo que avançava nos episódios, é fascinante ver a nossa imaginação tornada realidade. Uma adaptação de qualidade precisa de actuar como uma expansão do livro, dar ao leitor aquilo que ele nem sabia que queria e David Benioff e D.B.Weiss com esta primeira temporada de A Guerra dos Tronos conseguiram deixar, não só os leitores satisfeitos como atrair uma montanha de não-leitores para um mundo de fantasia complexo e magnífico.
A Guerra dos Tronos é um universo extenso e no primeiro livro tive alguma dificuldade em reconhecer os nome para lá dos personagens principais. George R. R. Martin criou um conjunto de personagens eclético que na série ganham um rosto e um corpo, facilitando a imaginação daqueles que, como eu, se perderam nos nomes e nos títulos, transformando tudo num grande borrão de tinta. Agora, mais familiarizada com a história e o mundo, consigo compreender na sua plenitude o porquê de A Guerra dos Tronos ser uma das melhores adaptações de sempre.
Fiquei impressionada com a capacidade de transcrição histórica. O ambiente de Westeros, da Muralha,  de Essos é tão importante como a linha temporal porque caso não fossem locais visualmente credíveis, penso que a série não teria tido a adesão em massa que acabou por ter. A realidade transcrita, por vezes perturbadora, outras sumptuosa, seja através de cenas de carácter sexual ou violência, seja através da apresentação da mítica Muralha, dá-nos uma sensação de realismo que presenciei poucas vezes mesmo quando se trata de adaptação cinematográficas.
A primeira temporada de A Guerra dos Tronos baseia-se no primeiro livro com o mesmo título e, em Portugal - devido a uma divisão que não compreendo, - baseia-se nos primeiros dois volumes: A Guerra dos Tronos e A Muralha de Gelo e é tudo aquilo que eu esperei e mais. O casting é, a meu ver, perfeito, desde Lena Headey como Cersei Lannister, a Sophie Turner como Sansa Stark, a Maise Williams como a pequena, mas letal, Arya Stark, Emilia Clarke como Daenerys Targaryen ou Peter Dinklage como Tyrion Lannister. O casting funciona maravilhosamente e numa co-existência perfeita com o que é apresentado nos livros, cujo ponto de vista muda, à semelhança da adaptação. A primeira temporada, com 10 episódios com pouco menos de uma hora cada um, dá-nos momentos de choque, de enternecimento, tristeza e de alívio cómico.
David Benioff e D.B.Weiss conseguiram um passing perfeito. Não há momentos mortos e cada momento serve um propósito para completar o arco de cada um dos personagens. A própria apresentação de cada uma da famílias, dos próprios lemas, dos brasões, são bem representadas e mais importante, facilmente compreendidas num universo onde o que está nas entrelinhas é igualmente importante. No final da temporada conseguiram deixar-me de coração apertado - apesar de conhecer o final pela leitura do livro - pela escolha de fotografia e de momentos com ausência de som.  Pela primeira vez, vou referir-me também há abertura da série, agora icónica, que mostra na perfeição não só a geografia do mundo criado por George R. R. Martin como também a complexidade do seu universo.
A Guerra dos Tronos acaba por ser uma série inteligente e bem executada e, penso que mesmo as pessoas ou leitores que não são adeptos de fantasia podem apreciar a beleza e o realismo do mundo de Westeros e do mundo para lá dele. Esta primeira temporada, fiel à sua adaptação actua apenas como uma preparação, quase uma apresentação, do que está para vir e, embora tenha adorado cada minuto, nada retira a experiência de ler onde, pequenas pistas são apresentadas, aqui e ali, onde teorias são formadas no meio do caos de palavras e de nomes. Em resumo, a HBO conseguiu levar avante uma das melhores séries de fantasia e torná-la real e amada por muitos, algo que muitos outros, falharam em conseguir.


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