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Sinopse: Mishima, o pai, é especialista em mortes violentas e dirige o negócio com mão de ferro. Lucrécia, a matriarca, é grande adepta de envenenamentos e detém as receitas mais fatais. A prole, composta por Vincent que projecta um parque diversões temático, e Marilyn que se vê obrigada a renunciar ao suicídio para manter o bom nome da família, aumenta com o nascimento de Alan, a criança que traz com ela uma terrível maldição: a alegria de viver. 
O pequeno Alan passa os dias a cantarolar, a consolar os cliente e, pior que tudo, a rir. Sim, Alan gargalha. Alan é um optimista. E prepara-se para saltar com gáudio e devoção o próspero negócio de família.

Opinião: "A sua vida foi um fracasso? Connosco a sua morte será um sucesso!" Esta frase é o lema da Loja dos Suicídios e da família Tuvache e resume na perfeição a essência da história. Jean Teulé criou uma narração diferente, recheada de humor negro, algo que, até agora, ainda não me tinha passado pelas mãos. As personagens são, a bem ver, únicas, com um propósito de vida fora do normal: proporcionar a morte das outras pessoas.
A verdade é que me ri várias vezes em voz alta com a absurdidade da Loja dos Suicídios e, se me afastar o suficiente, consigo perceber até que ponto é que pode parecer ofensivo, uma vez que uma depressão não se cura apenas com uma máscara gira. Mas, Jean Teulé não deu muita importância aos motivos pelos quais os fregueses desejavam a noite eterna, mas sim à forma como eles o iriam fazer ou à forma como Alan, o pequeno raio de sol da Loja dos Suicídios procurava impedir o acto.
A Loja dos Suicídios tem uma mensagem bem definida desde a primeira página: a vida vale a pena ser vivida. Percebemos rapidamente que, com Alan, vamos percorrer um caminho diferente, de revelação e de amor. Os seus irmãos são os primeiros a perceber, seguidos da Lucrécia, a sua mãe. Até lá as tentativas para reajustar a mente de Alan são uma das principais linhas temporais da história.
A Loja dos Suicidios lê-se rapidamente. Os capítulos são curtos, as frases bem espaçadas e é fácil de imaginar-mos a loja com os diferentes objectos porque ela vai-nos sendo apresentada, devagar. É o único espaço que Jean Teulé nos mostra e é o suficiente. No que toca à técnica, a escrita de Jean Teulé é irrepreensível e bela mas, não sei se foi da tradução ou não, por vezes deparava-me com frases completamente unidas pelo que quebrava o ritmo da leitura.
O fim dá-nos exactamente que aquilo que esperávamos e o oposto. Se há algo que não compreendo e que ainda me faz confusão é o motivo pelo qual Alan abriu a mão, porque é que fez exactamente aquilo que abominava. A sua ideia de sacrifício difere da minha e a compreensão ainda não me atingiu como desejava.
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