Sinopse: Após dez anos, os Hernani, liderados por Arin, tomaram a sua terra de volta. Para impedir que a poderosa armada valoriza invadisse Harlan e provocasse um banho de sangue, Kestrel aceitou casar com o príncipe herdeiro de Valoria.
O noivado causa sensação no reino, mas Kestrel sente-se uma prisioneira no palácio, sob a vigilância apertada do imperador, que não confia totalmente nela. E com razão: Kestrel encontrou uma forma de passar informações secretas para ajudar o povo errai, e está perto de descobrir um segredo chocante.
A paz com Valória tem um preço demasiado alto e Arin procura novos aliados além-fronteiras. Ao mesmo tempo, ele debate-se com a decisão de Kestrel de casar com o príncipe. Sem saber que ela é a espia que o está a ajudar no esforço de guerra, Arin decide arriscar tudo e tentar desvendar a verdade, mas esta poderá ser muito mais perigosa do que ele imagina.

Opinião: Depois de concluída a leitura de A Maldição do Vencedor de Marie Rutkoski, passei imediatamente para o livro seguinte, O Crime do Vencedor, ainda ignorante face à razão da minha demorada decisão de leitura. Porquê? Porque é que demorei tanto tempo a deixar-me levar pela mente de Kestrel, a deixar-me ser consumida pelas emoções de Arin, a deixar-me embrenhar no mundo e nas intricadas redes políticas de Marie Rutkoski? O Crime do Vencedor é, a meu ver, um livro mais complexo do que A Maldição do Vencedor. Desta vez a política é muito mais difícil de seguir misturada pelas emoções dos protagonistas e a frustração é o elemento principal que polvilha a maior parte das páginas. Uma frustração que passa para o leitor como a passagem dos dias e que o faz questionar-se quanto aos seus gostos iniciais, pois O Crime do Vencedor e A Maldição do Vencedor são dois livros completamente opostos.
Mas, ainda assim, O Crime do Vencedor mantém a mesma tensão que vai para além da noção de romance. Durante várias páginas, a ausência de acção transforma-se em expectativa de que algo aconteça porque, por entre as linhas, somos capazes de sentir o perigo, as ameaças e a verdade. A voz que a autora criou, grita-nos aos ouvidos enquanto as frases esforçam-se por fazer sentido porque enquanto os protagonistas procuram por uma verdade, nós fazemos o mesmo. Enquanto leitores sentimos que temos a totalidade das informações. Então porque é que não o vemos? A escrita da autora, de um talento enorme, leva-nos a colocar de lado as pequenas pistas que vamos ouvindo, que a própria Kestrel invoca porque pensamos que já conhecemos o jogo quando ainda não temos as cartas todas.
Mais uma vez, há uma sensação de que estamos perante uma guerra fria. Aguardamos por algo que, na maior parte dos capítulos, parece ao alcance das nossas mãos mas... como está longe. Desta vez, as descrições de violência primaram pelo detalhe e o romance passou não para segundo, mas para terceiro plano. Ele existe, é difícil esconder as emoções quando elas insistem em surgir nos momentos mais inoportunos mas, por entre a honra e a lealdade, é difícil manter a frustração a um nível facilmente controlável. Marie Rutkoski arriscou com O Crime do Vencedor e, para mim, foi um risco que valeu a pena. A ausência de um beijo motivou a leitura, motivou-me na sua continuação, pensei que sabia o que iria acontecer e, como estava errada. As pontas soltas que a autora deixou foram explicadas, algo que eu não esperava que acontecesse.
O Crime do Vencedor é uma história mais inteligente do que A Maldição do Vencedor e, desta vez, a autora não se limitou às várias formas de amor ou à fiabilidade de estratégias de poder. Não. Marie Rutkoski desenvolveu uma história onde o poder é o elemento chave, onde a conspiração domina o ar e onde a intimação se mostra mais importante do que o amor e a família.
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