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Sinopse: Um misterioso circo itinerante chega sem aviso e sem ser precedido por anúncios ou publicidade. Um dia, simplesmente aparece. No interior das tendas de lona às listas pretas e brancas vive-se uma experiência absolutamente única e avassaladora. Chama-se Le Cirque dés Rêves (O Circo dos Sonhos) e só está aberto à noite. 
Mas nos bastidores vive-se uma competição feroz - um duelo entre dois jovens mágicos - Célia e Marco, que foram treinados desde crianças exclusivamente para este fim pelos seus caprichosos mestres. Sem o saberem, este é um jogo onde apenas um pode sobreviver e o circo não é mais do que o palco de uma incrível batalha de imaginação e de determinação. Apesar de tudo e sem o conseguirem evitar, Celia e Marco mergulham de cabeça no amor - um amor profundo e mágico que faz as luzes tremerem e a divisão aquecer sempre que se aproximam um do outro. 
Amor verdadeiro ou não, o jogo tem de continuar e o destino de todos os envolvidos, desde os extraordinários artistas de circo até aos seus mentores, está em causa, assente nume equilíbrio tão instável quanto o dos corajosos acrobatas lá no alto

Opinião: Em O Circo dos Sonhos a magia existe escondida no meio de ilusões. Não há a necessidade de varinhas ou de feitiços, apenas de um dote natural ou de um estudo intensivo. Durante as quatrocentas páginas de Erin Morgenstern, dois pensamentos diferentes colocam tudo em causa apenas pela oportunidade de terem razão. Um desafio mortal que combina dois personagens diferentes mas complementares. Uma aventura que dura anos. Um jogo que existe no início da vida dos protagonistas e que culmina com o seu desaparecimento.
O Circo dos Sonhos é um livro mágico. Em cada página é impossível de não sentir a aura de mistério que envolve cada uma das personagens, da mesma forma que é impossível determinar o desfecho. O próprio circo ganha a forma, por vezes, quase com vontade própria e, ao longo das páginas, dei por mim a importar-me mais com as tendas listradas do que com vozes que começava a conhecer. Erin Morgenstern deu vida a um romance belo, a um universo fascinante que é difícil de resistir, as primeiras páginas impulsionam-nos em frente até aquele momento.
O momento de que falo é o exacto ponto em que O Circo dos Sonhos começou a tornar-se maçador. As páginas começaram a arrastar-se, umas atrás das outras. Os anos passaram e os pontos de vista alargam-se. Porque não há, um, dois ou três, pelo contrário, desde Célia, a Marco, a Poppet, a Bailey, a Chandresh, Isobel, Frederick, Hector, Alexander, as mentes, os pensamentos confundem-se e dei por mim a passar mais de metade do livro a desejar a mente de Célia, a tentar compreender o jogo.
O Circo dos Sonhos é um livro misterioso mas a meu ver, há uma linha muito ténue que separa o misterioso do confuso e, para mim, o mistério rapidamente deu lugar à confusão. Não é difícil de imaginar o mundo fantasioso, o desejo de entrar e de participar em algo fenomenal porque enquanto leitores, essa é a base da nossa existência, mas os próprios alicerces da história baralham-se. A própria narrativa é confusa, avançando e recuando anos ao seu bel prazer. Ora estamos em 1902 ora recuamos para 1886. É algo certamente propositado mas que apenas aumentou o meu afastamento.
Em O Circo dos Sonhos destacou-se o ambiente que a autora criou, a magia, a experiência de ver de fora um espetáculo que apenas podíamos desejar que fosse real. Mas, simultaneamente, não fez qualquer sentido. Na minha cabeça o final, confuso, não ajudou à sensação de perda e de confusão. Não foi um final satisfatório para quase uma semana de leitura. Sim, é um livro encantador mas não me envolveu o suficiente na sua aura de magia para que um dia venha a sentir falta.
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