SinopseDiz a lenda que uma terrível guerra entre mundos ameaça causar o fim do Universo. Fairyland, o reino das fadas, encontra-se desprotegido devido ao desaparecimento misterioso da rainha. Aos poucos, o rei dos vampiros vai adquirindo mais e mais poder, corrompendo todas as criaturas dos diversos mundos. A jovem princesa Alexia, abandonada no reino dos humanos ainda em bebé, é a única capaz de salvar o Universo e todas as suas criaturas. Para isso, ela vai contar com a ajuda dos cinco cristais mágicos e de todos os aliados que encontrar pelo caminho.
Katherine nunca acreditou em lendas ou histórias mitológicas. Para ela, tudo isso não passavam de invenções sem sentido. Desde pequena que fora educada a acreditar apenas naquilo que era visível aos seus olhos. Porém, de um momento para o outro, a vida dela muda drasticamente e, ela vê-se forçada a enfrentar uma nova realidade. Uma realidade assustadora que, até então, ela desconhecia ser possível. Ninguém é quem ela pensava ser, nem mesmo os seus amigos e familiares. Como tal, Katherine inicia uma busca pela sua verdadeira identidade. Mas estará ela preparada para saber toda a verdade?

Book Trailer:


Opinião: Desconhecia por completo o mundo criado por Carina Sapateiro até ao momento em que a mesma o sugeriu como uma das minhas próximas leituras - aqui. Pela sinopse parecia algo repetido ao longo dos tempos mas a autora muito generosamente disponibilizou-se a enviar-me o e-book de A Luz da Princesa de forma a que pudesse conhecer um pouco mais a fundo o mundo que ela construiu.
Em primeiro lugar, aplaudo qualquer um que consiga colocar no papel uma ideia e que consiga perseguir essa ideia do início ao fim. Em segundo lugar, aplaudo de pé qualquer autor português que escreva fantasia. Em terceiro lugar, salto de contentamento ao ver editoras a apostar - forçosamente ou não, - em autores portugueses que se atrevam a escrever sobre mundos que não existem a não ser no imaginário daqueles que os criam.
A Luz da Princesa não é diferente de outros do mesmo género. Na verdade, segue de forma bastante fiel a mesma estrutura de outros livros que rodeiam o tópico de "A/O Escolhida/0", aquela/e que detém o poder de salvar o universo da sua desgraça e não se afasta muito dessa linha de acção. Para alguns, essa ideia está muito repetida, (blá, blá), para outros, é a melhor coisa do mundo. Para alguns, a ideia da existência de um planeta para vampiros, de outro para fadas, de outro para lobisomens, do uso da magia, da existência dos cristais não passam de ideias infantis ou ridículas. Mas, cada vez mais, vejo-me a ser mais crítica no que toca à concepção de um universo e à passagem dessa informação para a sinopse. Isto porque se pensarmos nos livros mais famosos e colocarmos o coração da história numa única frase, tudo se torna irreal e ridículo: "vampiro vegetariano e que brilha ao sol apaixona-se por uma humana com resultados desastrosos", "rapaz de onze anos de idade vai para uma escola de magia onde é perseguido durante sete anos por um homem de meia-idade". Por exemplo, nunca pensei que o meu livro favorito do momento fosse sobre sexy aliens que vivem entre nós. O problema com os autores nacionais é que são alvo de muito mais escrutínio por parte dos leitores e, aqui, as sinopses não ajudam quando nos dão a totalidade da história. Por este motivo, A Luz da Princesa tornou-se demasiado previsível. À parte de um plot twist para as últimas páginas, adivinhei cada um dos acontecimentos/aparecimentos/identidades. Não podemos dar, de bandeja, tudo ao leitor, caso contrário a história torna-se anti-climática.
Algo que me incomoda pessoalmente é o facto de que, sendo um livro de fantasia, onde existem estes mundos fantásticos nos quais se podem tomar as liberdades que o autor desejar, a autora opta por passar mais de metade, se não a totalidade do livro, no nosso mundo. Entendo que faz parte da história de Katherine, que é importante conhecermos a história dela enquanto humana mas, senti uma desconexão enorme entre o seu passado e o seu presente. Se criaram este mundo, usem-no.
Ao mesmo tempo, A Luz da Princesa acaba por possuir um passing disconecto e, por vezes sentia que estava a ler apenas a ideia do livro e não a história em si. No início, nos primeiros capítulos, a história é apressada, a vida da protagonista é apresentada à força. As acções ao invés de serem mostradas ao nível do diálogo são descritas com poucos pormenores. Nunca em nenhum momento aprofundamos a relação de Katherine com Samantha, a sua melhor amiga de dez anos. Tudo se resume a algumas linhas. O mesmo acontece com Liam. Não senti a conexão entre os dois. Não houve tempo ou evidencias para o leitor sentir choque com os acontecimentos. A única emoção que transmitiu foi de apatia. São raros os livros que começam com a existência de interesses amorosos mas, mesmo esses, podem ser feitos de forma fantástica, o importante é que transmitam ao leitor a familiaridade, a cumplicidade e mais importante a profundidade do laço que os une - A Selecção de Kiera Cass.
A Luz da Princesa perde, para mim, ao ser narrado na terceira pessoa, saltando das emoções de um personagem para outro sem qualquer separação, sem aviso, porque ora estamos a seguir a linha de acção/pensamento de Katherine ora passamos para os pensamentos de Gabriel, ou de Mark. Não há uma coesão. A própria personalidade da protagonista é mostrada através de a descrição da autora, ao invés de ser evidenciada através de acções:
“Katherine era uma rapariga doce e amável, não só com as pessoas, mas com todos os seres vivos e isso não mudou com o passar dos anos. ”
Excerto de: “A luz da princesa_final - eBook.” iBooks.
O facto de a protagonista estar rodeada de demasiadas personagens do sexo masculino num curto espaço de tempo, não ajuda, simplesmente porque coloca de lado o mundo e o próprio desenvolvimento/aprofundamento de Katherine enquanto líder da sua própria história. Sinto que rocei apenas a superfície. Depois de terminada a leitura, não sei quem a protagonista é porque não possui emoção suficiente. A "barreira" que ela ergue à sua volta, chega ao leitor. Não me preocupei com Katherine ao ponto de apenas desejar a revelação da sua identidade.
“Tivera um dia repleto de emoções. Foram acontecimentos atrás de acontecimentos e cada um mais confuso que o outro. Primeiro a conversa que tivera com Mark, depois com Harry e, por fim, com Sebastian, aquela que até ao momento lhe estava a dar mais problemas. Estava tão imersa nos seus pensamentos que se esquecera por completo de responder às mensagens de Gabriel.”
Excerto de: “A luz da princesa_final - eBook.” iBooks.
Há também algumas inconsistências ao longo do livro que remontam à parte da construção do universo mas também algumas facilidades. Ao ler A Luz da Princesa senti que a autora juntou apenas dois termos em inglês para formar o seu universo: Fairyland, Elfland, Mermaidland são alguns dos exemplos. Eu queria algo mais complexo, queria mais emoção, queria fúria por parte da protagonista por estar rodeada de pessoas que lhe mentiram a vida toda, queria angústia e dor pela perda que sofreu e queria raiva por perceber que fora enganada. É a emoção, é a protagonista que comanda o livro independente da qualidade do universo. Katherine deveria ter sido o pilar da história, a sua força devia ser única, a sua voz devia elevar-se no leque de palavras mas isso não aconteceu.
No que toca à escrita da autora, penso que faltava uma outra revisão. Algo falta. Há a repetição de demasiadas palavras e de acções. Ao longo de todo o livro, sempre que uma nova personagem era apresentada a autora descrevia apenas os cabelos e os olhos, repetindo vezes sem conta a palavra "lindos", "lindo", "linda" e "lindas" e, ao mesmo tempo, a escrita é demasiado simples e repetitiva.
“Junto ao portão estava a mota do rapaz com dois capacetes. Gabriel agarrou num deles e entregou-o a Katherine, que olhou para o capacete um pouco atrapalhada e sem saber o que fazer. Aquela era a primeira vez que iria andar de mota, como tal, receava não saber como colocar o capacete correctamente. Contudo, antes que ela se pudesse pronunciar sobre o assunto, Gabriel precipitou-se na sua direcção e, colocando-se atrás dela, ajudou-a cuidadosamente a colocar e a ajustar o capacete. Katherine sorriu.”
Excerto de: “A luz da princesa_final - eBook.” iBooks.
“A pele da fada era branca e reluzente, quase tão branca como a dela, o que contrastava com os seus intensos e longos cabelos escuros e também com os seus lindos olhos castanhos. Tinha umas lindas e brilhantes asas em tons de lilás e rosa. O vestido era bastante robusto, com imensas purpurinas que o tornavam ainda mais deslumbrante. Sob os seus lindos e ondulados fios de cabelo tinha uma coroa de diamantes, que realçava a sua beleza natural.”
Excerto de: “A luz da princesa_final - eBook.” iBooks.
Para mim, A Luz da Princesa é dirigido para um público mais jovem, apesar de a protagonista ser maior de idade. Dei graças aos céus pela ausência de actividade sexual que, por vezes, os autores gostam de atirar "para ver se pega", independentemente de coincidir ou não com a tonalidade do livro. Mas, Katherine precisa de amadurecer enormemente enquanto protagonista e a emoção precisa de coincidir com a acção porque é aqui que o mundo se torna real para o leitor, através de emoções que como seres humanos somos capazes de discernir.
Não me consegui obrigar a adorar A Luz da Princesa mas, não foi nem de perto nem de longe o pior livro de fantasia que me passou pelas mãos. Falta maturação. Falta conteúdo. Falta emoção. Mas a história está lá e enquanto para uns pode parecer interessante, para mim foi muito previsível e anti-climática. Há cinco livros programados e quero ler cada um deles, apoiando a autora, vendo Katherine evoluir, vendo a escrita crescer e, espero eu, a profundidade do universo que Carina Sapateiro nos apresentou com A Luz da Princesa.

Outros títulos da colecção
*A Luz da Princesa
*A Saga os 5 Elementos #2
*A Saga os 5 Elementos #3
*A Saga os 5 Elementos #4
*A Saga os 5 Elementos #5


Deixe um comentário

Tens uma opinião? 3,2,1 GO