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Março ficou à aquém do pretendido.
A vida é uma daquelas coisas que se está sempre a meter entre a minha pessoa e a próxima leitura, a próxima viagem ao mundo literário, a minha próxima imersão num mundo fantástico. 
Março foi sobretudo dedicado a distopias, a uma em particular, criada por Veronica Roth, devido à estreia do filme homónimo, cujas opiniões podem ver no blogue, algumas melhores do que outras. Enfim. É uma conversa para outras alturas. 
Contudo, este terceiro mês foi também dedicado à continuação da série de Anna Todd centrada em dois personagens disfuncionais e que, para minha surpresa, apesar das repetições e das confusões sistemáticas, aprecio muito. 
Enquanto Abril não vem, deixo-vos com as leituras do mês de Março, na esperança de que este mês consiga normalizar as leituras com a estabilização daquela coisa chamada vida: 


Por Raquel Pereira

Sinopse: Simão sente-se abandonado. E é dia de Natal. Impossibilitado de fazer companhia à família, todos os Natais são os piores dias da sua vida.
Deprimido com a felicidade dos outros, Simão tem a ideia perfeita para se vingar. Não esperava, no entanto, receber um presente que faria daquele Natal o melhor de sempre. E muito menos acreditava que esse embrulho viesse das mãos de quem o abandonara.
Um conto sobre família, amizade e amor, que vai encher o coração dos leitores neste Natal.

Opinião: Agora que o tempo para ler escasseia e, portanto, para não deixar as opiniões morrerem, entre a minha leitura actual e a próxima, decidi ler alguns contos pequeninos para desanuviar o cérebro, para eliminar um pouco da pressão e, porque não um conto de Natal? Aquela época mágica que me traz imensas recordações boas. A minha época preferida do ano, quando até as cidades mais escuras ganham cor e as pessoas carrancudas são obrigadas a olhar para cima para a explosão de brilhantes que há à sua volta? 
Confesso que, apesar de pequeno, Um Presente Inesperado apanhou-me de surpresa. «teria de lamber». Houve um momento de pausa e depois de reflexão. Por uma fracção de segundos, acreditei que podia estar a ler não uma história doce mas algo "diferente", à falta de melhor palavra. 
Nas primeiras páginas - que não são muitas, - seria um livro que provavelmente leria a uma criança. A autora adopta uma voz mais lamuriosa, mas doce; uma voz pormenorizada, mas infantil. E dei por mim, mais do que uma vez, a sorrir com a doçura que a história tomava, com algumas escolhas de palavras e, inclusive, com algumas atitudes, porque muitos de nós, leitores, temos o nosso próprio Simão e há gestos e acções que são familiares. 
Mas, o final é estranho, não pela história em si, ou seja, pela forma como a autora escolheu concluir, mas devido à mudança súbita de tom: passamos de uma voz infantil e doce, que olha para as pessoas que ama com uma imensidade de amor, para alguém que é capaz de formular um pensamentos "sensual". Essa mudança fez-me torcer um pouco o nariz e, mesmo percebendo o ponto de vista da personagem e da autora, houve palavras/frases que não me caíram bem
A leitura de Um Presente Inesperado serviu para desanuviar do dia-a-dia e, serviu o seu propósito com nota positiva e, embora preferisse uma continuação da voz infantil que não compreende a importância da data  mas que, ao mesmo tempo, é dotado de uma quantidade enorme de amor, continua a ser uma leitura própria para as datas festivas, ou não (como é o caso), e só posso dar os meus parabéns à autora pela surpresa que me provocou no início da leitura. 


Outros títulos da autora: 
*Olhos de Vidro
*As Gotas de um Beijo
*O Intruso
*Na Sombra de um Passado
*A Rapariga do Lago
*Um Presente Inesperado
*Sonhos Malditos


Por Raquel Pereira.

Sinopse: Tessa tem tudo a perder enquanto que Hardin nada tem a perder... excepto ela. 
Depois de um tumultuoso início de relação, tudo indicava que Tessa e Hardin iriam conseguir ficar juntos. Mas quando Tessa descobre o terrível segredo que Hardin esconde, a revelação deixa-a destroçada. Será que ele é mesmo o rapaz sensível e atencioso por quem Tessa se apaixonou ou, afinal, nunca passou de um estranho agressivo e revoltado? A decisão certa parece ser afastar-se de Hardin e seguir o seu caminho, mas Tessa não consegue esquecer as noites arrebatadoras e apaixonantes passadas nos braços dele. Por seu lado, Hardin sabe que cometeu um erro, possivelmente o maior erro da sua vida, mas recusa-se a desistir sem lutar pela única pessoa que alguma vez amou. Será que ele é capaz de mudar... por amor?

Opinião: A história de Tessa e Hardin é uma história repleta de amor, paixão e violência, é impossível negar esse facto, no entanto, não me vou alongar muito sobre o último tópico, uma vez que já o abordei na opinião do primeiro livro, que podem ver aqui e, após a leitura deste segundo volume, continuo com o mesmo pensamento: a colecção retrata a história de dois protagonistas disfuncionais que fazem mal um ao outro, onde a atracção física é maior do que a gravidade e onde a paixão é maior do que o amor. Anna Tood escreveu sobre uma situação real e sobre pessoas reais
Mas, neste segundo volume, After - Depois da Verdade, vemos mais. Não pensei realmente que houvesse mais alguma coisa a dizer, que houvesse mais do que algumas cenas de sexo, uma enorme quantidade de palavrões e mais algumas páginas de relatos de choro compulsivo mas, fui agradavelmente surpreendida. 
Depois do final surpreendente de After, posso dizer que a protagonista, a meio que se redimiu aos meus olhos. A sua passividade face às atitudes de Hardin diminuiu e também ela começa a fazer as suas asneiras, a dar mostras daquilo que realmente é, uma rapariga impulsiva, por vezes mimada e hipócrita. E, pela primeira vez, gostei do facto de a autora ter adicionado o ponto de vista de Hardin que se diferenciam dos de Tessa pela sua obsessão e necessidade de controlo, embora a escrita da autora continue muito factual: «Senti isto isto e isto, porque ela fez, isto isto e isto. Tenho de fazer isto, porque isto». Não há realmente uma grande emoção ou, melhor, há um grau de distanciamento nos pensamentos/acção quotidianas porque admito que, nos momentos certos, Anna Todd sabe provocar emoções, nomeadamente nas constantes separações, já familiares ao leitores da autora. 
Ao contrário do que aconteceu com o primeiro livro, em After - Depois da Verdade, as constantes passagens ou referências a clássicos como O Monte dos Vendavais, ou Orgulho e Preconceito não me incomodou tanto, o que foi uma novidade porque regra geral, não aprecio as comparações que se vêem nas entrelinhas mas, neste caso, houve partes, presentes, por assim dizer, que me fizeram sentido, que apreciei e até dei por mim de coração apertado.
Em After - Depois da Verdade, a forma de conclusão da autora não mudou. O final é surpreendente e inesperado e, enquanto lia e via as páginas a diminuir e sem um fim, na minha cabeça, à vista, percebi que iríamos terminar da mesma forma - com um BANG. Não me enganei. Há uma imensidade de coisas que podem correr mal no terceiro livro da colecção e, mal posso esperar para lhe pôr as minhas mãos em cima, mas por enquanto outras leituras têm prioridades. Vamos lá ver, como corre, uma coisa é certa, Anna Todd vai certamente surpreender-me, quanto mais não seja, na última página. 





Outros títulos da colecção After: 
*After 
*After - Depois da Verdade
*After - Depois do Desencontro (20/01/2016)
*After Ever Happy 

*Before


Por Raquel Pereira


Opinião: Lembro-me de que quando estreou no cinema as minhas expectativas iam altas e o entusiasmo era contagiante. A minha opinião do livro homónimo é ligeiramente entusiástica com mais do que uma referência ao meu amor pelo mundo e pelas personagens: «O meu exemplar tem a capa gasta, as páginas remexidas, cheias de notas e de post-it, e de riscos de lápis e caneta, como se eu própria fosse uma qualquer Lena incapaz de deixar o livro intocado» E, recentemente, tive a oportunidade de ver o filme, com olhos de ver. 
Os meus sentimentos depois de vê-lo pela primeira vez no grande ecrã foram de raiva e desilusão. Penso que alguém de fora, que não estivesse familiarizado com o livro, iria ficar mais do que confuso mas, «Criaturas Maravilhosas centra-se nos Encantadores que podem ser tanto das Trevas como da Luz, uma forma mais elegante de dizer Bruxas, mas não exactamente. Eles têm poderes, mas não são exactamente magos ou feiticeiras. Têm poderes muito próprios. Desde Sibilas, a outros com nomes complicados, Cataclistas ou Naturais, como Lena, que consegue, de forma simplista, controlar os elementos» Esta é a base da história. Existem Encantadores a coexistir com Mortais desde sempre, sob o mesmo céu, sob a mesma cidade e no décimo sexto aniversário ou seguem o caminho da Luz ou seguem o caminho das Trevas. Não há linha cinzenta
Agora, o filme perde coerência nestes conceitos. A premissa do filme é que Lena irá ser reclamada pelas Trevas ou pela Luz no seu décimo sexto aniversário, não havendo qualquer menção a uma possível escolha. É uma história de amor e uma batalha contra o tempo. E, até aqui, tudo bem. Contudo, os responsáveis pelo guião ocultaram uma parte fundamental. Para além de ignorarem os vários poderes de cada um dos membros da família, ignoraram o facto de Macon ser, na verdade, um Íncubo, MAS, fizeram questão de referir, na sua estupidez que o tio de Lena, é um Encantador das Trevas que ESCOLHEU, seguir a Luz por Lena. Ora, a premissa inteira do filme não é o facto de Lena não ter uma escolha? 
A verdade é que podia ter sido facilmente remendada com a maldição que afecta a família Duchannes. Podiam referir que, desde o feitiço de Genevieve, as raparigas Duchannes não possuem uma escolha, mas não. Mais uma vez, os responsáveis pelo guião, resolveram abranger a maldição aos vários Encantadores. E pior do que isso, alteraram o desfecho para evitar uma possível sequela, não vejo outro motivo para tamanha blasfémia já que os responsáveis pelo guião, resolveram fazer com que a solução para o problema de Lena, fosse a morte de Ethan quando, no livro, vemos que "a segunda natural, terá poder de escolha" e Macon sabe-o, porque a escolha que Lena tomar, terá consequências desastrosas. 
Para além das incoerências em relação à questão Trevas/Luz, maldição/solução, há uma coisa que me incomodou ainda mais. Sarafine. A mãe de Lena é descrita mais do que uma vez como a Encantadora das Trevas mais poderosa que só poderá ser suplantada por Lena e que, Macon deu-se a muito trabalho para proteger a sobrinha mas, vemos realmente Sarafine como uma ameaça já que no filme ela não existe já que aparentemente não tem corpo? Vemos algum tipo de ameaça? Algum confronto, já que a sua especialidade é brincar com o fogo? Sarafine usou algum do seu poder para se defender da sua filha antes de se transformar numa árvore?
Para além dos problemas com o guião, senti problemas com a personagem de Ridley. Acho que as pessoas que desenvolveram a personagem, não perceberam a essência dela. Ridley nunca faria o que a Ridley no filme fez. As cenas com Link - um mero adereço, - foram ridículas, sem nenhum tipo de contexto, não havia um background sólido para elas existirem. Para além disso, não há limite de poder? Ridley consegue assassinar um homem a um carro de distância? Lena tem a capacidade de apagar memórias? 
Até mesmo o flashback do chamamento de Ridley pareceu-me errado. Em Caos Maravilhoso percebemos que o chamamento não é linear, podemos lutar contra ele, não é algo imediato, mas claro que no filme, mal a lua aparece (de noite) Ridley transforma-se numa qualquer maníaca a assassinar homens inocentes em linhas de comboio. A comparação do chamamento de Ridley em comparação com o de Lena (de dia) e perante uma família que mais parecia um circo, é de levar as mãos à cabeça. 
Não vemos o pai de Ethan, não há a cena emocional no balcão com Ridley onde há a redenção da personagem. Amma é demasiado normal e nunca deixaria Ethan fazer o próprio pequeno almoço. Não percebemos o porquê de Lena e Ethan não poderem ficar juntos porque não há a electricidade e as cenas entre Ridley e Link ainda causam mais confusão porque também é uma situação de uma Encantadora com um Mortal. Não há as Dezasseis Luas. Não há a presença de Lila. Eu sei que numa adaptação há sempre perdas mas, pelo menos, é preciso manterem a história coesa. Não há menção à traição de Larkin. 
Não há isto. Não há aquilo. 
Penso que o director, produtor, o que seja, estragou o mundo e, apesar de as autoras referirem que o filme é uma extensão do universo que elas criaram, não é verdade. A única coisa realmente positiva foram as interpretações e a cinematografia. Havia um enorme potencial para esta série. Tinham actores de alto nome, desde Jeremy Irons, Viola Davis e Emma Thompson e as relações entre os diferentes personagens pareceram-me reais, iguais às do livro, com muito dos diálogos tirados das próprias páginas. As visões do colar foram bem executadas, a ligação inicial com Ethan de forma quase descritiva foi realmente boa. O produto estava lá, o resultado final é que deixou muito a desejar. 





Outros títulos da colecção Crónicas Encantadoras
*Criaturas Maravilhosas - adaptação cinematográfica aqui.
*Trevas Maravilhosas
*Caos Maravilhoso
*Redenção Maravilhosa

*Beautiful Creatures: The Untold Stories #1 #2 #3 #4

*Dangerous Dream (Caster Chronicles 0.5)
*Dream Dark (Caster Chronicles 2.5)

Outros títulos da colecção Dangerous Creatures: 

*Dangerous Creatures
*Dangerous Deception


Por Raquel Pereira.


Opinião: Durante um ano acreditei de forma veemente que Insurgente foi uma das piores adaptações cinematográficas que vi. Um ano passou e, com isso, mudou a minha opinião. Sem qualquer dúvida que, a pior adaptação que vi até ao dia de hoje foi Convergente - Parte 1
Por onde começar? 
Terminei a leitura de Convergente, literalmente, algumas horas antes de ir ver o filme, pelo que os detalhes, os diálogos e os acontecimentos permaneceram frescos na minha memória. Não faço ideia do que aconteceu depois de Divergente, um filme simples, sem exagero de tecnologia, uma imagem clara daquilo que visualizei aquando a leitura. Insurgente foi o descalabro e em Convergente - Parte 1, o caos. 
Começamos?
Admito que o início, apesar de ligeiramente diferente, parecia, e acentuo o "parecia" promissor. Apesar das ligeiras diferenças, o filme evidenciava alguns dos acontecimentos, dando mais destaque, expandindo o universo criado por Veronica Roth e, para mim, é isso que uma adaptação deve ser, não um retrato fiel do livro em si, mas uma expansão, uma espécie de complemento do livro que, obviamente nunca será capaz de substituir. No entanto, não pode, de todo, actuar como complemento quando a linha temporal muda de forma drástica.
Primeiro que tudo, no livro quando o grupo decide sair da cidade, de noite e não às claras para o mundo inteiro ver, chegam a outra cidade, esta, desfeita e quase fantasma, seguindo as linhas férreas para se orientarem. Claro que, no filme, isso seria demasiado simples, portanto, criaram uma zona radioactiva que mais parece o planeta vermelho. 
O problema? 
Mais do que uma vez mencionam que a atmosfera é tóxica, havendo um fenómeno meteorológico estanho. 
O quê? 
Bem, a água da chuva é, aparentemente vermelha. A minha questão é muito simples. Se o mundo está, de tal modo desolado, a atmosfera tóxica, a chuva ensanguentada, não afectaria Chicago? Pormenores
Um dos inúmeros problemas que apareceram e que mudaram completamente a história foi a ausência de Uriah (apresentado em cinco segundos em Insurgente), Zeke, Amar, George, entre outros. 
Porquê? 
Bem, um dos motivos para o regresso do Quatro à cidade é a própria condição de Uriah. Vêem o problema? Como colocar Quatro em Chicago, se não demos qualquer tipo de importância a Uriah em Divergente? Ou em Insurgente? Isto para não falar da completa ausência de Zeke que, por algum motivo, tornava Quatro mais humano. Isto para não falar de Tory e do irmão George, nulo em Convergente - Parte 1
O meu outro grande problema, foi a relação de Tris e Caleb. De alguma forma, a monstruosa traição de Caleb é atenuada ao extremo, uma vez que Caleb e Peter actuam como elemento cómico. O problema que tenho é que, Peter, no último volume, tem quase uma acção redentora e no filme, mais uma vez, não passa de um completo psicopata. A relação de amizade com Christina, claro que foi minimizada, uma vez que o que importa é a relação amorosa. Prioridades. E, apesar de mencionados, nunca chegamos a saber como é que Natalie passou despercebida em Chicago e o que a levou a mudar-se para a experiência.  
Mas claro, o meu gigantesco problema vai para a linha de acontecimentos. No livro, Tris é, mais confiante do que nunca e, mais do que em qualquer outro livro, confia no seu instinto e, são as acções de Quatro que quase levam ao término da relação. Mas, obviamente que, o não aparecimento de Uriah modifica não só o aparecimento/personalidade de Nita como modifica a revolução/rebelião, e claro que, na nova história, Tris é que é a pobre rapariga tola que confia demasiado sem provas e, portanto, é aquela que pede desculpas. Always the woman
Para além do mencionado em cima, seria impossível para não mencionar o final completamente ridículo, longe de tudo o que o livro alguma vez mostrou. Os efeitos especiais estavam para lá do infantil. Os responsáveis exageram de tal modo que nada pareceu real. 
Que barreira com pontos é aquela? 
Que bolhas foram aquelas? 
Que banho foi aquele? 
Que drones são aqueles? 
Claro que a classificação no Rotten Tomatoes começou por ser de 0% com 11 críticas. 
Uma péssima adaptação. 






Outros títulos das colecção
*Divergente  - adaptação cinematográfica aqui
*Insurgente - adaptação cinematográfica aqui
*Convergente - adaptação cinematográfica aqui.

*Quatro 




Por Raquel Pereira.

Sinopse: A sociedade de fações em que Tris Prior acreditava está destruída - dilacerada por atos de violência e lutar de poder e marcada para sempre pela perda e pela traição. Assim, quando lhe é oferecida a oportunidade de explorar o mundo para além dos limites que conhece., Tris aceita o desafio. Talvez ela e Tobias possam encontrar, do outro lado da barreira, uma vida mais simples, livre de mentiras complicadas, lealdades confusas e memórias dolorosas. 
Mas a nova realidade de Tris é ainda mais assustadora do que a que deixou para trás. As descobertas recentes revelam-se vazias de sentido e a angústia que geram altera as vontades daqueles que mais ama. 
Uma vez mais, Tris tem de lutar para compreender as complexidades da natureza humana, ao mesmo tempo que enfrenta escolhas impossíveis de coragem, lealdade, sacrifício e amor.



Book Trailer:



Opinião: Em Convergente a Chicago distópica que conhecíamos até então, desfez-se. Não há muito mais a dizer a esse respeito a não ser que o mundo a que estávamos habituados transformou-se num caos para lá do que podíamos imaginar. A calma inicial que Divergente nos mostrou, desapareceu no final de Insurgente quando se tornou óbvio que não podíamos regressar ao mundo das facções, ao mundo que, inicialmente, foi o que me fez querer ler Divergente. Neste último volume somos confrontados com a verdade, com o que há depois da vedação e não posso exprimir por palavras o quão desapontada fiquei. 
A verdade é feia. Não há outra forma de colocar a coisa. Não há beleza ou horror nela. Simplesmente não despertou o menor interesse em mim para além de um milhar de revirar de olhos e de suspiros resignados. Lembrou-me a série Maze Runner de James Dashner. E, estava cansada. Queria, mais do que tudo, por respostas e fui confrontada com uma carga de conteúdos científicos que não procurava, de todo e que, sinceramente, me pareceram desnecessários. Acredito veementemente que, no caso de uma distopia, é preciso acreditar na causa para a formação de determinada situação, a exemplo disso temos, The Hunger Games, Delirium, The Giver. Em Convergente, a genética, o facto de que culpámos os geneticamente danificados por algo quando durante milhares de anos foram os geneticamente puros que causaram a destruição do mundo, pareceu-me uma desculpa parva. 
Para além disso, a chegada ao complexo, o conhecimento de personagens como Nita ou David, pouco ou nada me fez sentir, para além de uma sensação extrema de irritação, uma vez que David chega a dizer que: «E, ao contrário do que Edith Prior disse, nunca foi nossa intenção real que enviassem um exército Divergente cá para fora. No fim de contas, não precisamos realmente da vossa ajuda. Precisamos somente que os vossos genes curados permaneçam intactos para poderem ser transmitidos às gerações futuras.» Portanto, o ponto fulcral de um livro, a espinha dorsal que levou aos acontecimentos, não eram necessários
Continuo, e penso que, por mais que leia, nunca vou conseguir ultrapassar a ideia do que é ser ou não Divergente. Caleb afirma: «O que está a dizer é que, porque os meus antepassados foram geneticamente alterados para serem inteligentes, eu, seu descendente, não posso ser totalmente compassivo. Eu e todas as outras pessoas geneticamente danificadas estamos limitados pelos nossos genes imperfeitos. E os Divergentes não.» É algo que, a mim, parece difícil de acreditar e de aceitar. 
Em Convergente a escrita é diferente, quanto mais não seja porque, pela primeira vez, a autora apresenta-nos dois pontos de vista: Tris e Tobias; o problema com esta mudança é que, se não fossem os nomes no início de cada capítulo, as vozes de cada um dos personagens, ter-se-iam fundido na minha cabeça porque não notei nenhuma diferença e, embora fosse um prenúncio dos acontecimentos finais, não apreciei. Porquê? Para além dos motivos apresentados, apercebi-me de que Tobias é somente interessante quando visto pelos olhos de Tris.  
Em Convergente somos apresentados a um novo conjunto de personagens e, a maioria dos quais, não compreendo o motivo da sua aparição a não ser para fornecer um contexto e, por qualquer motivo, não gosto quando isso acontece, quando determinado nome é dado a uma determinada figura, para nenhum fim em específico, apenas para aparecer. E, prova disso, é a facilidade com que a autora mata personagens. Acredito que, mais do que tudo, a morte de um personagem importante para o leitor, deve assumir um propósito, deve acontecer para que algo de maior possa surgir desse desaparecimento e não, ainda não me refiro aos acontecimentos finais mas sim aos iniciais, aos do meio, às pessoas que conhecemos e que são removidas e deixadas para trás com uma facilidade tremenda. Ou então o problema é meu, por não estar ligada aos personagens. 
Agora, em relação aos acontecimentos finais de Convergente, embora acredite que meio mundo já o saiba, não o vou mencionar com receio de estragar a experiência a alguém. Não fui contra, pelo motivos referidos anteriormente. Não me rebelei contra a autora, ou contra a própria história. Na verdade, até acho que foi algo necessário. Não consigo pensar num mundo onde o contrário não aconteceria. Dado os acontecimentos passados, não vejo outra opção. Mas, se procurarem por uma justificação, como eu fiz, há quase três anos atrás, a autora, não justifica, mas explica o porquê de o final ter sido, de forma irrevogável, sempre esse. Podem ler o texto aqui





Outros títulos das colecção
*Divergente  - adaptação cinematográfica aqui
*Insurgente - adaptação cinematográfica aqui
*Convergente - adaptação cinematográfica aqui.

*Quatro 


Por Raquel Pereira.

Sinopse: A tua escolha pode transformar-te - ou destruir-te. Mas, qualquer decisão tem consequências e, à medida que as várias facções começam a insurgir-se, Tris Prior precisa de continuar a lutar pelos que ama - e por ela própria. 
O dia da iniciação de Tris devia ter sido marcado pela celebração com a facção escolhida. No entanto, o dia termina da pior forma possível e a guerra parece ser inevitável. 
Transformada pelas suas decisões mas ainda assombrada pela dor e pela culpa, Tris terá de aceitar em pleno o seu estatuto de Divergente, mesmo que não compreenda completamente as consequências dessa escolha









Book Trailer


Opinião: No mundo criado por Veronica Roth, a sociedade divide-se por facções, sendo que cada facção realça uma de cinco traços da personalidade humana: coragem, altruísmo, generosidade, sinceridade e inteligência. Uma nova forma de distopia, poder-se-a dizer. Insurgente começa imediatamente onde Divergente terminou e aqui, não vemos uma sociedade organizada e simbiótica mas sim o caos. Há alianças inesperadas e somos deixados com muitas questões - demasiadas - no entanto, vamos descobrindo o caminho por entre a destruição, conhecendo mais pormenores sobre o mundo distópico que a autora criou, mais detalhes sobre cada uma das facções. 
Uma das maiores diferenças está, obviamente na protagonista. Depois dos acontecimentos finais de Divergente, Tris entra numa espiral de destruição e somos arrastados com ela e sentimos com ela as suas dúvidas, a sua culpa e a sua dor. Contudo, à medida que as páginas passam, um sentimento de irritação também começa a nascer porque, tal como em todos os livros YA, o segundo livro, o casal protagonista tem s-e-m-p-r-e problemas ao nível da comunicação e, claro, Tris e Quatro não foram excepção, de todo
Mas, enquanto em Divergente senti que as personagens secundárias estavam lá somente porque sim, em Insurgente senti realmente alguma afinidade com personagens como Zeke, Uriah, Lynn, Marlene, Christina, Caleb e Peter, provavelmente devido ao afastamento do casal que possibilitou o crescimento ou o aparecimento de outras relações, pelo que a nível emocional, Insurgente provocou uma dor muito maior, porque as mortes foram muitas, as traições foram grandes e o afeiçoamento às personagens enorme
No entanto, ainda tenho alguns problemas com a história porque, mais do que uma vez, fui levada a pensar que os não divergentes, sofrem de algum tipo de debilidade mental, e não gostei. Mais do que uma vez, com personagens como Lynn ou até mesmo Quatro, somos levados a acreditar que os Divergentes têm algum tipo de habilidade mental que os torna mais perspicaz enquanto os não divergentes, agem sem pensar nas consequências, baseando-se nas experiências que tiveram na sua facção e não acredito que alguém que seja condicionado por apenas uma delas, não possa simplesmente pensar por si mesmo, embora seja esse o objectivo, suponho (confusão).
A questão dos Divergentes ainda me faz um pouco de confusão e, com a conclusão, a confusão apenas aumentou de proporção, basicamente de uma noz, passou para o tamanho de uma bola. A ideia de que o ser humano não pode ser redimido que, para ser perfeito é necessário suprimir outras características próprias da humanidade não me faz sentido, admito, no entanto, preciso de manter em mente de que o mundo da autora trata-se de uma situação levada ao extremo, uma utopia algo que, regra geral, leva sempre a uma distopia. E, como é difícil.
Confesso que gostei da diferença entre Divergente e Insurgente. Enquanto o primeiro ainda era muito instrutivo, as coisas realmente acontecem neste segundo volume. Não há realmente um único capítulo sem acção ou descobertas. No entanto, o que reparei foi na escrita da autora, por vezes factual. Ora estamos de tal modo embrenhados no novelo de emoções que é a protagonista ora o seu pensamento vai apenas para a descrição de factos sem nenhum tipo de emoção por trás. 


Outros títulos das colecção
*Divergente  - adaptação cinematográfica aqui
*Insurgente - adaptação cinematográfica aqui
*Convergente - adaptação cinematográfica aqui.

*Quatro 




Por Raquel Pereira.



Opinião: No mundo criado por Veronica Roth há uma diferenciação da sociedade de acordo com qualidades humanas, pelo que o universo divide-se em cinco facções: Eruditos (inteligentes), Intrépidos (corajosos), Abnegados (altruístas), Cândidos (sinceros) e Cordiais (gentis), sendo que cada facção tem o seu próprio ritual de iniciação, as suas próprias profissões, o seu próprio lugar na sociedade e, a sua própria forma de ser. É uma noção, por vezes confusa mas, o modo como o filme expõe as diferentes facções, numa forma narrada, mostrando em simultâneo as particularidades de cada uma é simples e, mais importante, elucidativo, eliminando qualquer confusão que possa existir. 
O filme começa com uma visão excelente da cidade (Chicago) distópica e aplaudo a visão cinematográfica da mesma: os edifícios em ruína em comunhão com edifícios modernos,  as cores vivas em comunhão com as neutras, a vida em comunhão com a destruição. É algo que conseguiram passar do livro para o grande ecrã com sucesso. As descrições da protagonista nos primeiros capítulos são exactamente aquelas que vemos nos primeiros minutos, o que é algo raro de acontecer numa adaptação. 
Há algumas mudanças no início do filme, pequenas alterações que  aumentam o universo e que apresentam personagens que mais tarde são indispensáveis para o continuar da história, no entanto, algo que não compreendi foi a forma como apresentaram as provas de aptidão. Para aqueles que, como eu, estão familiarizados com o livro homónimo, as provas de aptidão visam eliminar todas as facções excepto uma e a facção restante será aquela para a qual está apta, havendo um conjunto de situações que tem de enfrentar que vão excluindo ou o altruísmo, a coragem, a sinceridade, inteligência e a simpatia, contudo, no filme, não são apresentadas as simulações que excluem os Cândidos e os Cordiais e não há sequer uma explicação para isso. 
Para além disso, algo que me incomodou em igual medida foi a facilidade com que as personagens atiravam a condição de Divergente, chegando mesmo a compará-los a um mito, «Mas os Divergentes não existem mesmo» (algo desse género), para além que parece prática comum andarem à caça dos não-manipuláveis segundo Will, o que é uma novidade em relação ao livro. 
Algo bom, muito bom, foi a interpretação. Shaileene Woodley é uma actriz excelente, e deixou-me emocionada em momentos onde, no livro, quase não dei importância. O mesmo para Theo James, Milles Teller, Jai Courtney e Kate Winslet que mostraram, sem qualquer sombra para dúvidas, a essência de cada um dos seus personagens. E, embora o filme mostre uma relação mais substancial entre Tris e Christina, achei que Al e Will confundiam-se a cada aparição e acho que a confusão abrangeu mais do que a minha pessoa. 
Penso que seja uma adaptação extremamente fiel, embora haja, como sempre, algumas mudanças, aqui e ali - não se pode ter tudo. Embora seja uma distopia, não exageraram nas tecnologias ou na parte futurística, até porque ela é quase ausente nos livros, sendo até mesmo crua, em alguns momentos. Os actores não foram menos do que excelentes, pelo que só se podia esperar pelo melhor para a sequela. (para mais detalhes, ver a opinião de Insurgente). 




Outros títulos das colecção
*Divergente  - adaptação cinematográfica aqui
*Insurgente - adaptação cinematográfica aqui
*Convergente - adaptação cinematográfica aqui.

*Quatro 



Por Raquel Pereira.

Sinopse: Na Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco facções, cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de 16 anos devem decidir a facção a que irão pertencer para o resto das suas vidas. Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família... e ser quem realmente é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem. 
Durante o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo tempo que se apaixona por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo e que nunca contou a ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive, percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama... ou acabar por destruí-la. 

Book Trailer





Opinião: Depois de Os Jogos da Fome de Suzanne Collins, seguiu-se uma colectânea de distopias e utopias no mercado literário e Divergente apareceu entre elas. Como em várias distopias, no mundo de Veronica Roth, a sociedade não se divide em distritos ou pelo sangue, mas sim por virtudes e é aqui que se evidencia a diferença na escrita da autora. Há uma diferenciação da sociedade de acordo com características próprias da personalidade humana que têm como principal objectivo destruir aquilo que de pior há na humanidade e, partindo desse princípio, só podemos concluir que um plano radical como este, vai ter, consequências obviamente desastrosas. 
Veronica Roth criou um mundo não só apelativo, como uma protagonista interessante. Beatrice "Tris" Prior é uma heroína defeituosa, sendo aí que reside a sua beleza. Tris é, no âmago do seu ser, egoísta, mentirosa e chega a ser, inclusive, indiferente ao sofrimento dos outros, no entanto, esforça-se em igual medida por ser alguém bom, alguém diferente, alguém altruísta, alguém com coragem num mundo em que se pode ser apenas uma das coisas e, é o seu desenvolvimento ao longo dos diferentes capítulos que me faz querer seguir em frente. 
No entanto, para além de Tris e de Quatro o resto das personagens e consequentes relações parecem-me estar no limite do real, ou seja, não senti que fossem credíveis. E, embora fossem dedicadas várias passagens a memórias perdidas, a acções em conjunto e à formação de uma amizade, não senti absolutamente nada, de tal modo que me vi indiferente face aos acontecimentos finais - alguns. Mas, num ponto mais positivo, pela primeira vez em muito tempo, achei o romance credível, de evolução gradual e, realmente pela primeira vez, sem haver qualquer tipo de factor face à beleza da personagem e à falta de auto-estima da mesma. 
Contudo, a noção de Divergente, sempre me pareceu confusa. Divergente é alguém que não segue os mesmos padrões em termos de acções do resto da população, alguém que pode pensar de forma diferente e que, portanto, não é controlável e cujas acções são imprevisíveis mas, neste momento, não sabemos porquê e as explicações que são dadas são muito pobres, especialmente dado o extremo com que são tratados e, compreendo que seja o primeiro livro de uma trilogia, no entanto, esse facto deixou-me de pé atrás aquando a primeira leitura, simplesmente pelo facto de não perceber qual é o objectivo. Do mesmo modo, o extremo de algumas situações deixa-me a duvidar da sanidade dos fundadores da cidade mas, passado algumas páginas, apercebemos-nos de que em Divergente as coisas ou são 0 ou 180, não há espaço no meio, ou é branco ou preto
Por outro lado, o processo de iniciação e a forma como se desenrola nas diferentes facções, desperta o meu lado curioso, embora ache que alguns pormenores ligeiramente tacanhos - um dos exemplos a utilização dos óculos a criação de um mundo onde há uma aparente explicação para cada acção faz-me querer saber mais. 
Em Divergente, Veronica Roth apresenta uma escrita muito introspectiva o que torna o leitor muito próximo da protagonista e, mais do que uma vez, dei por mim a admirar os pensamentos de Tris como se de uma pessoa real se tratasse. As noções de coragem e do medo, do certo e do errado, do poder de pequenas acções, são admiráveis e a forma quase poética com que são apresentadas dá uma beleza o que faz com que Divergente sobressaía num mar de livros cuja essência é semelhante. 




Outros títulos das colecção
*Divergente  - adaptação cinematográfica aqui
*Insurgente - adaptação cinematográfica aqui
*Convergente - adaptação cinematográfica aqui.

*Quatro 



Por Raquel Pereira.