Parabéns, Rita! de Maria Teresa Maia Gonzalez

domingo, 24 de janeiro de 2016

Sinopse: No dia em que Rita fez anos, recebeu das mãos de um estranho homem uma prenda inquietante. A partir desse dia nunca mais foi a mesma adolescente feliz, o seu universo familiar e afectivo sofreu um abalo tão profundo que a terra inteira pareceu voltar-se do avesso, levando nesse movimento os amigos, a escola, as aspirações e os sonhos de uma rapariga a quem nada faltava porque tudo lhe caía do céu protector da infância. 
Muitas vezes é-se subitamente adulto quando uma revelação incendeia a harmonia da juventude e não há lugar para guardar os segredos que vão fazendo nós na garganta. De repente, para Rita, o tempo e os lugares, os pais ou o namorado, a escola ou os centro comerciais onde costumava vaguear, deixaram de existir. Os seus quinze anos dividiram-se entre a verdade e a mentira, entre o sonho e a realidade, entre si e os outros

OpiniãoParabéns, Rita! faz parte da colecção Profissão Adolescente que costumava devorar há uns anos. Não era fã de Os Cinco ou Uma Aventura, pelo que estes eram a minha escolha no que tocava a livros "próprios" para a minha idade, que sempre foram poucos na minha estante, por estranho que pareça. A verdade é que me lembro de adorar o mistério por detrás de Parabéns, Rita! e, quando comecei a sua leitura, foi uma das poucas coisas que recordava: a ideia de ter adorado, o que é estranho porque, não gostei, de todo.
A escrita da autora incomoda-me. Não é simples, é para lá de simples, é minimalista. Os diálogos são maus e irreais porque, no fundo, nenhum adolescente fala assim e, considerando que eu não estava longe da idade da Rita quando o livro foi publicado, sei, pelo menos, isso. Até mesmo as relações entre os personagens, para além de Rita e dos pais, é forçada, é fogo de vista. Estão lá apenas para dar uma sensação de vida. O suposto "romance" é mal contextualizado, é apressado e completamente amador.
Por outro lado, a história ganha contornos interessantes - embora previsíveis - e tem uma temática apelativa: os males da protecção excessiva e os males das mentiras e segredos mas, a meu ver, é muito mal explorado porque nenhum adulto, na posição em que Fernando se encontrava, iria falar com a Rita não só com aquela linguagem mas com aquele à vontade, pelo que aquilo que torna o livro mais apelativo, acaba por perder, aos poucos, a sua atracção.
O ponto forte da autora, mesmo em Um Beijo no Pé, passa, sobretudo, pela descrição das emoções, da frustração, da incompreensão, da raiva e da dor e através destas leituras, começo a ver um padrão nos livros da autora: o início é pobre e apressado mas, com o passar das páginas, condensa ligeiramente, mas não o suficiente para ficarmos com a ideia de que lemos um bom livro.
Outros títulos da Colecção Profissão Adolescente: 
*Dietas & Borbulhas
*O Geniozinho
*Ricardo, o Radical
*A Ana Passou-se!
*Poeta (às vezes)
*A Sara mudou de Visual
*Pedro Olhos de Águia
*O Tiago está a pensar
*A viagem do Bruno
*O álbum de Clara
*Estrela à chuva
*Alguém sabe do João?
*Noites no sótão
*O irmão da Joana
*Inês e o Ministro da Educação
*Tão cedo Marta!
*O Salvador
*O ombro de Cláudia
*Raimundo
*Entre irmãs
*David, um herói entre as chamas
*A família da Nazaré

Cinema: A 5ª Vaga

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016



OpiniãoPara a 5ª vaga, as minhas expectativas estavam para lá da estratosfera. Na opinião que podem ver em baixo, adorei o primeiro livro de Rick Yancey e estava super entusiasmada para a sua adaptação cinematográfica. Lentamente começaram a sair informações sobre o casting, sobre o próprio filme e quando um dos primeiros trailers se tornou disponível, tinha a certeza que, ao contrário de outras, iria ser uma adaptação bem feita e fiel. 
Não estava enganada. Tudo o que era importante estava lá, as explicações, as reminiscências a um passado normal, ao último dia normal da vida da protagonista, para ser mais precisa e, o filme dá-nos algo que não pudemos apreciar no livro: vemos em primeira mão o efeito das diferentes vagas no mundo. 
O que podemos querer mais? 
Não há exactamente momentos aborrecidos mas, tal como no livro, há vários pontos de vista, vários focos importantes da história que no final colidem e, dei por mim, mais uma vez, a querer assistir a tudo do ponto de vista de Cassie. Não que os outros fossem menos interessantes, mas Cassie era a minha personagem favorita, pelo menos no primeiro livro. 
Admito, um dos muitos pontos positivos, foi Evan Walker. Não sabia muito bem o que esperar, uma vez que no livro, a sua personagem meio que se desvaneceu, principalmente no segundo livro, mas Alex Roe dá uma nova cor a Evan e admito que, as cenas de pancadaria, foram algumas das minhas preferidas, não querendo dar muito do filme em si. Mas, por outro lado, a personagem de Ringer, perdeu muito. No livro, ela é uma kick-ass girl, rodeada de mistério e, no filme, vemos pouco do que é a sua verdadeira personalidade, para lá do que ela consegue fazer com uma arma e com as mãos e os pés. 
No entanto, há uma coisa que me incomodou. Enquanto no livro, lemos do ponto de vista de Cassie, ou de Ben, vozes fortes, maduras e experimentadas num mundo apocalíptico, é fácil esquecer que se tratam, na verdade, de adolescentes de 16 ou 17 anos de idade e de crianças com 5 ou 6 anos de idade. Enquanto me perdia na leitura, esqueci-me do quão irrealista iria parecer quando adaptado para o grande ecrã. E, infelizmente, pareceu. Estar sentada a ver uma criança de 5 anos a disparar uma arma de fogo e a ir para o meio de uma batalha ou dois adolescentes a conseguir escapulir-se pelo meio de um exército de mulheres e homens altamente treinados, pareceu falso. 
É um filme que, na verdade, tem tudo: catástrofes, extraterrestres, acção, romance mas, falta aquele pedacinho do livro, aquela sensação de paranóia que estar dentro da cabeça de Cassie ou de Ben me deu. A par disso, foram umas horas muito bem passadas e para aqueles que se perderam nas páginas do livro, não podem perder.

Outros títulos da colecção: 
*A 5ª Vaga - adaptação cinematográfica aqui
*O Mar Infinito 
*Last Star (24/05/2016)

O Mar Infinito de Rick Yancey

sábado, 9 de janeiro de 2016

Sinopse: A Terra foi invadida por extraterrestres - os Outros -, que têm como único objectivo o extermínio de toda a população do planeta. Sem aviso, lançaram quatro vagas de destruição que devastaram parte da humanidade. Cassie Sullivan e os seus companheiros contam-se entre os poucos que sobreviveram e agora, com a espécie humana quase extinta e com uma quinta vaga em marcha, os jovens têm de tomar uma decisão crucial: enfrentar o duro inverno e ficar à espera que Evan Walker regresse, ou partir à procura de mais sobreviventes antes que o inimigo se aproxime demasiado - porque o próximo ataque é mais do que possível, é inevitável. Ninguém é capaz de prever até onde os Outros podem descer, nem estes sabem o quanto a humanidade se pode erguer. É a derradeira batalha entre a vida e a morte, a esperança e o desespero, o ódio e o amor. 

Book Trailer:

Opinião: Nas imediações da estreia do filme, a 5ª Vaga, livro homónimo de Rick Yancey decidi continuar a história onde o primeiro livro nos deixou. Para fazer um pequeno ponto da situação, relembro que a 5 ª Vaga é, na sua essência o quinto momento de um plano extraterrestre para "limpar" a humanidade para poderem, por sua vez, tornar a Terra no seu lar. A 1 ª Vaga deu-se 10 dias depois do aparecimento da nave-mãe, após mensagens falhadas, uma vez que eles se mantinham silenciosos. Uma onda electromagnética desactivou todos os aparelhos eléctricos. A 2 ª Vaga foram Tsunamis. A 3 ª Vaga uma doença semelhante ao ébola transmitida através dos pássaros. E, por fim, a 4 ª Vaga são os Silenciadores que vieram para destruir o que restava da humanidade. As quatro vagas mataram cerca de 97% da população.
Cassiopeia "Cassie" Sullivan é a protagonista de A 5ª Vaga mas, infelizmente, a sua voz enquanto líder, perdeu-se no meio de todos os pontos de vista a que o autor quis dar destaque e penso que, é por aí, que o livro perde - e muito. Isto porque, em O Mar Infinito, não há muitos acontecimentos, quando comparado com o primeiro volume e, alguns dos capítulos são repetições de conversas ou de momentos, mas vistos do ponto de vista de diferentes personagens. Temos o início de uma conversa "na cabeça" de Cassie, e o final da conversa "na cabeça" de Ringer e, os poucos momentos que me recordam a ansiedade que a 5ª Vaga provocou é, nem mais nem menos, do que com Poundcake e as suas memórias da invasão e da sua família.
Na opinião que escrevi sobre A 5ª Vaga relembro que adorei completamente os diálogos interiores e, por vezes, a escrita quase poética com parágrafos como este: «É essa a falha no plano-mestre de Vosch: se não nos matarem a todos de uma só vez, não vão ser os fracos a sobrar no fim. Serão os fortes a sobreviver, os que vergaram mas não quebraram, tal como as barras de ferro que davam firmeza a todo este cimento. Cheias, incêndios, tremores de terra, doença, fome, traição, isolamento, assassínio. O que não nos mata torna-nos mais astutos. Endurece-nos, ensina-nos. Estás a transformar relhas em espadas Vosch. Estás a refazer-nos. Nós somos o barro e tu és o Miguel Ângelo. E nós vamos ser a tua obra-prima» MAS, em O Mar Infinito, o autor perdeu-me nas divagações interiores, simplesmente por serem confusas. Lembraram-me um pouco o que aconteceu com Maze Runner de James Dashner e, não gostei.
O Mar Infinito é um livro intenso, começa imediatamente com um BANG mas, à medida que as páginas decorrem, e os acontecimentos, pura e simplesmente, não acontecem, e passo a redundância, a paranóia atinge um ponto tal que, a determinada altura, já não sabia qual era a conclusão a que determinada personagem tinha chegado. E foram várias as vezes em que o autor mencionou que "Já percebi qual é a resposta", mas... NÃO A DAVA.
Rick Yancey é um mestre a criar confusão, paranóia e a jogar com a mente dos leitores, não há sombra para dúvidas mas, ao mesmo tempo, sinto que perdi uma grande parte da leitura por não perceber, uma vez que no final, somos confrontados com uma hipótese que me parece menos plausível e menos realista que uma invasão alienígena. E, não fui fã. Se está a vender um livro sobre uma invasão alienígena, GO WITH THAT UNTIL THE END.
Há uma nave certo?
Houve uma nave.
Paranóia.
Paranóia.
Resta a questão.
Porquê?
Outros títulos da colecção: 
*A 5ª Vaga - adaptação cinematográfica aqui.
*O Mar Infinito 
*Last Star (24/05/2016)

| Review | Princesa Mecânica de Cassandra Clare

domingo, 3 de janeiro de 2016

Sinopse: Tessa Gray devia estar contente como todas as noivas! Mas, enquanto se prepara para o casamento, uma rede de sombras envolve os Caçadores de Sombras do Instituto de Londres. Surge um novo demónio, ligado pelo sangue e secretismo a Mortmain, o homem que tenciona usar um exército de impiedosos autómatos, os Instrumentos Infernais para destruir os Caçadores de Sombras. Falta apenas um último pormenor para que o plano de Mortmain funcione: Tessa. 
Charlotte Brandwell, directora do Instituto, não consegue encontrar Mortmain antes que ele ataque, ao mesmo tempo que Jem e Will, os dois rapazes que disputam o coração de Tessa, farão tudo para a salvar. As últimas palavras de um Caçador de Sombras moribundo fornecem a pista que pode levar Tessa e os amigos a Mortmain, mas o pequeno grupo não se aguenta sozinho e o poderoso cônsul não acredita no advento do demónio. 
Sem aliados, os Caçadores de Sombras vêem-se encurralados quando Mortmain consegue o medicamento que mentém Jem vivo. Com o seu melhor amigo às portas da morte, Will teme arriscar tudo para salvar a jovem amada por ambos. Para dar tempo a Will, o feiticeiro Magnus Bane junta-se a Henry Brandwell para criar um instrumento que pode derrotar Mortmain e enquanto todos tentam salvar Tessa e o futuro dos Caçadores de Sombras, a jovem percebe que a única pessoa que a pode salvar é ela própria porque percebe ter em si um poder que nunca imaginou. 
Mas poderá uma rapariga, mesmo capaz de conjurar o poder dos anjos, enfrentar um exército?

OpiniãoTerminei a leitura há sensivelmente um dia, no entanto, vi-me incapaz de escrever o que quer que fosse. A minha cara transformou-se num rio de água salgada e pouco mais via à minha frente do que as lágrimas a quererem cair. Foi a segunda vez que li Princesa Mecânica, ao contrário dos outros da autora, cuja leitura já vai na quarta ou na quinta vez. Isto porque o livro que encerra a trilogia de As Origens é, até agora, o mais emocional das Crónicas dos Caçadores de Sombras.

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