Sinopse: Depois de um terrível acidente que lhe matou a família, Ever Bloom, de dezasseis anos, consegue ver as auras das pessoas que a rodeiam, ouvir os seus pensamentos e ficar a conhecer toda a história de vida de alguém por meio de um simples toque. Desviando-se sempre que podia, para evitar o contacto humano e para esconder o seu dom é considerada uma anormal na escola secundária que começa a frequentar. Mas tudo muda quando conhece Damen Auguste. Damen é encantador, exótico e rico. É a única pessoa que conhece silenciar o barulho e as manifestações de energia que habitam na cabeça de Ever. E traz consigo uma magia tão intensa que parece poder ler a mente de Ever. E, à medida que vai sendo arrastada para o sedutor mundo de Damen, onde abundam os segredos e os mistérios, Ever começa a ter mais perguntas do que respostas. E, além disso, não faz ideia de quem ele é... ou daquilo que é. A única coisa que Ever sabe é que está a apaixonar-se, desesperadamente, por ele.

OpiniãoCada vez mais me apercebo do quanto a qualidade de uma leitura muda consoante a nossa idade. Não é a primeira vez que leio Eternidade e penso que não é sequer a segunda, no entanto, devido à escassez de novas leituras e de umas férias bem merecidas, decidi reler alguns dos primeiros livros de algumas séries mais conhecidas.

(Continua)

Em Eternidade, a verdade é que, exceptuando alguns elementos aqui e ali, o conhecimento que eu mantinha da história era pouco. A minha memória selectiva, por alguma razão removeu alguns pormenores, ficando apenas a ideia geral de que tinha gostado bastante deste primeiro volume de Alyson Noel e agora, anos mais tarde, percebo porquê.
Primeiro que tudo, admito que a personalidade de Ever e o background que a rodeava me puxaram para a história. A tragédia que a envolve, as capacidades sensoriais resultantes do acidente que lhe levou os pais e a irmã, a mudança de personalidade e de vida, foram pormenores que apreciei enquanto leitora. Há muita coisa que me afastou de Eternidade mas, a protagonista, não foi uma delas e, por uma vez, a evolução de alguém marcado de uma forma irrefutável pelas injustiças da vida, para uma rapariga apaixonada, naturalmente "tola" pareceu-me natural.
No entanto, se não fosse por Ever, seria para mim difícil acompanhar Eternidade. Este foi um dos raros casos em que não gostei, minimamente, do interesse amoroso da protagonista, Damen Auguste. Não foi pelas suas acções, visto que estas se vêem repetidas numa quantidade imensa de outros livros YA, mas, pela sua personalidade em si - demasiado perfeito; claro que a autora procurou dar-lhe um passado mais negro, mas ainda assim, não me chegou. Do mesmo modo, o núcleo de amigos de Ever pareceu-me forçado. Não gostei da personalidade errática de Haven e, embora a sua história pessoal pudesse de algum modo amenizar o seu egoísmo, como em Damen, não me chegou e, infelizmente não se trata de um caso em que "os defeitos trazem realismo".
Eternidade foi, para mim, um livro confuso. Todo o conceito que rodeia "os imortais" não foi apelava, pelo contrário, roçou - para mim - em alguns casos, o cómico porque se há algo que detesto num livro YA com personagens cuja mortalidade é questionável, é o contacto com personalidades conhecidas do nosso quotidiano, desde Shakespeare, a Picasso, ou Van Gogh.
Não suporto.
Claro que Alyson Noel, para além de um passado e de uma imortalidade atingida com mais perguntas do que respostas, deu-nos Summerland, um local onde tudo, literalmente, é possível. Um véu entre o nosso mundo e o outro. E, embora a escrita da autora possibilite uma maior proximidade com a protagonista, uma escrita simples e fluída, sem nenhum tipo de complicações, deu-nos, neste primeiro volume, com uma tonelada de informações que, de certo modo, roubaram um pouco do ritmo de compreensão; pois para além de uma irmã morta adorável, de um namorado que parece que anda por cá há imenso tempo, uma inimiga com motivos questionáveis, um passado mais do que confuso, a autora ainda nos dá um novo local onde o impossível se torna possível. No meio disto tudo, só posso dar graças a Ever por, de algum modo, salvar o livro

Only love heals. Anger, guilt, and fear can only destroy and separate you from your true capabilities.


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