Sinopse: Esta é a história criativa e comovente de Greg, um finalista do secundário cujo único objectivo é manter-se completamente anónimo e evitar quaisquer relações profundas. Para ele, essa é a melhor estratégia de sobrevivência no verdadeiro campo de minas social que é a vida de um adolescente. Juntamente com Earl, Greg faz curtas-metragens parodiando filmes clássicos, o que os torna mais colegas de trabalho do que propriamente amigos. 
Tudo corria bem até ao dia em que a mãe de Greg insiste com ele para passar algum tempo com Rachel, uma miúda da turma que acabou de ser diagnosticada com cancro. Lentamente, Greg descobre que um pouco de amizade não faz mal a ninguém. 

Opinião: Não peguem no livro com a ideia de que vão ler algo semelhante à história de amor de Augustus Waters e Hazel Grace. Não. Eu, o Earl e a Tal Miúda tem, literalmente, zero de romance e, inclusive, faz pouco de quem espera tal coisa e frases como: e agora esperam que uma qualquer atracção nos faça ficar subitamente apaixonados (frase não retirada do livro), mas enganam-se. Foram várias as vezes em que pensei que talvez, apenas talvez, houvesse alguma química, ou pelo menos um beijo. Mas não. Nada. O que me fez chegar à brilhante conclusão de que nem sequer era necessário.
A escrita de Jesse Andrews é maravilhosa. Eu, o Earl e a Tal Miúda é contada sobre a forma de prosa, do ponto de vista de Greg, aliás, o protagonista conta o livro como se fosse ele o autor, - o que me confundiu ligeiramente, confesso - revelando-se muitas das vezes como tal e apenas na conclusão, no epílogo, percebemos a razão por detrás de tal escolha. Eu, o Earl e a Tal Miúda está recheado de metáforas e de comentários sarcásticos, algo que é o meu ponto fraco. ADORO. Na verdade, esperava que o livro fosse mais deprimente do que aquilo que realmente foi. Jesse Andrews conseguiu transformar um livro que poderia ser automaticamente classificado como extremamente emocional e transformá-lo em algo divertido.
Eu, o Earl e a Tal Miúda, relata a história de amizade de Greg e de Rachel, uma amizade forçada pela mãe do protagonista. É um livro sobre cancro, sim, mas, ao contrário de outros do mesmo género, não o romantiza, pelo contrário. Jesse Andrews conseguiu colocar em palavras o processo pelo qual muitos doentes, infelizmente, são obrigados a passar.
Por esse mundo fora, existem milhares de Rachel, e só espero que, para cada uma delas, exista um Greg.
No entanto, por qualquer motivo, senti-me ligeiramente alheada da personagem de Rachel e, as emoções que nutria em relação à sua presença, eram sobretudo, dadas pelo protagonista. Pensamentos, aqui e ali, recordações acolá e pouco mais. Os diálogos não eram elaborados, nem pouco mais ou menos, e as piadas, na maior parte das vezes, não as compreendi, ou não vi a graça nelas, o que soou a forçado. O que adorei, e admirei, foi a perspicácia com que Jesse Andrews criou Greg. Um personagem carismático, inteligente, sarcástico e, sobretudo, memorável.
Eu, o Earl e a Tal Miúda é, contudo, um livro muito visual. Como está descrito na sinopse, Greg e Earl são cineastas e criam paródias de filmes clássicos. O problema? Não consegui visualizar o trabalho deles. A mensagem passava, a imagem é que não. Esta particularidade da história de Greg, Earl e Rachel, penso que seria - ou foi - mais bem explorada numa adaptação cinematográfica. Neste aspecto houve, sobretudo, uma falta de percepção. No entanto, não deixou de ser um livro que apreciei, - bastante - e que acho que vale a pena, sobretudo para aqueles que, como eu, apreciam um bom comentário mais arrogante aqui e ali e um protagonista capaz de nos fazer rir à gargalhada com apenas cinco palavras.
Outros títulos do autor
*Eu, o Earl e a Tal Miúda  - adaptação cinematográfica aqui.
*The Haters


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