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Opinião: Enquanto alguns festejavam os ganhos futebolísticos de um dado clube, depois de um longo dia de trabalho, decidi que era mais do que tempo - e, uma vez que estou a reler os livros homónimos, - de rever o filme, O Diário da Princesa com Julie Andrews e Anne Hathaway nos papéis principais. 
E qual o veredicto?
Para mim, O Diário da Princesa é um filme ambíguo.
Porquê?
Não consigo deixar de adorar o filme. O Diário da Princesa desperta em mim muito boas memórias de um tempo mais inocente, de uma vida quase passada, de um período mais doce da minha adolescência. Mas, por outro lado, se o virmos com olhos de ver, reparamos que há muitas diferenças em relação ao livro original. Não é, de todo, a mais fiel das adaptações, pelo contrário.
Há muitas mudanças e, para aqueles que, como eu, já se encontram familiarizados com O Diário da Princesa II (livro e filme), sabem que as mudanças são abismais. O filme não segue a linha cronológica do livro e, na maior parte das vezes, muda completamente de caminho, apesar do coração da história estar efectivamente lá. Mas, como em todas as adaptações, há mudanças que, simplesmente não sou capaz de compreender e, a principal, é o facto de Phillipe, o pai de Mia, ter morrido num terrível acidente, o que fez com que a jovem de 15 anos de São Francisco, e não de Nova Iorque, se tornasse na única herdeira do trono do principiado fictício de Genóvia.
No livro, há uma grande exploração das relações interpessoais de Mia e da sua forma de ser um tanto ou quanto para o passiva mas, no filme, vemos uma Mia não tão sarcástica ou irónica mas, cuja passividade é rapidamente camuflada por ingenuidade e, claro que tudo o que Mia passa para o público: a sua inocência, a sua confiança nas outras pessoas, a fé, o medo - se deve à maravilhosa interpretação de Anne Hathaway. E, embora prefira a versão original, quase maquiavélica de Clarisse Renaldi, confesso que a relação entre as duas, a única, para ser sincera, é enternecera. Para além disso, algo em que o filme pecou foi no guião de personagens fora do leque Mia-Joseph-Clarisse porque, há uma maior proximidade, uma maior relação entre estas três figuras do que entre Mia e Lilly e Michael - queria mais.
O que passa - e passa bem - é a clara mensagem contra a crueldade entre os adolescentes, a dificuldade que é aceitar mudanças e crescer, aceitar que há uma diferença entre ser a pessoa que os outros desejam e aquela que podemos e queremos ser. Para mim, O Diário da Princesa dá-me uma mensagem de esperança. O vulgar pode, rapidamente tornar-se no extraordinário.
Mas, apesar das críticas, do facto de ser uma adaptação pouco fiel ao seu conteúdo original criado por Meg Cabot, O Diário da Princesa é um filme maravilhoso. É divertido, emocionante e belo. Mesmo depois de ler o primeiro livro e de, neste momento, ir a meio do quatro volume de uma série de onze, não consigo deixar de apreciar o filme pelo que é. Torna-o uma das poucas adaptações que posso - e consigo - separar da sua adaptação, o que é raro.


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