OpiniãoNo mundo criado por Veronica Roth há uma diferenciação da sociedade de acordo com qualidades humanas, pelo que o universo divide-se em cinco facções: Eruditos (inteligentes), Intrépidos (corajosos), Abnegados (altruístas), Cândidos (sinceros) e Cordiais (gentis), sendo que cada facção tem o seu próprio ritual de iniciação, as suas próprias profissões, o seu próprio lugar na sociedade e, a sua própria forma de ser. É uma noção, por vezes confusa mas, o modo como o filme expõe as diferentes facções, numa forma narrada, mostrando em simultâneo as particularidades de cada uma é simples e, mais importante, elucidativo, eliminando qualquer confusão que possa existir.
O filme começa com uma visão excelente da cidade (Chicago) distópica e aplaudo a visão cinematográfica da mesma: os edifícios em ruína em comunhão com edifícios modernos, as cores vivas em comunhão com as neutras, a vida em comunhão com a destruição. É algo que conseguiram passar do livro para o grande ecrã com sucesso. As descrições da protagonista nos primeiros capítulos são exactamente aquelas que vemos nos primeiros minutos, o que é algo raro de acontecer numa adaptação.
Há algumas mudanças no início do filme, pequenas alterações que aumentam o universo e que apresentam personagens que mais tarde são indispensáveis para o continuar da história, no entanto, algo que não compreendi foi a forma como apresentaram as provas de aptidão. Para aqueles que, como eu, estão familiarizados com o livro homónimo, as provas de aptidão visam eliminar todas as facções excepto uma e a facção restante será aquela para a qual está apta, havendo um conjunto de situações que tem de enfrentar que vão excluindo ou o altruísmo, a coragem, a sinceridade, inteligência e a simpatia, contudo, no filme, não são apresentadas as simulações que excluem os Cândidos e os Cordiais e não há sequer uma explicação para isso.
Para além disso, algo que me incomodou em igual medida foi a facilidade com que as personagens atiravam a condição de Divergente, chegando mesmo a compará-los a um mito, «Mas os Divergentes não existem mesmo» (algo desse género), para além que parece prática comum andarem à caça dos não-manipuláveis segundo Will, o que é uma novidade em relação ao livro.
Algo bom, muito bom, foi a interpretação. Shaileene Woodley é uma actriz excelente, e deixou-me emocionada em momentos onde, no livro, quase não dei importância. O mesmo para Theo James, Milles Teller, Jai Courtney e Kate Winslet que mostraram, sem qualquer sombra para dúvidas, a essência de cada um dos seus personagens. E, embora o filme mostre uma relação mais substancial entre Tris e Christina, achei que Al e Will confundiam-se a cada aparição e acho que a confusão abrangeu mais do que a minha pessoa.
Penso que seja uma adaptação extremamente fiel, embora haja, como sempre, algumas mudanças, aqui e ali - não se pode ter tudo. Embora seja uma distopia, não exageraram nas tecnologias ou na parte futurística, até porque ela é quase ausente nos livros, sendo até mesmo crua, em alguns momentos. Os actores não foram menos do que excelentes, pelo que só se podia esperar pelo melhor para a sequela. (para mais detalhes, ver a opinião de Insurgente).

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