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Opinião: Lembro-me de que quando estreou no cinema as minhas expectativas iam altas e o entusiasmo era contagiante. A minha opinião do livro homónimo é ligeiramente entusiástica com mais do que uma referência ao meu amor pelo mundo e pelas personagens: «O meu exemplar tem a capa gasta, as páginas remexidas, cheias de notas e de post-it, e de riscos de lápis e caneta, como se eu própria fosse uma qualquer Lena incapaz de deixar o livro intocado» E, recentemente, tive a oportunidade de ver o filme, com olhos de ver. 
Os meus sentimentos depois de vê-lo pela primeira vez no grande ecrã foram de raiva e desilusão. Penso que alguém de fora, que não estivesse familiarizado com o livro, iria ficar mais do que confuso mas, «Criaturas Maravilhosas centra-se nos Encantadores que podem ser tanto das Trevas como da Luz, uma forma mais elegante de dizer Bruxas, mas não exactamente. Eles têm poderes, mas não são exactamente magos ou feiticeiras. Têm poderes muito próprios. Desde Sibilas, a outros com nomes complicados, Cataclistas ou Naturais, como Lena, que consegue, de forma simplista, controlar os elementos» Esta é a base da história. Existem Encantadores a coexistir com Mortais desde sempre, sob o mesmo céu, sob a mesma cidade e no décimo sexto aniversário ou seguem o caminho da Luz ou seguem o caminho das Trevas. Não há linha cinzenta
Agora, o filme perde coerência nestes conceitos. A premissa do filme é que Lena irá ser reclamada pelas Trevas ou pela Luz no seu décimo sexto aniversário, não havendo qualquer menção a uma possível escolha. É uma história de amor e uma batalha contra o tempo. E, até aqui, tudo bem. Contudo, os responsáveis pelo guião ocultaram uma parte fundamental. Para além de ignorarem os vários poderes de cada um dos membros da família, ignoraram o facto de Macon ser, na verdade, um Íncubo, MAS, fizeram questão de referir, na sua estupidez que o tio de Lena, é um Encantador das Trevas que ESCOLHEU, seguir a Luz por Lena. Ora, a premissa inteira do filme não é o facto de Lena não ter uma escolha? 
A verdade é que podia ter sido facilmente remendada com a maldição que afecta a família Duchannes. Podiam referir que, desde o feitiço de Genevieve, as raparigas Duchannes não possuem uma escolha, mas não. Mais uma vez, os responsáveis pelo guião, resolveram abranger a maldição aos vários Encantadores. E pior do que isso, alteraram o desfecho para evitar uma possível sequela, não vejo outro motivo para tamanha blasfémia já que os responsáveis pelo guião, resolveram fazer com que a solução para o problema de Lena, fosse a morte de Ethan quando, no livro, vemos que "a segunda natural, terá poder de escolha" e Macon sabe-o, porque a escolha que Lena tomar, terá consequências desastrosas. 
Para além das incoerências em relação à questão Trevas/Luz, maldição/solução, há uma coisa que me incomodou ainda mais. Sarafine. A mãe de Lena é descrita mais do que uma vez como a Encantadora das Trevas mais poderosa que só poderá ser suplantada por Lena e que, Macon deu-se a muito trabalho para proteger a sobrinha mas, vemos realmente Sarafine como uma ameaça já que no filme ela não existe já que aparentemente não tem corpo? Vemos algum tipo de ameaça? Algum confronto, já que a sua especialidade é brincar com o fogo? Sarafine usou algum do seu poder para se defender da sua filha antes de se transformar numa árvore?
Para além dos problemas com o guião, senti problemas com a personagem de Ridley. Acho que as pessoas que desenvolveram a personagem, não perceberam a essência dela. Ridley nunca faria o que a Ridley no filme fez. As cenas com Link - um mero adereço, - foram ridículas, sem nenhum tipo de contexto, não havia um background sólido para elas existirem. Para além disso, não há limite de poder? Ridley consegue assassinar um homem a um carro de distância? Lena tem a capacidade de apagar memórias? 
Até mesmo o flashback do chamamento de Ridley pareceu-me errado. Em Caos Maravilhoso percebemos que o chamamento não é linear, podemos lutar contra ele, não é algo imediato, mas claro que no filme, mal a lua aparece (de noite) Ridley transforma-se numa qualquer maníaca a assassinar homens inocentes em linhas de comboio. A comparação do chamamento de Ridley em comparação com o de Lena (de dia) e perante uma família que mais parecia um circo, é de levar as mãos à cabeça. 
Não vemos o pai de Ethan, não há a cena emocional no balcão com Ridley onde há a redenção da personagem. Amma é demasiado normal e nunca deixaria Ethan fazer o próprio pequeno almoço. Não percebemos o porquê de Lena e Ethan não poderem ficar juntos porque não há a electricidade e as cenas entre Ridley e Link ainda causam mais confusão porque também é uma situação de uma Encantadora com um Mortal. Não há as Dezasseis Luas. Não há a presença de Lila. Eu sei que numa adaptação há sempre perdas mas, pelo menos, é preciso manterem a história coesa. Não há menção à traição de Larkin. 
Não há isto. Não há aquilo. 
Penso que o director, produtor, o que seja, estragou o mundo e, apesar de as autoras referirem que o filme é uma extensão do universo que elas criaram, não é verdade. A única coisa realmente positiva foram as interpretações e a cinematografia. Havia um enorme potencial para esta série. Tinham actores de alto nome, desde Jeremy Irons, Viola Davis e Emma Thompson e as relações entre os diferentes personagens pareceram-me reais, iguais às do livro, com muito dos diálogos tirados das próprias páginas. As visões do colar foram bem executadas, a ligação inicial com Ethan de forma quase descritiva foi realmente boa. O produto estava lá, o resultado final é que deixou muito a desejar. 





Outros títulos da colecção Crónicas Encantadoras
*Criaturas Maravilhosas - adaptação cinematográfica aqui.
*Trevas Maravilhosas
*Caos Maravilhoso
*Redenção Maravilhosa

*Beautiful Creatures: The Untold Stories #1 #2 #3 #4

*Dangerous Dream (Caster Chronicles 0.5)
*Dream Dark (Caster Chronicles 2.5)

Outros títulos da colecção Dangerous Creatures: 

*Dangerous Creatures
*Dangerous Deception


Por Raquel Pereira.

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