Sinopse: Tessa Young é uma jovem reservada e estável que sai de casa da mãe, uma mulher autoritária e preconceituosa, para iniciar os seus estudos na universidade, separando-se pela primeira vez do seu namorado de sempre, Noah, um rapaz meigo e sensível. Logo no primeiro dia, conhece a sua companheira de quarto, Steph, e os amigos desta, entre os quais Hardin, um inglês insolente, cheio de tatuagens e piercings. Rápida e inesperadamente, Tessa e Hardin iniciam uma relação intensa mas atribulada, pois ele é um bad boy que só arranja problemas, Tessa tem de tomar uma decisão séria e dolorosa: será que faz sentido trocar Noah por Hardin, desiludindo a sua superprotetora mãe e sabendo que a sua vida nunca mais será a mesma? A menos que seja por amor...

OpiniãoNa minha inocência, pensei que After era um romance adolescente, com um pretendente um tanto ou quanto problemático e uma protagonista que se inserisse no molde do que é considerado a perfeição; pensei que seria o género de histórias que se repetem, vezes e vezes sem conta, no universo literário; uma história inocente.
Bad Boy vs Good Girl.
Estava enganada.
A premissa de After é, exactamente essa e, durante poucas páginas, é isso que temos. No entanto, poucas, muito poucas, páginas depois, percebemos que, na verdade, o primeiro livro de cinco, insere-se na categoria do erótico. Há várias, múltiplas passagens de sexo e é raro haver mais do que três capítulos sem qualquer tipo de contacto sexual entre Tessa e Hardin.
Esta é uma opinião difícil de escrever. Li alguns comentários, assisti a algumas entrevistas da autora e li, até mesmo algumas opiniões no Goodreads sobre After, uma fan fiction de sucesso na plataforma Wattpad. A maioria dos comentários eram desagradáveis, à semelhança do que aconteceu com As 50 Sombras de Grey por E.L.James. Comentários que afirmavam que Anna Todd promovia, de certo modo, as relações abusivas. E sim, não vou negar que existe uma disfunção na relação entre Tessa e Hardin e que não há nenhum tipo de abuso emocional, porque há. Não sei, se foi a intenção da autora em escrever sobre uma relação disfuncional, ou se, pura e simplesmente, resolveu elevar o grau de bad boy de Hardin.
A verdade é que a literatura está recheada de rapazes e homens que são uns idiotas, com reacções que podiam, com facilidade, passar por um abuso mas que, adoramos e que passaram através de gerações. Regra geral, não sou fã de passagens de clássicos, ou até mesmo referências e, em After, uma vez que Tessa Young está a tirar Estudos Ingleses, há aos montes. E, apesar de continuar a não gostar, percebi o ponto de vista da autora, o motivo pela qual ela citou Mr. Darcy ou Heathcliff - personagens não tão simpáticas, mas por quem muitas pessoas suspiram.
Hardin é um personagem complexo, provavelmente o mais complexo das criadas pela autora. Não conhecemos o seu passado e mesmo no final do livro, o nosso conhecimento não aumentou, no entanto, o final dá-nos uma "justificação" para alguns dos comportamentos. As saídas, os encontros, algumas das discussões foram motivadas pelo desespero e, uma pessoa desesperada faz loucuras.
"Mas isso não é justificação, blá, blá".
Não. Não é, de todo.
Mas dá-nos uma perspectiva. Hardin é humano. Anna Todd escreveu uma reacção humana. Algo real. O passado de Hardin também tem um peso no seu comportamento e, mais uma vez,:
"Mas isso não é justificação, blá, blá".
Não. Não é, de todo.
E, mais uma vez, torna-o humano e real. A única anomalia nesta relação é Tessa. Tessa aceita o comportamento de Hardin. Tessa aceita os seus maiores defeitos. Tessa aceita uma enormidade de acontecimentos que, para algumas pessoas, seria o ponto de ruptura. Mas Tessa, está cega pelos seus sentimentos e acredita que o pode mudar. E é aí, que surge o problema. E, mais uma vez:
"Mas isso não é justificação, blá, blá".
Não. Não é, de todo.
Mas After é um livro, com dois protagonistas disfuncionais que fazem mal um ao outro, onde a atracção física é maior do que a gravidade, e onde a paixão é maior do que o amor. E isso, é algo real, que acontece no mundo. Anna Todd escreveu sobre uma situação real, sobre pessoas reais. Tessa e Hardin podem, com facilidade, ser um par de amigos que conhecemos. Os pais de alguém por quem passamos na rua. Alguém que desejamos.
O facto de as pessoas afirmarem, como o faziam com As 50 Sombras de Grey, que Anna Todd está a promover a violência e que, uma vez que a maioria dos seus fãs são jovens, facilmente impressionáveis, digo-vos que, apesar de facilmente impressionáveis, não subestimem as raparigas de 13 ou 14 anos de idade. E sim, desde os primórdios dos tempos que há uma atracção pelos designados bad boys e isso deve-se, simplesmente, ao desconhecido. Os bad boy são mais interessantes, mais complexos nas suas acções e nas suas palavras. São mais objecto de curiosidade do que outra coisa.
After, apesar das mais de 500 páginas, lê-se rapidamente, não apenas pela dimensão dos capítulos (pequenos), mas pelo próprio conteúdo emocional. E não, não me refiro às partes sexuais, mas sim ao conflito, porque sabemos que ele vai aparecer, a questão é como? e porquê? No entanto, apesar da escrita simples e fluída, senti que, por vezes estava a ler um quase ditado. As emoções, em alguns parágrafos, não se intercalaram de forma adequada e, a linguagem de Hardin, pareceu-me igualmente forçada em alguns capítulos mas...gostos.
Houve outros pontos que me deixaram mais de pé atrás, nomeadamente, a linguagem da mãe de Tessa, no momento do confronto, a facilidade com que Noah, após uma relação de dois anos, vê-se incapaz de lidar com a namorada ou de - talvez, - lutar por ela. Isto porque o livro centra-se muito em Tessa e Hardin, o que, não é mau mas, não cria o livro perfeito. A conclusão, contudo, está óptima, não mudava um ponto.
Outros títulos da colecção: 
*After 
*After - Depois da Verdade
*After - Depois do Desencontro 
*After Ever Happy 

*Before


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