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Sinopse: Quentin Jacobsen e Margo Roth Spiegelman são vizinhos e amigos de infância, mas há vários anos que não convivem de perto. As suas personalidades não podiam ser mais opostas e foram justamente a irreverência e o espírito de aventura de Margo que sempre seduziram um Quentin muito mais tímido e reservado. Agora que se reencontraram, nas vésperas do baile de finalistas da escola que ambos frequentam, as velhas cumplicidades são reavivadas, e Margo consegue convencer Quentin a segui-la num engenhoso esquema de vingança. Mas Margo, sempre misteriosa, desaparece inesperadamente, deixando a Quentin uma série de elaboradas pistas que ele terá de descodificar se quiser alguma vez voltar a vê-la. Só que, quanto mais perto Quentin está de a encontrar, mais se apercebe de que desconhece quem é verdadeiramente a enigmática Margo. 

Opinião: Primeiro que tudo, eu adoro a escrita de John Green, sobretudo a forma como ele, de alguma maneira, consegue chegar até aos adolescentes e àquilo que é ser um verdadeiro adolescente porque, acreditem, que já li, e certamente que o mesmo já aconteceu a alguns de vós, lerem algum um livro sobre a perspectiva de um adolescente mas que soa a forçado, como se o autor não soubesse o que é ser um adolescente, ou porque se esqueceram. 
Li um artigo, algures, que afirmava que John Green não entendia, de todo, os adolescentes, porque todas as suas personagens parecem mais maduras do que os verdadeiros adolescentes, quase como se fossem adultos. John Green deu a resposta de que: os adolescentes não são burros. E eu concordo plenamente com ele. Em Cidades de Papel há mostras, bastante claras, da estupidez adolescente, mas há igualmente uma noção de vulnerabilidade e profundidade emocional que muitos rapazes ou raparigas de dezassete anos têm porque nem todos têm e passo a citar: «a profundidade emocional de uma colher de chá». 
Quando comparamos Cidades de Papel com outros livros de John Green (os que eu li) como A Culpa é das Estrelas ou À Procura de Alaska, Cidades de Papel assumiu o primeiro lugar, à frente de À Procura de Alaska e A Culpa é das Estrelas. Cidades de Papel adquire um tom cómico com as personagens de Ben, Radar e Quentin e não consegui parar de rir em algumas das cenas que, digo com toda a confiança, são brilhantes. E, uma das coisas mais geniais que John Green fez com Cidades de Papel, foi criar esta imagem de Margo, cujo amor e devoção de Quentin passa facilmente para o leitor, para depois nos mostrar uma rapariga um tanto ou quanto egoísta, revelando o verdadeiro significado do que é ser uma "Rapariga de Papel". Qual é a linha que separa a imagem que temos de uma pessoa daquilo que ela verdadeiramente é? O que é que Quentin amava? A rapariga ou a imagem que tinha dela? Há esse conflito durante, grande parte do livro e, quantos de nós já não passaram por isso? Amar a imagem que se tem, ou Amar a pessoa? O que é que fazemos quando a pessoa não corresponde às nossas expectativas? Isso também é extremamente bem traduzido na relação entre Quentin e Ben e àquilo que o primeiro esperava do segundo e vice-versa e à imagem de Lacey e ao que a rapariga acaba por ser: uma rapariga doce e prestável. 
Cidades de Papel quase que acaba por ser um mistério, com as pistas deixadas por Margo e John Green fez um óptimo trabalho a dar-me cabe do juízo porque na parte em que Whitman, no poema diz, qualquer coisa como: encontrar-me-às debaixo das tuas botas, referindo-se a uma das muitas metáforas mas, mais concretamente à erva, como aconteceu com a porta eu pensei que Margo referia-se DE UMA FORMA LITERAL e que a morada do sítio onde ela se encontrava estava debaixo das botas de Quentin e acreditei piamente nisso até ao encontro com Margo que se revelou um tanto ou quanto decepcionante porque, ela não queria ser encontrada, as pistas eram para que Quentin "ficasse" com o sítio dela, o centro comercial sinistro, uma espécie de herança.  
Admito que há algumas partes a roçar o aborrecido, sobretudo as cenas com os pais, mas confesso, por motivos mais pessoais, mas são poucas e passam depressa. O início é "chocante", com o aparecimento do morto e uma das minhas partes preferidas é certamente a viagem de carro, nas últimas páginas. É rir do princípio ao fim. E uma das melhores aptidões de John Green são os diálogos que oscilam entre o divertimento e a introspecção, sobretudo no final, com o encontro de Margo e Quentin em que, deixei de ler toda a conversa como um "diálogo" e mais como se eles fossem um só, uma espécie de narrativa, como o poema: Quentin tornou-se Margo e Margo tornou-se Quentin, achei que naquele momento, eram um só, a contar exactamente a mesma história, um momento que nos faz pensar sobre as cidades de papel e as pessoas de papel e não vi linha entre os dois, quase como se não houvesse nada que os separasse. 
É uma leitura excelente, é divertida, não é, de todo, lamechas. John Green, captura na perfeição o que é ser jovem e ter dúvidas e ser obrigado a fazer escolhas porque, no fundo, quer queiramos ou não, aceitemos ou não, Margo e Quentin fizeram uma escolha, como Ben e Radar, e Lacey, fizeram e em Cidades de Papel, ao contrário de A Culpa é das Estrelas e À Procura de Alaska, encontrei muitas verdades que são facilmente relacionáveis.




Outros títulos do autor: 
*Cidades de Papel
*A Culpa é das Estrelas
*À Procura de Alaska
*Will Grayson, Will Grayson
*Teorema de Katherine


Por Raquel Pereira

Sinopse: Percy está prestes a começar o ano letivo numa escola nova. Ele já não esperava que essa experiência fosse muito agradável, mas quando teve de enfrentar um esquadrão de líderes de claque tão esfomeadas quanto demoníacas, imediatamente se apercebeu que tudo podia ficar muito pior.
Nesse quarto volume da série Percy Jackson, o tempo está a esgotar-se e a batalha entre os Deuses do Olimpo e Cronos, o Senhor dos Titãs, está cada vez mais próxima. Mesmo o acampamento dos meio-sangues, o porto seguro dos heróis, torna-se vulnerável à medida que os exércitos de Cronos se preparam para atacar as suas fronteiras, até então impenetráveis. Para detê-los, Percy e seus amigos semideuses partirão numa jornada pelo Labirinto — um interminável universo subterrâneo que, a cada curva, revela as mais temíveis surpresas.


Opinião: Se eu achei que em A Maldição do Titã o desenvolvimento emocional e o conflito evoluíram, quando comparado com os outros dois volumes anteriores, em A Batalha do Labirinto, eles explodem, literalmente. É, até agora, o meu preferido e adorei cada página
Está muito melhor desenvolvido do que A Maldição do Titã no que toca à relação com os livros anteriores. Há sempre pormenores que nos escapam, mas ao contrário do que aconteceu com o volume anterior, que pareceram sub-desenvolvidos ou pessimamente mal explorados, aqui fazem completo sentido, um dos exemplos foi a missão secreta de Clarisse, que foi referida apenas brevemente, sem ter sido dada importância, ninguém sentiu a sua falta, mas que neste volume ganha uma maior relevância. 
Se há alguma coisa que posso criticar é a personalidade dos heróis mas é algo dúbio porque a personalidade de cada um deles é, igualmente, o que me faz continuar a ler, para além da história em si. Por exemplo, Percy Jackson, continua a colocar a vida dos amigos nas suas mãos: Eu faço isto ou se não fizer, os meus amigos morrem. Eu confesso que são cenas, ora divertidas, ora de tensão, mas já era altura do rapaz aprender a não colocar a vida de outros nas suas mãos.
Começamos de uma forma familiar. É o início de verão e Percy rebenta com mais uma escola MAS, desta vez há uma surpresa agradável: Rachel Elizabeth Dare. FINALMENTE, percebemos qual é o papel que a rapariga mortal - cheguei seriamente a ponderar se ela seria ou não uma verdadeira mortal, apesar de a espada de Percy não a ter morto, pensei que podia ser uma coisa rara, ou algo do género. Na história de Teseu e o Minotauro, ele consegue orientar-se através do Fio que a rapariga mortal, Ariadne, lhe deu, mas, na realidade, ele só conseguiu orientar-se porque as Mortais, capaz de ver através da Névoa, são as únicas que consegue orientar-se modo-GPS, pelo Labirinto, evitando as coisas más que por lá andam, o que eu achei muito inteligente, uma reviravolta na mitologia. A verdade é que gostei da personagem de Rachel e do que ela representa: os heróis por vezes, em casos raros, precisam da ajuda de uma simples mortal, coisa que custou admitir a Annabeth.
A relação Percy-Annabeth-Rachel-Luke é mais intensa, há ciúmes, há uma maior necessidade de convívio, as hormonas começam realmente a entrar em ação e, no início fiquei toda empolgada com o "encontro" de Percy-Annabeth, mas claro que não ia acontecer porque Rick Riordan adora colocar monstros a atacar o pobre rapaz logo no primeiro capítulo. E, por falar nos monstros, em cada volume parece que eles ficam mais "monstruosos" e realmente assustadores.
Uma das minhas parte preferidas é, sem dúvida, o Labirinto e a história de Dédalo/Quintus. Fiquei sem saber muito bem se Quíron sabia a verdadeira identidade de Dédalo, ou não. Isto porque no início Quíron é um tanto ou quanto evasivo no que toca ao novo professor na Colónia dos Mestiços. Mas o seu final foi para o previsível a partir do momento em que ele afirma que o Labirinto está ligado à sua vida, pelo que conclui que para o Labirinto ser destruído, Dédalo teria de morrer. Não deixou saudades. Aqui, há que concordar com Clarisse que ganhou uma nova imagem aos meus olhos com a sua preocupação/relação com Chris.
Uma das minhas maiores surpresas foi o facto de Grover, o sátiro, ter uma namorada, a Júniper. Uma prova que, os volumes passam e os personagens continuam a crescer e a evoluir mesmo que não haja um livro para o provar. Júniper é um tanto ou quanto chorosa e o Conselho dos Anciãos dos Cascos Fendidos, um bando de velhos sátiros gordos. Mas , sempre foi um dos maiores mistérios e perguntava-me se iríamos ter notícias do velho deus da natureza. A sua "partida" (?) foi comovente, a forma como se dirigiu a cada um (excepto Nico) e deu, de algum modo, um poder a Grover - o poder de gritar para afugentar os monstros (já era tempo de ser verdadeiramente útil).
Nico é um dos personagens mais interessantes. Não só por ser o filho de Hades e ter um conjunto de poderes, um pouco mórbidos, mas vamos admitir, um tanto ou quanto para o espetacular, mas por ser o único - para além de Annabeth, - que lida com algum tipo de conflito interior - a morte de Bianca. Sinceramente, pensei que a rapariga iria voltar e que o facto de ele não a ver significava que não estava morta porque: para onde foi o corpo? O isolamento de Nico da restante "comunidade", mesmo na Colónia onde não tem uma cabana, deixou-me triste. Não há espaço para ele, é o que disse Hera, apeteceu-me bater-lhe. 
Uma das coisas que, por outro lado, me deixou mais confusa foi a questão de Annabeth e do seu nascimento. Atena é uma das deusas virgens, pelo que os seus filhos nascem dos seus pensamentos. Pergunto-me como é que o pai de Annabeth acreditou que a criança era dele se nunca teve nenhum tipo de relação sexual com a mãe dela, mas deixemos essa parte de lado por momentos e vamos falar do beijo de Annabeth e Percy. 
Eles beijaram-se, no entanto, em nenhum ponto do livro, Percy voltou a mencionar/pensar no assunto, exceptuando uma única vez. E a cena de Calipso, irritou-me bastante porque ele pensou "ela vai ser o meu maior «e se»". Como é que ela vai ser o teu maior e se?! Ela limitava-se a rir das piadas dele e a plantar. Não dizia nada sobre si e era bonita. Como é que isso é um «e se»? O mesmo para Annabeth e Luke. Eu sei que o amor não tem idade mas, em O Ladrão de Raios Annabeth não tinha tipo 12 anos e Luke 19 anos? O que faz com que agora ela tenha 14/15 e ele 21/22?! Eu sei que eles eram amigos mas vamos colocar as questões na mesa, eu não julgo ninguém, para uma história catalogada como "para crianças" é uma situação um bocadinho para o anormal. A não ser que seja amor platónico, mas Luke parecia realmente interessado nela antes de virar Crono, o que foi outra cena, chocante, para não dizer mais.
A luta no final foi um tanto ou quanto anti-climática, não houve nenhuma morte ao nível dos protagonistas, não houve um banho de sangue, como seria de esperar, foi tudo muito soft, pelo que provavelmente no próximo e ÚLTIMO volume as coisas vão aquecer. Mas uma das coisas que mais me irrita é o facto de os titãs, os mauzões, poderem intervir enquanto que os deuses deixam tudo nas mãos dos heróis em vez de tirarem o c* do Olimpo e agirem. Por exemplo, Hera estava mais preocupada com a família perfeita e Afrodite com uma história trágica de amor, blá, blá. Porque é que eles não podem agir a não ser quando os monstros lhes baterem à porta?
É completamente viciante, confesso, não estava à espera de gostar desta maneira, as expectativas não estavam muito altas, mas dei por mim imersa no mundo de Percy Jackson e recomendo realmente a toda a gente, qualquer que seja a faixa etária. É divertido, é leve, principalmente no início, e é educativa porque mesmo sem querer, aprendemos uma coisinha aqui e ali sobre mitologia grega. 


Outros títulos da colecção Percy Jackson
*Percy Jackson e o Ladrão do Olimpo 
*Percy Jackson e o Mar de Monstros
*Percy Jackson e a Maldição do Titã
*Percy Jackson e a Batalha do Labirinto
*Percy Jacson e o Último Olimpiano

Outros títulos da colecção Heróis do Olimpo:
*O Herói Perdido
*O Filho de Neptuno
*A Marca de Atena
*A Casa de Hades
*O Sangue do Olimpo

 Outros títulos da colecção Magnus Chase: 
*Magnus Chase and the Gods of Asgard: The Sword of Summer

  



Por Raquel Pereira

Sinopse: Em quase todos os lares de feiticeiros há um exemplar do livro Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los. Agora, apenas por um período limitado, os Muggles também têm oportunidade de descobrir onde vive o Quintaped, o que come o Puffskein e porque razão é melhor não deixar leite no quintal para o Knarl. 
Os lucros obtidos com a venda deste livro reverterão a favor da instituição de solidariedade Comic Relief, o que significa que os Euros ou Galeões que tu gastares ao comprá-lo produzirão um efeito mágico superior aos poderes de qualquer feiticeiro. Se achares que esta é uma razão insuficiente para gastares o teu dinheiro, só espero que nenhum feiticeiro seja menos caridosos se um dia te vir a ser atacado por um Manticore. 

Albus Dumbledore

Opinião: Não consigo expressar por palavras a minha felicidade quando, numa ocasional e habitual visita à Bertrand, encontrei Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los. Eu passeava calmamente a ver as novas edições do Harry Potter à procura dos próximos livros do Percy Jackson, quando vejo este tesouro a gritar o meu nome. Isto porque, não sei se para outras pessoas aconteceu o mesmo mas eu NUNCA, repito, NUNCA, fui capaz de encontrá-lo nas livrarias, quaisquer que elas fossem. Era uma coisa rara e diziam-me que nunca havia, que nunca tinha sido publicado, que não sabiam o que era. No que toca a Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los, obtive todas as respostas que se pode obter quando se pergunta por um livro EXCEPTO: está aqui. 
Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los é uma compilação divertida da quantidade de Monstros e não Seres (há a distinção) que habitam o mundo de Harry Potter, alguns muito, muito, familiares e a forma como se relacionam com o mundo dos Muggles, um dos exemplos, para minha surpresa foi: O MONSTRO DE LOCH NESS!
É um livro divertido, com um prefácio escrito por Albus Dumbledore, e com montes de desenhos e notas de Ron Weasley, Hermione Granger e Harry Potter e só posso dizer o quão nostálgico foi, ainda que por um bocadinho porque o livro não é grande, regressar ao extraordinário universo que J.K.Rowling criou e que marcou de forma permanente a minha infância. 




Outros títulos da colecção
*Harry Potter e a Pedra Filosofal - adaptação cinematográfica: aqui
*Harry Potter e a Câmara dos Segredos - adaptação cinematográfica: aqui
*Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban - adaptação cinematográfica: aqui.
*Harry Potter e o Cálice de Fogo - adaptação cinematográfica: aqui
*Harry Potter e a Ordem da Fénix - adaptação cinematográfica: aqui
*Harry Potter e o Príncipe Misterioso - adaptação cinematográfica: aqui
*Harry Potter e os Talismãs da Morte - adaptação cinematográfica aqui e aqui
*Harry Potter and the Cursed Child

*Os Contos de Beedle, O Bardo
*Animais Fantásticos e Onde Encontrá-los - adaptação cinematográfica aqui.
*Quidditch Através dos Tempos

Outros livros da autora

*Morte Súbita
*Very Good Lives



Por Raquel Pereira

Sinopse: Quando Percy Jackson recebe uma ligação urgente e aflita do seu amigo Grover, imediatamente se prepara para a batalha. Sabe que vai precisar de todos os seus poderosos aliados semideuses a seu lado, a sua confiável espada de bronze e...a ajuda da sua mãe. 
Os semideuses correm em seu auxílio e descobrem que Grover fez um importante achado: dois poderosos meio-sangues, Bianca e Nico di Angelo, cujo parentesco é desconhecido. Mas não é só isso que os espera. O titã Cronos criou a sua mais traiçoeira estratégia até agora, e os jovens heróis caíram como presas. 
Mas não são os únicos em perigo. Um antigo monstro - que dizer ser tão poderoso que poderia destruir o Olimpo - ressurgiu e Artemis, a única deusa que parece saber como combatê-lo está desaparecida. Percy e os seus amigos juntam-se aos Caçadores de Artemis e têm apenas uma semana para encontrar a deusa desaparecida e desvendar o mistério sobre este terrível monstro. Pleo caminho eles enfrentarão o seu mais perigoso desafio: a petrificante profecia da maldição do titã. 

Opinião: Eu adorei Mar de Monstros, mas a Maldição do Titã tem uma qualidade superior. É a típica evolução dos livros para crianças - começa de forma infantil, mas à medida que os protagonistas crescem, o conflito e as emoções aumentam, o mesmo aconteceu para Harry Potter e o mesmo acontece para Percy Jackson. As hormonas começam a aparecer e as emoções, outrora diluídas numa nuvem de infantilidade, começam a ficar ao rubro e é extremamente divertido ler as passagens onde os pensamentos de Percy se revoltam contra as suas emoções de adolescente (agora com 14 anos). Mas, não há só uma evolução ao nível das emoções/conflito, o mesmo acontece com a própria mitologia e a forma como está intricada com o dia-a-dia dos protagonistas porque, penso que, pela primeira vez,  podemos conhecer todos os deuses principais do olimpo e confesso, nem todos são agradáveis à primeira leitura, e outros são uma total surpresa (boa).

Como referi, a mitologia começa a ficar realmente interessante e adorei a forma como Rick Riordan abordou Artémis e as Caçadoras e, sem dúvida, que Zoe é uma das personagens mais interessantes que passou pelos três volumes, não só pela sua personalidade forte, ao nível de uma Isabelle Lightwood mais nova, mas pelo seu passado não tão feliz quanto isso e, apesar de "desconfortável" foi mais ou menos interessante ver a sua reação algo sexista perante a mera existência do sexo masculino. Artémis lembrava-me constantemente uma versão da Sailormoon pelo que adorava a sua presença, mas não conseguia parar de imaginá-la como um desenho animado.
Por outro lado, uma das personagens que pensei que iria ser mais do que interessante, mostrou-se nada mais do que um desapontamento - Tália. Não gostei particularmente das suas tiradas, ou da sua personalidade, mas, por algum motivo, ela acabou por se prender a mim. O meu desgosto inicial provavelmente passou pelo facto da leitura ser tão concentrada em Percy e nas suas emoções e, quando percebi isso, começou a crescer uma lenta, muito lenta, afeição por Tália e às suas peculiaridades, pelo que o final, quando ela se torna uma caçadora foi uma surpresa.
Em Percy Jackson há sempre uma profecia, é inevitável. E começo, sinceramente, a odiar as profecias. Não só porque deixam-me na expectativa, mas porque são macabras sempre rodeadas de morte. Penso que Maldição do Titã foi o primeiro livro onde um que pertence ao núcleo dos protagonistas morre. Não estou a falar somente de Zoe, mas também de Bianca di Angelo. Aliás, fiquei sem saber se Bianca morre ou não porque penso que a profecia dizia que ela iria ficar "presa" ou "perdida" no deserto sem água, ou qualquer coisa do género, pelo que fica a esperança que ela regresse, apesar de não fazer falta. Não gostei do seu aparecimento. Não gostei da sua decisão de, "ah e tal, tomei conta dele a vida toda, pelo que posso abandoná-lo". Foi egoísta, digam o que dizerem. Não me fez amá-la enquanto personagem. Já Nico, é uma história diferente. Calculei que houvesse uma possibilidade de Hades ter filhos, mas com o nome "Angelo", não pensei que fossem eles, pelo que foi uma surpresa boa, além de que a relação com o Casino Lotus do Ladrão de Raios foi INCRÍVEL e adorei e fiquei quase aos saltinhos na cama quando percebi, finalmente, a ligação.
Um dos pontos menos bons do livros é a apresentação de personagens que apareceram no Mar de Monstros mas a que ninguém prestou atenção, ou pelo menos eu, como Blackjack e, por muito que ache piada, preferia que não houvesse uma conversa interna com Percy ou, pelo menos, que eles não parecessem uma cambada de adolescentes com 15 anos de idade, o mesmo para as estátuas gigantes para Zeus junto da barragem.
Os deuses foram uma total surpresa, principalmente Apolo e foi, provavelmente, uma das aparições que menos gostei pela falta de "emoção", gostei apenas dos seus haiku. Para ser sincera ele pareceu-me um personagem sem conteúdo absolutamente nenhum, o que é uma pena, ao contrário da sua irmã, Artémis. Uma das deusas que mais confusa me deixou, sem saber o que pensar por achá-la uma tontinha, é Afrodite. Primeiro, não percebi, de todo, a sua aparição e o porquê de ela ter mandado Blackjack. Fê-lo porque aprecia uma boa trágica história de amor? Eu sei que há a possibilidade de uma relação entre Percy e Annabeth, tanto que quando a viu, Percy achou que Afrodite (deusa do amor) lembrava-lhe Annabeth, mas seria só por isso? E não percebi a relação com o lenço de Afrodite que Percy encontrou no Aqualand. São ligações que acho que podiam ter sido muito melhor exploradas.
Mas a deusa que foi uma total e completa surpresa foi Atena - fria e calculista. E, por muito que quisesse o contrário, nenhum dos deuses pareceu minimamente interessado nos filhos e, por muito que odeie concordar com Luke, os heróis são somente peões. Para além desses (em quantos já vamos?) o Senhor D, ou Dionísio começa, finalmente a transformar-se numa personagem diga de chamar-se "personagem". Um dos seus melhores momentos é quando trata Percy pelo nome e quando ele o reconhece, o Senhor D corrige-o tratando-o por Peter Johnson. Tocou no coração. E Pã, temos finalmente uma pista de Pã!
Por outro lado, os mortais começam a ganhar destaque, não apenas Sally, a mãe de Percy que acho que, nunca apareceu tantas vezes, como de Rachel Elizabeth Dare. A rapariga da barragem deixou-me com a pulga atrás da orelha e, sem dúvida, com uma enorme vontade de saber mais sobre ela, pelo que não tenho dúvidas que vai aparecer nos próximos volumes - além de que o diálogo com Percy foi uma coisa de outro mundo.
A Maldição do Titã tem óptimos pontos fortes que incluem o desenvolvimento das emoções e do próprio conflito, mas também tem alguns pontos fracos como a relação quase forçada com os últimos dois, havendo personagens que podiam ter sido muito melhor desenvolvidas e outras que ficaram AINDA por desenvolver, como Grover que, por muito estranho que possa parecer, continua quase sempre de lado e não consigo vê-lo como uma personagem forte, quando comparado com Zoe ou Tália que não foram tão importantes nos últimos dois volumes, pelo que Grover, enquanto um dos três protagonistas iniciais (Percy, Grover, Annabeth), já se devia ter estabelecido como personagem forte e não apenas presente. Por outro lado, ao contrário de Ladrão de Raios e Mar de Monstros, A Maldição do Titã começa perto do Inverno, pelo que há o conhecimento da Colónia durante esse período do ano e há uma maior interação com outros personagens de outras casas que não têm para onde ir, ou é demasiado perigoso para eles como Silena, filha de Afrodite, que me despertou em muito, a atenção com a sua relação tumultuosa com as Caçadoras de Artémis e a sua não adesão ao amor.


Outros títulos da colecção Percy Jackson
*Percy Jackson e o Ladrão do Olimpo 
*Percy Jackson e o Mar de Monstros
*Percy Jackson e a Maldição do Titã
*Percy Jackson e a Batalha do Labirinto
*Percy Jacson e o Último Olimpiano

Outros títulos da colecção Heróis do Olimpo:
*O Herói Perdido
*O Filho de Neptuno
*A Marca de Atena
*A Casa de Hades
*O Sangue do Olimpo

 Outros títulos da colecção Magnus Chase: 
*Magnus Chase and the Gods of Asgard: The Sword of Summer

  


Por Raquel Pereira

Sinopse: O ano de Percy Jackson foi surpreendentemente calmo. Nenhum monstro se atreveu a colocar os pés no campus da escola em Nova Iorque. Mas quando um inocente jogo do mata entre Percy e os seus colegas se transforma numa disputa mortal contra um grupo de gigantes canibais, as coisas ficam...digamos, complicadas. E a inesperada chegada da sua amiga Annabeth traz mais más notícias: as fronteiras mágicas que protegem a Colónia dos Mestiços foram envenenadas por um inimigo misterioso e, a menos que encontrem uma cura, o único porto seguro dos semideuses tem os seus dias contados.

Opinião: Percy Jackson, para minha completa surpresa, está a tornar-se numa daquelas séries que tenho de saber imediatamente o que é que acontece depois, que provoca aquela sensação no estômago de estar completamente submersa no livro e no mundo de Rick Riordan.
Mar de Monstros é infinitamente melhor do que O Ladrão de Raios, na minha opinião. Talvez por não ser o primeiro livro, porque em O Ladrão de Raios  não sabia muito bem no que é que me estava a meter, é verdade que tinha ideias pré-concebidas devido ao filme que nem em cem anos faz jus ao livro, mas o primeiro ficou aquém das minhas expectativas.
AGORA, o Mar de Monstros foi uma completa surpresa, cada pedacinho de tempo que tinha era passado a ler. Neste volume, a parte mitológica é muito bem explorada, é feita de uma forma mais calma e descritiva. Uma das "falhas" de O Ladrão de Raios era a falta de emoção, completamente ultrapassada em Mar de Monstros onde há um maior apelo à parte emotiva, com novas personagens que são uma total surpresa, mas também pelo próprio desenvolvimento dos principais protagonistas, não só de Percy Jackson como de Annabeth e Luke.
Ao contrário do que aconteceu com O Ladrão de Raios onde as comparações com Harry Potter eram obrigatórias, não podia simplesmente deixá-las de lado, em o Mar de Monstros as similaridades estão mais esbatidas, não só pela habituação aos personagens e mundo, mas pela originalidade e a própria diferença da escrita de Rick Riordan.
Primeiro que tudo, Grover. Em o Ladrão de Raios ele deixa Percy  e Annabeth e toda a Colónia dos Mestiços para encontra Pã e acaba, de algum modo, por chegar à ilha do ciclope Polifemo e convence-o de que é uma fémea Cíclope com um vestido de noiva. Grover passou quase todo o volume a fazer e a desfazer um vestido, atrasando o casamento para que Percy o viesse ajudar, através de uma ligação um tanto ou quanto para o mortífera, deixem-me dizer e ficamos finalmente a perceber o porquê de nunca nenhum sátiro ter encontrado Pã porque de uma maneira ou de outra acabavam sempre por ir dar a Polifemo e à sua ilha pseudo-paradisíaca com ovelhas carnívoras. Pergunto-me se em algum dos volumes iremos descobrir o que raio aconteceu a Pã? Mas esse foi um dos pontos que mais me fez rir durante a leitura.
A árvore de Tália, filha de Zeus, é envenenada e é mais ou menos aí que começa a verdadeira história: a procura por uma cura, pelo envenenador e, desde o início que a minha aposta era em Luke, pelas experiências passadas, coisa que se veio a confirmar.
Uma das coisas que mais gosto em Percy Jackson é a forma como Rick Riordan dá a volta à mitologia grega e transforma-a em algo apetecível. Por exemplo o Tosão de Ouro que pode curar a árvore de Tália, o Mar de Monstros com a Cila e a outra cuja nome não me lembro, o Spa de Circe, o carro fantasmagórico com as três velhotas só com um olho, Tântalo, cujo nome não me era desconhecido de outros livros, ("Predestinados, Sonhos Esquecidos e Deusa de Josephini Angelini"), e até aos próprios deuses como Ares, o deus da guerra, até Hermes, o deus dos ladrões, como é mais conhecido.
Foi Hermes que, ao início, recuperou a minha fé nos deuses porque com o aparecimento de Tyson, o ciclope-meio-irmão de Percy, fiquei realmente zangada. Tyson é tão querido, prestável e leal que não percebia porque é que Posídon o deixou nas ruas, sozinho, sem ninguém. Tyson é grande parte do "bolo emocional" que há em Mar de Monstros pelo preconceito a que é submetido não só pelos mestiços que nos são desconhecidos na Colónia mas também por parte de Annabeth que diz que os ciclopes são erros e blá, blá, blá e demoramos ainda umas boas páginas até perceber o porquê da sua irritação, o que me irritou bastante porque cada vez que a Annabeth fazia um trejeito de nojo para Tyson eu queria bater-lhe. O mesmo para Percy e para os seus problemas existenciais com Tyson.
Como já disse, houve um "melhoramento exponencial" na componente emotiva dada a Mar de Monstros quando comparado com O Ladrão de Raios, não só com a personagem de Tyson, mas também com a personagem de Annabeth e a sua luta por fazer o que é certo e vemos isso muito bem com a passagem pela Ilha das Sereias e aquilo que ela, no fundo mais deseja, que é os pais juntos e Luke a salvo, sem nenhum tipo de malícia, e podemos ver também a luta de Annabeth em tentar ser a melhor pessoa possível e não se deixar dissuadir pela visão de Luke do que pode ser a vida com o regresso de Cronos ao poder. Por outro lado, a ligação entre Percy e Annabeth está mais forte e podemos ver que trabalhavam efetivamente como uma equipa e são melhor juntos do que separados e começa a haver pequenos pontos para uma possível relação futura o que é adorável.
O final foi um tanto ou quanto surpreendente. Tália está de novo viva e, apesar de não aparecer, foi uma personagem sempre presente porque é a representação do antigo trio que suportou Annabeth quando ela fugiu de casa: Annabeth-Luke-Tália e, sendo filha de Zeus podemos pressupor que a profecia pode ser em relação a ela ou a Percy e pergunto-me se não haverá por aí um filho ou filha de Hades.
Mar de Monstros é viciante, deixou-me completamente ansiosa por ler o próximo. Quero saber qual é exatamente a ligação entre Percy e Cronos, o que é que um dos filhos dos três grandes pode fazer ou que poder tem sobre o Olimpo, quero saber o que raio vai acontecer a Luke, quero conhecer o passado de Quíron se ele, por ser filho de Cronos fez alguma coisa de que se arrepende, quero saber onde está Pã quase com a mesma vontade de Grover. E, mais do que tudo, quero perceber porque é que os deuses agem como uns parvos, basicamente, exceptuando Hermes que, pelo menos, dá mostras de gostar do filho por mais malvado que ele seja.
Não há pontos negativos em relação ao livro, para mim foi muito melhor que O Ladrão de Raios, muito bem explorado em termos de personagens e apesar de continuar a ser um livro catalogado como "Livro para Crianças" acho que consegue apelar, exatamente do mesmo modo, a um adulto, falo por mim. Mal posso esperar por deitar as mãos ao Maldição do Titã. Dei-lhe 5 estrelas no Goodreads. 


Outros títulos da colecção Percy Jackson
*Percy Jackson e o Ladrão do Olimpo 
*Percy Jackson e o Mar de Monstros
*Percy Jackson e a Maldição do Titã
*Percy Jackson e a Batalha do Labirinto
*Percy Jacson e o Último Olimpiano

Outros títulos da colecção Heróis do Olimpo:
*O Herói Perdido
*O Filho de Neptuno
*A Marca de Atena
*A Casa de Hades
*O Sangue do Olimpo

 Outros títulos da colecção Magnus Chase: 
*Magnus Chase and the Gods of Asgard: The Sword of Summer

  



Por Raquel Pereira



Opinião: Se formos comparar com outros livros do mesmo género, incluindo os inúmeros romances de Nicholas Sparks já adaptados ao grande ecrã, Uma Vida a Teu Lado é, provavelmente, uma das piores adaptações, MAS ESPEREM, isto porque as parecenças não só em termos de conteúdo mas a níveis práticos quando comparada a relação entre personagem-história, é muito fraca porque aquilo que li nas muitas páginas, não foi, muitas vezes de forma nenhuma, transcrito para o ecrã, muitas delas, cenas chave. 
Mas a verdade é que, quando visto sem essa componente, o filme acaba por ser de uma enorme qualidade, especialmente no que toca às interpretações que foram fantásticas além de que possibilitou uma exploração muito melhor da relação entre Ruth e Ira, porque Ruth no filme acaba por ter um maior impacto. Não é somente alguém que aparece e que muda consoante as lembranças mas está efetivamente lá e podemos sentir os conflitos, não é apenas contado. 
Por outro lado, um ponto do filme que acho que devia ter estado presente nos livros é a relação que se estabelece entre Ira e Sophia, visível no próprio trailer que estranhei aquando a leitura porque eles não trocaram mais do que duas frases. 
Eu compreendo que, para uma adaptação é preciso cortar, remendar, fazer o que for para que a história continue com a sua essência, mas houve momentos chave, momentos de tensão, que foram muito mais aprofundados no livro, entre os quais o momento em que Sophia vê no Youtube o vídeo de Luke com Rango aka Bicho Grande
Aliás, Sophia, no livro, nunca assistiu a nenhuma das competições de Luke, a não ser a primeira onde se conheceram, e pouca ou nenhuma atenção lhe deu, pelo que foi uma surpresa quando vi aquela primeira cena, da troca do chapéus que viria mais tarde a ser uma desculpa para a primeira conversa colocando de fora Brian e ao colocar de fora Brian, coloca de fora grande parte da intriga que mais tarde se desenvolve entre Sophia e Márcia. No que toca à adaptação cinematográfica, concordo que não fosse importante, não quando comparado com a história de Sophia-Luke e Ira-Ruth e percebo a importância da mesma, mas não percebo o porquê da não relação de tensão entre o Luke e a mãe, havendo ao mesmo tempo uma má exploração da situação financeira da família e da necessidade de continuar a ganhar as competições. Ao mesmo tempo, a forma como Sophia soube do problema de Luke, foi um pouco "chocha" e preferi muito mais a versão do livro e do confronto com a mãe quando ela diz aquelas últimas palavras. 


Outros títulos da colecção
*Uma Viagem Espiritual
*O Diário da Nossa Paixão
*As Palavras que Nunca te Direi
*Um Momento Inesquecível - adaptação cinematográfica: aqui
*Corações em Silêncio
*Uma Promessa para Toda a Vida
*O Sorriso das Estrelas
*Laços que Perduram
*A Alquimia do Amor
*Três Semanas com o meu Irmão
*Quem Ama Acredita
*À Primeira Vista
*Uma Escolha por Amor
*Juntos ao Luar
*Um Homem com Sorte
*A Melodia do Adeus
*Um Refúgio para a Vida
*Dei-te o Melhor de Mim
*Uma Vida a Teu Lado - adaptação cinematográfica: aqui
*No Teu Olhar 



Por Raquel Pereira

Sinopse: Uma terrível tragédia familiar leva Jacob, um jovem de dezasseis anos, a uma ilha remota na costa do País de Gales, onde vai encontrar as ruínas do lar para crianças peculiares, criado pela senhora Peregrine. Ao explorar os quartos e corredores abandonados, apercebe-se de que as crianças do lar eram mais do que apenas peculiares; podiam também ser perigosas. É possível que tenham sido mantidas enclausuradas numa ilha quase deserta por um bom motivo. E, por incrível que pareça, podem ainda estar vivas...

Book Trailer



Opinião: Tinha este livro em vista há muito tempo de tal modo que, quando o adquiri, não perdi tempo nenhum e devorei-o num instante. A verdade é que é um livro muito fácil de ler porque há muitas páginas sem texto, preenchidas por imagens ou pela mudança de capítulos, pelo que se lê com muita facilidade. Confesso que, tirando a sinopse, não sabia bem o que esperar, mas a premissa das crianças ainda vivas e de estarem enclausuradas numa ilha deserta chamou-me a atenção. Foi uma surpresa maravilhosa e lê-lo é, por si só, uma experiência única porque nunca, NUNCA, li um livro em que podemos, de algum modo, relacionar as imagens com a própria história e, inclusive, o mais extraordinário, com as personagens.
Ransom Riggs encontrou um conjunto de fotografias, algumas bastante assustadoras, diga-se de passagens e arranjou-as de forma a ter uma história fenomenal para contar que me deixou a salivar por mais. Mas o mais extraordinário, é a franqueza com que retrata as situações, mesmo as passadas, porque uma grande parte do livro, principalmente no início, diz respeito a remanescências a um passado ligado a um avô excêntrico (?) e, apesar de ser um livro maioritariamente concentrado na parte de "suspense" e "o que é verdade e o que não é" há um sentido de realidade, daquilo que acontece na nossa sociedade, nomeadamente com os idosos, e Ransom Riggs consegue-o muito bem com a personagem de Abraham, ou Abe, o avô de Jacob e, apesar de não ter apreciado a desconfiança de Jacob, há também a presença de um sentido de amadurecimento e da transição criança-adulto e do que é que essa transição faz ao nosso imaginário e às pessoas que estão à nossa volta porque, quantos de nós não foram já julgados porque acreditarem em determinada coisa ou adorar dado livro?
Ransom Riggs construiu um conjunto memorável de personagens, nomeadamente as crianças peculiares e a Sr. Peregrine ou Ave. Confesso que não fui muito fã da transformação humana/ave e preferia que a Sr. Peregrine fosse apenas uma humana com o poder de criar as "mutações temporais", mas o resto dos poderes dos peculiares eram fascinantes e adorava as passagens de Emma, Millard, Olive e de Wyn e era-me difícil, por vezes, imaginá-las como crianças, principalmente os mais pequenos, pela forma como falavam. Mas todos eles, sem excepção, tinham traços de personalidade muito bem marcados e adorei cada uma das suas interações com Jacob, principalmente Emma com a sua paixão por Abe (coisa que, confesso, deixou-me um tanto ou quanto desconfortável quase do mesmo modo como deixou a Jacob) e Wyn, com a sua força e poder de resolução dos problemas, mais para o final do volume. Olive era, provavelmente a única que eu conseguia visualizar como uma criancinha adorável. 
O aprisionamento no tempo, durante a II Guerra Mundial deixou-me fascinada, confesso. O vórtice e a perpetuação naquele dia em específico, um dia solarengo com um final abrupto provocado pelas bombas é brilhante porque eu estava à espera de uma coisa completamente diferente - esperava uma casa assombrada com espíritos ou fantasmas e não um vórtice em que uma data de pessoas estão presas num tempo completamente diferente.
Jacob é um óptimo protagonista e nenhuma das suas acções é forçada, pelo contrário. Ransom Riggs consegue transpôr para o papel as emoções que vão desde o encanto ao puro terror. A morte de Abe e a visão do assassino foi muito bem explorada. Normalmente os protagonistas já passaram pela "fase má" e os livros começam a partir daí, ou então dá-se apenas enfoque durante um capítulo ou dois. Mas a forma como Ransom Riggs transfere uma cena para outra, intercalando pelo meio pequenas pistas é brilhante.
A reviravolta com o Dr. Golan era esperada, principalmente a partir de um determinado ponto no livro quando a Sr. Peregrine diz que os errantes podem assumir formas importantes como médicos, político, etc (...) e fiquei a matutar na questão. Mas, nenhuma ideia ou pressuposto tira a magia do livro. Um dos pontos que menos gostei, no entanto, foi a "dada de informação" quase esbofeteada na cara do protagonista e, para mim, mesmo no fim, era difícil a diferenciação entre os errantes e os sem-alma e os propósitos que eles têm de atingir a imortalidade. 
O livro é sim interessante pela parte dos peculiares e, sinceramente, podia ter passado muito bem sem os sem-alma/monstros/errantes. Claro que dá a sensação de perigo iminente, mas podia ser da parte de outros peculiares porque há uns que têm uns poderes um tanto ou quanto assustadores (ressurreição) e, vendo ou não, a própria Sr. Peregrine tem umas atitudes um tanto ou quanto questionáveis (Victor).
É um livro incrivelmente bem conseguido, não só pelo mundo pacato, "rústico" da ilha, e pelas próprias personagens que o habitam, e aqui refiro-me às crianças. Um dos pontos negativos ou, menos bons, é a relação pais-filho que não é tão bem explorada, ou é deixada de parte, vamos dizer assim, e aquando o final, pouca ou nenhuma emoção é transcrita para as páginas, mas , por outro lado, desde o início que vemos um certo grau de desprezo da parte de Jacob em relação aos pais e à situação familiar, quase como se fossem apenas "colegas de casa". Mas, pormenores à parte, é um livro que recomendo, não percam tempo, é óptimo. 



Outros livros da colecção: 
*O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares
*Cidade Sem Alma
*Library of Souls

Por Raquel Pereira

Sinopse: Zara White suspeita que há um indivíduo estranho a persegui-la. Ela é tabém obcecada com fobias. E é verdade que ela não tem estado bem desde a morte do padrasto. Mas exilar-se no frio Maine e ir viver com a avó? Parece algo extremo. É suposto que a mudança a ajude a manter-se sã... mas Zara tem a certeza que a sua mãe, no imediato, é incapaz de lidar com ela.
Não podia estar mais enganada. O perseguidor está longe de ser um produto da sua imaginação. Ele está a persegui-la, deixando atrás de si um estranho rasto de pó. Algo não está certo - não é humano - nesta sonolenta cidade do Maine, e todos os sinais apontam para Zara. 

Opinião: Ao contrário do que aconteceu com Uma Vida a Teu Lado, em que 1 dia bastou para terminar a leitura, pensei, sinceramente, que Desejar, iria passar a voar. Em vez disso, demorei 4 dias, para ler 292 páginas. Porquê? Desejar tem alguns pontos positivos, principalmente lá para os últimos capítulos, mas o início foi, não há outra palavra para descrever, doloroso, principalmente porque a premissa era tão boa e, para ser sincera, a ideia geral é inteligente e adorei. Mas, e há sempre um "mas", houve tantos pontos negativos no início que foram, basicamente, uma espécie de "desmotivador" para o resto do livro. Para mim, um livro "forte" é aquele que prende desde o início, onde, mesmo que exista falhas, não colocam em causa a natureza, a essência da história e, principalmente, a motivação do leitor.
É um livro juvenil? É. Mas há um limite entre ser direcionada para um público jovem e fazer o leitor passar por estúpido. Um dos pontos mais positivos - para além da ideia geral - é as fobias. Zara, a protagonista, para sentir que tem algum controlo sobre as coisas que a assustam, dá-lhes nomes, neste caso, enumera fobias e isso dá, sem dúvida, um tom interessante ao livro, é algo original, pelo menos para mim. Mas depois há cenas que, juro, atirei literalmente o livro contra a secretária. Qual é o estranho que se vira para uma rapariga e diz: "Não quero ofender, mas você está bem? Parece um bocadinho zombie?". Eu percebo que é para passar a mensagem de que ela está apagada depois da morte do padrasto, não reage, não sente nada, mas era sinceramente preciso tamanho diálogo? Mas continua «Você passou o voo todo em piloto automático; a escrever cartas, a salvar o mundo, mas parece uma zombie.»
Para aqueles que adoraram Crepúsculo de Sthephnie Meyer,  podem tentar Desejar, as parecenças (ao início) são mais do que muitas: rapariga pálida, de uma zona solarenga, muda-se para um local frio para viver com outro familiar numa cidade pequenina, é a nova miúda na escola onde não há miúdas novas, recebe um carro novo, recebe as atenções de dois rapazes diferentes que lutam para a levar a casa e afins, sem qualquer tipo de intervenção por parte da protagonista como se ela fosse um pedaço de melancia. Parece familiar? 
Quão ridícula é a personagem de Issie? Eu tentei sentir algum tipo de compaixão pela rapariga, mas ela estar ali ou não era a mesma coisa. É quase uma personagem acéfala. E a forma como Nick e Devyn se relacionam com ela é quase como se tivessem sempre a dar uma palmadinha no ombro da moça por ser da forma como é, que eu aceito, mas quem diz: «Ela prefere ser minha amiga do que da Megan». Falando em Megan é a clássica mazinha da história, mais uma personagem sem conteúdo, sem qualquer tipo de background, sem encanto absolutamente nenhum. Para o romance não é preciso esperar muito. Já na página 45 Zara pensa «Estou apanhadinha». Para aqueles que apreciam uma boa dose de romance juvenil sem nenhum tipo de base, este é o livro a escolher. 
Outro ponto SUPER negativo, é a personalidade de Zara. Numa fase pós Bella, nasceu um lote enorme de livros com protagonistas que não se acham boas o suficiente, que se acham feias e gordas e que não param de repetir, "ele não gosta de mim" ou que não param de perguntar "mas gostas de mim?" "porque gostas de mim?". É irritante e desagradável. Mas, aceita-se quando há algum tipo de evolução, que não se verificou. A única coisa que evoluiu foi o seu pseudo-gosto por Maine, pelos amigos e por Nick.  
A revelação do que o perseguidor, (uma situação muito mal explorada no início do livro), pode ser um pixie é hilariante. Ri muito, enquanto passava por essas páginas, porque não há qualquer preparação. Percebemos logo que Devyn e Issie sabem alguma coisa sobre o assunto, mas a forma como o abordam é muito pobre, quase como se a autora não visse como abordar o assunto de forma casual e portanto resolveu espetar com a informação na cara da protagonista. É, uma informação correta como se vem a descobrir, mas baseada em MUITÍSSIMA pouca informação: ele viaja depressa (não podia ter apanhado o mesmo avião) e deixa pó. Conclusão óbvia? É um pixie. 
Mas o que mais me irritou, para além da parte do "limite entre juvenil e estupidez", foi o pouco realismo, até nas aulas, nomeadamente na aula de Artes Plásticas em que a professora chama a atenção de Zara, PELO NOME, mas depois diz: «Vamos deixar o Nick E A MIÚDA NOVA em paz». Qual é a professora que tem a desconsideração de tratar uma aluna por MIÚDA NOVA? Mas, passando esta parte, os diálogos interiores que são para lá de infantis, não havia maneira de interlaçar o que ela diz com os pensamentos? Ninguém, numa situação de perseguição, resmunga para as árvores e fala em voz alta, pelo que provavelmente seria mais proveitoso fazer uma avaliação da situação de forma mais introspectiva. O mesmo para quando ela cuida do cão/Nick. Os diálogos infantis foram para rir, numa situação que devia ser tensão.  
Nick é obviamente o metamorfo, que se transforma em lobo ou cão, o que for. Desde o início que há a menção aos cheiros da floresta e a cão, não fiquei surpreendida. O que me deixou surpresa? A quantidade de metamorfos que uma pessoa pode conhecer. A secretária é um urso. A avó é uma tigresa. O amigo é uma águia. O namorado é um lobo. Issie, infelizmente porque podia ter adicionado algum "picante" há personagem, é humana. 
A relação mãe-filha foi um ponto forte e toda a situação com o rei dos pixies. A situação da revelação de Ian e Megan até à situação do Rei dos Pixies cujo nome não me lembro de ler, podiam ter sido mais extensas, muito melhor exploradas, ao invés de passar por um capítulo e pronto. Podia haver muito menos divagações adolescentes sem sentido e muito mais "recheio" porque é uma das melhores partes de Desejar. Toda a situação pixie-rei, e os impulsos, e a relação com o padrasto/pai de Zara e da mãe, e do beijo que suga a alma género Dementor é bastante interessante mas é quase colocado para segundo plano com os devaneios de Zara.
Não gostei. Desejar deixou demasiado a desejar, passo a redundância. A escrita é demasiado infantil. A protagonista é demasiado passiva, mas quando decide fazer alguma coisa, é demasiado estúpida e vai em direcção ao perigo, porque a autora quer mostrar uma mártir, quando nada, nas ações de Zara, mostram essa sua faceta. É quase como que, nos momentos em que a autora quer mostrar um lado heróico de Zara ou um lado mártir ou, até mesmo depressivo, mete uma cena ao acaso, que não condiz com a personalidade que nos é apresentada desde o início, ou mete um diálogo a referir a depressão ou até mesmo o suicídio quando Zara não se encaixa em nenhum dos dois. O que salvou mesmo o livro foi a ideia principal, a relação Zara-mãe, e Zara-padrasto e até mesmo a presença das fobias. 


Outros livros da autora
*Desejar
*Captivate
*Entice
*Endure

Por Raquel Pereira.

O mês de Março foi dedicado a uma série muito específica de Kami Garcia e Margareth Stohl porque reli os dois primeiros livros e como saiu o último da coleção, acabei por querer rever toda a série e lê-los todos seguidos, pelo que não houve espaço para outras divagações. Foi muito centrado no mundo dos Encantadores e dos Íncubos e Gatlin e Lena e Ethan. No entanto, consegui ainda ler, para minha completa surpresa, um romance de quase 500 páginas, que não esperava de todo, não por nunca ter acontecido mas porque estava numa vibe mais dedicada à fantasia.
Portanto, li um total de 6 livros. Nada mau. Mas, como tudo na vida, podia ser melhor.
Para lerem a minha opinião sobre cada um dos títulos, só precisam de clicar sobre o respectivo nome. 

Por Raquel Pereira