Blogs Portugal

Siga por Email



Opinião: Como aconteceu à maioria dos filmes juvenis como Harry Potter e os Talismãs da Morte de J.K.Rowling, Amanhecer de Stephanie Meyer ou o futuro Convergente e Ascendente (?) de Veronica Roth, A Revolta de Suzanne Collins foi dividida em duas partes, sendo que a segundo está a escassas horas de estrear. 
Na maior parte dos casos, faço parte do grupo de pessoas que afirmam que ter o último filme dividido em duas partes não traz benesses para ninguém, salvo raras excepções. No entanto, no caso de A Revolta, como podem ver na opinião do livro homónimo aqui, sou da opinião que o livro podia ter sido muito melhor explorado. Como nas duas opiniões anteriores, aqui e aqui, respectivamente, fui de opinião que os filmes Os Jogos da Fome, ou Em Chamas são um EXCELENTE complemento à leitura e o mesmo aconteceu com A Revolta
A Revolta é um filme parado, à falta de melhor palavra. Sim, admito, há algumas cenas de acção mas, grande parte dele centra-se na instabilidade mental de Katniss - maravilhosamente interpretada por Jennifer Lawrence - e nos conflitos psicológicos entre o Distrito 13 e o Capitólio. 
Pela primeira vez, vemos em primeira mão a dimensão do Distrito 13. As descrições rápidas do livro ganham vida e quase que sentimos o ambiente frio, cinzento e de guerra permanente que se vive. A Presidente Coin - Julianne Moore - personifica cada traço do Distrito 13: frio, cinzento e em guerra. A verdadeira acção, foi deixada para A Revolta - Parte 2 e, A Revolta - Parte 1 é um filme que abre o caminho para a explosão de adrenalina e sofrimento que sabemos que vamos ver. O final de tensão em que somos deixados, evidencia isso mesmo. Isto porque, A Revolta - Parte 1, baseia-se apenas, se não me engano, em 164 páginas. 
Tal como nos seus antecessores, em A Revolta - Parte 1, vemos para lá do interior de Katniss. Enquanto nos dois primeiros filmes, vimos o interior do Centro dos Produtores de Jogos, aqui, vemos as manobras e contra manobras, de Plutarch e de Coin e, é-nos dada um background relativamente à decisão de enviar Katniss para o Distrito 12, onde começa o último livro. O porquê de ela se encontrar ali, em primeiro lugar. E, apesar de ser o primeiro filme sem jogos, a pérola de Peeta, aparece como uma constante lembrança daquilo que nos falta - a presença do filho do padeiro. Para além disso, somos arrastados para o resgate de Peeta, Johanna e de Annie. Estamos lá, não apenas na companhia de Gale e de Boggs, que ganha um novo tom no filme, - mas também na de Finnick. Os saltos espaciais entre os dois, são bem-vindos. 
É um filme pesado. Katniss parece ter, pela primeira vez, a sua idade. A mera visão do Distrito 12 é o suficiente para deixar o espectador perturbado. Ao contrário do primeiro filme que se contentou em mostrar o sangue derramado e não o ataque, em A Revolta - Parte 1, vemos corpos carbonizados, esqueletos, as cinzas daquilo que foram outrora personagens queridas e, pela primeira vez, a luta torna-se pessoal também para nós, espectadores e, citando a Presidente Coin: a revolução diz respeito a todos. O alívio cómico aparece sob a forma de Effie que, ao contrário do que acontece nos livros, está presente e de boa saúde e, é interessante ver a personalidade rebelde da própria personagem a ganhar vida. 
Visualmente, há momentos de cinematografia épica. O meu preferido é, sem dúvida, o momento em que Katniss canta a pedido de Pollux, apoiada pelos mimo-gaios do bosque. A sua voz perde-se lentamente nas vozes dos rebeldes. Katniss é um deles. 
A Revolta - Parte 1, não tendo um conteúdo extenso de acontecimentos permite o desenvolvimento da relação entre os personagens. Como já referi, com Peeta, agora desaparecido, Gale ganha um novo destaque e é óbvio que não há, nem nunca houve, algo parecido com um triângulo amoroso, pelo menos, na minha opinião. É-nos revelado mais da sua personalidade fogosa e insensível que irá ter um impacto tremendo no filme seguinte. Ao mesmo tempo, Prim, Mrs. Everdeen e Haymitch ganham uma nova cor. És a única amiga que tenho aqui
Katniss é uma protagonista defeituosa mas, o espectador assiste de tal modo submerso ao seu sofrimento, que o egoísmo da mesma, passa-nos ao lado, mas Coin e Snow, reconhecem-na pelo que é, alguém que não se importaria de fugir se isso fosse o suficiente para lhe salvar a vida. É alguém que não vê além dos seus interesses egoístas. E, os momentos em que Katniss se revela, são interrompidos por cenas onde homens e mulheres se sacrificam pelo bem maior, pelo que nos esquecemos. 
Como aconteceu em Em Chamas com a arena, em A Revolta - Parte 1, os propos ganham textura. Vejo-os exactamente como Plutarch os descreveu no livro, embora fosse incapaz de os imaginar antes de ver o filme. Gostei igualmente da relação que os mesmos estabeleceram com os espectadores, uma vez que muitos deles, foram lançados meses ou semanas antes do filme estrear. De repente, um livro mal explorado torna-se num filme denso e profundo. Uma adaptação maravilhosa


Outros títulos da colecção
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui aqui


Outros livros da autora
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw


Por Raquel Pereira

Deixe um comentário

Tens uma opinião? 3,2,1 GO