OpiniãoPrimeiro que tudo, qualquer leitor sabe que é difícil passar qualquer livro para o grande ecrã. No caso de uma distopia, como é o caso de Os Jogos da Fome, cuja opinião podem ler aqui, é preciso introduzir as características deste mundo futurístico: apresentar os distritos, as diferenças entre os mesmos, o capitólio e as principais características dos jogos em si: dois jovens, um rapaz e uma rapariga de cada distrito, dos doze aos dezoito anos são oferecidos como tributos para relembrar aos distritos as consequências de uma rebelião. Aqui Os Jogos da Fome, não se alarga. Num texto simples e elucidativo, somos imediatamente apresentados à essência do filme. São explicados o como e o porquê.
Para mim o livro e o filme, complementam-se maravilhosamente, isto porque no filme há uma expansão do mundo que não acontece no livro. Uma das primeiras cenas, apresenta Seneca Crane a anunciar ao mundo os jogos como algo que une os distritos, somos expostos à realidade do Capitólio e, ao mesmo tempo que essa cena termina, somos lembrados com os gritos de uma Prim assustada, a realidade por detrás dos mesmos.
Como já referi anteriormente, ler um livro, especialmente um livro escrito na primeira pessoa, é sempre uma experiência muito introspectiva, no entanto, durante o filme, coisas como, a personalidade de Gale salta à vista e, uma personagem que não foi tão amada por mim durante a leitura, ganha uma nova luz. O mesmo acontece com Effie e Haymitch. O filme permite-nos perceber melhor a complexidade, futilidade e até mesmo crueldade do Capitólio. Para quem leu o livro, os fatos de Effie eram somente coloridos e espampanantes, no filme, ganham textura e vida.
Por outro lado, o desespero e a preocupação de Katniss, interpretada de forma mágica por Jennifer Lawrence, passa com facilidade para o grande ecrã.
Para mim, pessoalmente, um dos aspectos negativos é, sem dúvida, a passagens rápida as imagens no início do filme. Não são apenas imagens rápidas mas, muito mexidas, como se tivessem sido filmadas por amadores. Imagens que retratam uma realidade cruel, de pessoas a morrer à fome, mães a despedirem-se dos filhos e crianças assustadas a percorrer o caminho que pode, com facilidade, levá-las à morte. O mesmo acontece na subida para o comboio e, rapidamente se percebe que, a intenção dessas imagens é o de fazer parecer que estamos a ver tudo através dos "olhos" de Katniss mas, para mim, resultou numa sucessão de imagens confusas e que me deixaram com uma tremenda dor de cabeça. Sensível.
Como já referi, ao contrário do que aconteceu no livro, temos acesso às câmaras e à sala dos produtores de jogos e, podemos perceber que cada acontecimento na arena é propositadamente provocado e quais são as razões por detrás de cada uma das acções. Ao mesmo tempo, Ceasar Flickerman e Claudius Templesmith são aquisições brilhantes para descrever o jogos, para explicar algo que um espectador que não tivesse lido o livro não perceberia, uma vez que Katniss quase não fala durante os primeiros dias na arena. Para além disso, temos acesso ao que se passa nos distritos, nomeadamente no 11 e no 12 e podemos perceber que a faísca que Katniss lançou começou com a morte de Rue.
Donald Sutherland interpreta o infame Presidente Snow e, sinceramente, penso que não podia ser de outra forma. Tal como vemos os produtores e os distritos, compreendemos melhor as motivações do Presidente e do porquê da existência dos jogos. A sua mente distorcida e cruel é quase dolorosamente atractiva. Ele apresenta-se como alguém benevolente que justifica as suas acções com acontecimentos do passado, alguém que não tem problema nenhum em mandar vinte e três crianças para a morte, e transformar uma delas numa assassina. Ou em castigar alguém pelos actos de outro, nomeadamente Seneca Crane, alguém que até ao lançamento do filme, não tinha rosto para nós, leitores.
Tal como nos livros, o meu gosto pelo aparecimento do mutantes era zero e, preferia que a autora se tivesse mantido dentro do espectro do que é real porque, como temia, os mutes no filme, não são atraentes ou assustadores e não parecem minimamente reais. Neste filme, os efeitos especiais, que incluem também os "fatos espectaculares" de Katniss e Peeta na quadriga, parecem falsos e feios.
Os jogos são fieis ao que é descrito no livro, não há dúvidas e, apesar de algumas cenas cortadas, como as horas de desidratação, acabam por ter repetições e por serem cenas paradas. No entanto, apesar de ser uma óptima adaptação, há diferenças: a Madge não existe, Katniss compra o próprio pin que mais tarde lhe dará um nome e oferece-o a Prim que, mais tarde, o oferece a ela; os tributos dos Distritos 1 e 2 treinam em academias especiais até aos 18 anos de idade; a equipa de preparação parece assustadora e não tonta; Katniss não fica surda e Peeta não perde uma perna. No entanto, são pequenos pormenores porque, de resto, é uma adaptação fiel, muito fiel, ao livro.
Outros títulos da colecção
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui aqui


Outros livros da autora
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw


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