Sinopse: Harry Potter nem quer acreditar na sua sorte! Afinal não vai ter de aturar os Dursleys até  ao início do seu quarto ano de Hogwarts. Graças à Taça Mundial de Quidditch vai passar os últimos quinze dias de férias na companhia dos Weasleys e do seu amigo Ron. Mas a verdade é que nem tudo vai correr pelo melhor para o nosso herói. Quando Harry começa a sentir a sua cicatriz a doer terrivelmente, sabe que Lord Voldemort está de novo a rondá-lo e a ganhar poder. A Marca da Morte, que apareceu no céu, não pode significar outra coisa... Entretanto, este é um ano muito especial para Hogwarts, pois é lá que se irá realizar o célebre Torneio dos Três Feiticeiros, no qual o Harry vai desempenhar um papel decisivo que quase lhe irá custar a vida! Pela segunda vez, Potter vê-se frente a frente com Voldemort, e ele sabe que o maior desejo do poderoso senhor das trevas é vê-lo morto... 

Opinião: Harry Potter e o Cálice de Fogo marca o regresso de Lord Voldemort e o começo de uma sucessão de três livros negros, recheados de lutas e do desvendar de alguns mistérios que rondam o passado do protagonista e do seu antagonista. Cálice de Fogo começa logo com três mortes que revelam um pouco mais sobre o Senhor das Trevas e, mais importante sobre os seus planos. Três mortes que representam a perda da inocência. Não há mais pedra filosofal. Não há mais câmara dos segredos. Lord Voldemort regressou em plena posse dos seus poderes.

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Cálice de Fogo é o primeiro livro onde há uma maior menção ao passado do Senhor das Trevas, nomeadamente aos seus pais, embora já soubéssemos de alguns pormenores, resultado da leitura dos livros anteriores. Para a ascensão de Lord Voldemort, Peter Pettigrew ou Wormtail, revelou-se fundamental e estava disposto a dar a «sua mão direita», literalmente, no entanto, interrogo-me se, por algum momento, ao longo das suas curtas aparições, se preocupava com Harry, ou com o que James podia pensar dele se ainda fosse vivo. Nesse mesmo capítulo, há igualmente menção a um «fiel servo em Hogwarts» e, tudo, do início ao fim, aponta para Severus Snape, quanto mais não fosse pela própria perspectiva do protagonista. Cálice de Fogo marca também o início da ligação entre Harry e Voldemort e, neste volume, deparei-me com uma satisfação da parte de Dumbledore quando Harry lhe relata os acontecimentos passados no cemitério, como se quisesse que Voldemort usasse o próprio Harry de forma a completar algum tipo de círculo e, penso que há uma explicação para isso no futuro.
Temos pela primeira vez a percepção da imensidade do mundo da feitiçaria, não só com a Taça Mundial de Quidditch, mas também com o Torneio dos Três Feiticeiros e com a revelação das outras escolas de feitiçaria: Durmstrang e Beauxbatons, metaforizados no núcleo de personagens que cresce de forma desmesurável com o aparecimento de Bill e Charlie Weasley, Amos Diggory, Moody Olho Louco, Narcisa Malfoy, Ludo Bagman, Barty Crouch, Viktor Krum, Fleur Delacour, Karkaroff, Madame Maxime, Winky e a desprezável Rita Skeeter - numa metáfora do que é, hoje em dia, a má qualidade do jornalismo. No entanto, para além dos personagens, adquirimos igualmente outros conhecimentos, nomeadamente ao nível dos Devoradores da Morte e de como funciona a Marca Negra, das Maldições Imperdoáveis, do que aconteceu aos pais do Neville e do porquê de ser criado pela avó, da como funciona o Pensatório que se revela fundamental para a conclusão da saga, ou até mesmo da B.A.B.E e à vida dos elfos domésticos.
Em Harry Potter e o Cálice de Fogo Harry não é mais uma criança, no entanto, ainda não é completamente um adulto, pairando na pré-adolescência, facto que nos é constantemente relembrado pelo facto de ser «muito novinho» para entrar no Torneio dos Três Feiticeiros, no entanto, "maduro" o suficiente para começar a nutrir sentimentos românticos e de ciúme para com Cho Chang, que ganha um maior destaque ao ser a personagem de interesse dos dois campeões de Hogwarts. O mesmo se passa com Hermione e Ron que iniciam a sua atribulada relação de amor-ciúme-ódio, com o aparecimento do famoso Viktor Krum. No entanto, pela primeira vez, a amizade de Harry e de Ron é colocada em causa, numa reviravolta de acontecimentos, e adorei ver a preocupação de Ron para com Harry, mesmo que escondida por detrás de uma máscara de mágoa. Há uma maior desenvolvimento emocional entre os três, de tal modo que na conclusão do livro, há uma menção a um estado de compreensão que ultrapassa as palavras.
As tarefas são realmente interessantes e a minha preferida foi, sem dúvida, a segunda tarefa onde é realçada, mais uma vez, o elo que une o trio. Aqui, Minerva McGonagall revelou o seu lado mais protector em relação a Harry e gostei particularmente de ler as passagens onde a professora procurava Harry depois de cada tarefa, de modo a assegurar-se da sua segurança e bem-estar. Do mesmo modo, Sirius tem uma presença indirecta até ao final do livro, revelando-se como uma figura paterna que sempre foi ausente na vida do herói.
Para mim, um dos melhores capítulos foi O Baile de Natal e a forma como Harry e Ron lidaram com o assunto, ou a própria reacção da Hermione e até mesmo de Ginny que perdeu a sua oportunidade de ir com Harry, ou a dança esfuziante de Fred e de Angelina. Contudo, não posso deixar de referir o momento do "Prior Incantatem" e o aparecimento de Lily e de James como um dos meus preferidos, assim como a ascensão de Lord Voldemort porque, inconscientemente, tudo até agora, levou-nos a este momento em específico, pelo que valeu a pena a espera. 
Em termos de personagens, adorei, absolutamente, o discurso de Dobby sobre o professor Dumbledore e a forma como ele o autorizara a chamar os nomes se quisesse ou quando lhe ofereceu dez galeões, evidenciando mais uma vez o seu carácter. Do mesmo modo, adorei a bondade de Cedric Diggory que, até ao último livro, não passava de um rapaz bonito que provocava risinhos histéricos por onde passava. Facto que, segundo J.K.Rowling prova que «Todos devíamos ser como os Hufflepuff". Por outro lado, a professora Trelawney intriga-me, sempre me intrigou e penso que sempre me vai intrigar na sua forma de adivinhar o futuro, mesmo sem querer - exceptuando as vezes em que entra em transe. A relação entre Winky e os dois Crouch's foi algo que me deixou triste e comovida em simultâneo, no sentido em que, parecia haver uma "verdadeira" relação entre o elfo e o homem.
A parte dos "espiões" deixou-me algo confusa até fazer as ligações entre "o fiel", o que "deixou-me para sempre" e o "cobarde", sendo que Snape, obviamente, possui um dos rótulos, ainda desconhecidos por esta altura, embora o seu passado, tal como o de Harry - intrinsecamente ligados - comece a desvendar-se progressivamente, as suas motivações ainda permanecem desconhecidas.
A personagem que mais se destacou foi Moody Olho Louco embora nunca o tenhamos chegado a conhecer realmente, o que foi uma decepção porque gostava realmente do personagem e pensar que não passava de um louco, culpado do "afastamento" dos pais de Neville deixou-me ultrajada, para não dizer mais, na minha primeira leitura, - lembro-me disso. E, a frase que mais se destacou, desta vez, pertence a Sirius Black: « Se queres conhecer o carácter de um homem, vê como ele trata os seus inferiores, não os seus iguais», referindo-se a Winky, a elfo, num toque de ironia.
Ao longo de Harry Potter e o Cálice de Fogo reparei que houve uma menção aos Lovegood, a Bode, aos Lestrange, ao irmão de Dumbledore, aos Horcruxes, feita pelo próprio Lord Voldemort, a Mundugus Fletcher, a Gregorovitch e a Arabella Figg, embora Harry não a associe à vizinha dos seus tios Muggles, e a dois locais muito importantes: ao Hospital de Santo Mungo para Doenças e Maleitas Mágicas e à Sala das Necessidades. Por outro lado, gostaria de ter visto uma maior relação entre Hermione e Ginny, uma vez que a interacção entre as duas é muito pouco ou mesmo nula.
Mas, tal como nas opiniões anteriores, reparei em algumas inconsistências e, sabendo o que vem, principalmente no próximo volume, a que mais sobressaiu foi o facto de que, no final do ano, mesmo depois da morte de Cedric Diggory as carruagens, CONTINUAM A SER PUXADAS POR UM SER INVISÍVEL. Para além dessa, a situação da magia em casa dos Dursleys despertou o meu interesse, uma vez que Harry não recebeu notificações, mas isso pode dever-se à presença autorizada de Mr. Weasley. Outra, foi o facto de várias pessoas mencionarem que a Marca Negra não era vista há mais de 30 anos, no entanto, Lord Voldemort desapareceu apenas há 13 anos, pelo que fica a questão: a Marca Negra não era comum após uma morte por um Devorador da Morte? Porquê 30 anos? Outras, de índole menos relevante para a história, referem-se a Hagrid e a Peeves - como é que o Hagrid foi feito? É algo que me intriga. E, porque é que Dumbledore nunca expulsou Peeves?

If you want to know what a man's like, take a good look at how he treats his inferiors, not his equals.





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