Sinopse: Harry Potter está ansioso por ver terminadas as medonhas férias de Verão que está a passar com os Dursleys, os Muggles mais Muggles de todo o planeta. Mas o tempo parece ter adormecido, ou então está com muita preguiça, porque nunca mais passa. Entretanto surge uma visita inesperada - uma estranha criatura de grandes olhos verdes e enormes orelhas, o elfo Dobby que traz um sério e terrível aviso: HARRY POTTER NÃO DEVE VOLTAR PARA HOGWARTS. E a verdade é que no seu segundo ano na escola de feitiçaria, Harry vê-se envolvido numa terrível espiral de perigos e desventuras. Vozes horripilantes sussuram, vinda das paredes; algo ou alguém anda a transformar os alunos em pedra; aparecem fantasmas tenebrosos e aranhas gigantes; e um dia um misterioso aviso é escrito em letras brilhantes numa parede de Hogwarts: A CÂMARA DOS SEGREDOS FOI ABERTA. INIMIGOS DO HERDEIRO, CUIDADO. Mas o que é que isso significa? Harry Potter, Ron e Hermione vão fazer tudo para resolver este mistério, arriscando as suas próprias vidas. 

Opinião
No dia de aniversário do nosso herói, da minha autora favorita e de Neville Longbottom, terminei a leitura de Harry Potter e a Câmara dos Segredos e, mais uma vez, vejo-me na posição difícil de escrever uma opinião sobre um livro que marcou de forma irrevogável a minha infância. É uma tarefa complicada mas, procurei reler a série com um olhar mais crítico sem, no entanto, impedir-me de submergir completamente no mundo mágico que são os livros de Harry Potter. E, mais uma vez, como a opinião de Harry Potter e a Pedra Filosofal que podem ver aqui, vai haver spoilers e, aviso, não apenas deste segundo volume, mas da série inteira, procurando relacionar alguns factos que têm um papel mais importante no futuro.

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Primeiro que tudo, volto a realçar a nossa tradução porque, tal como em Harry Potter e a Pedra Filosofal há alguns erros na conjugação do feminino e do masculino. Para ser mais específica, enquanto no primeiro volume, a Professora Sprout é um homem, neste segundo volume a professora Sinistra do Departamento de Astronomia é um homem.
Para mim, Harry Potter e a Câmara dos Segredos é o mais negro e assustador dos quatro livros "pré-regresso" de Voldemort, com as vozes sussurrantes, os ataques, os desaparecimentos e a lenda da câmara deixada por Salazar Slytherin. Lembro-me de ver o filme com as luzes da casa todas acesas e de tremer ao mínimo ruído - memórias!
Uma das coisas que achei mais divertida nesta leitura mais "crítica" é o facto de conseguir perceber pormenores que, noutra ocasião, noutra leitura ou "re-leitura" teriam provavelmente passado despercebidos. Um dos exemplos é o facto de Ron, durante o seu castigo e o seu ataque de vómito-lesma, ter limpo mais de cinquenta vezes, o prémio de serviços prestados à escola de Tom Riddle e perguntou ironicamente se o facto de o ter recebido, não foi porque Tom "matou a Murta, era um favor que fazia a todos"; ou o facto de Harry não ser capaz de deitar fora o diário do mesmo modo que o medalhão o afecta no último livro - uma forte ligação entre os horcruxes; e, um dos mais interessantes para mim, após o ataque a Colin, Dumbledore questiona-se em voz alta: "não é quem, mas como?", ou seja, Dumbledore já sabia que Tom Riddle estava por detrás de tudo mas, segundo as suas fontes, os restos de Voldemort andavam pela Albânia. O anagrama com o nome de Tom Marvolo Riddle para I AM LORD VOLDEMORT, é uma pequena amostra do poder imaginativo e de ligação de J.K.Rowling.
Em Harry Potter e a Câmara dos Segredos começamos a ver a relação "tumultuosa" mas afectiva que se desenvolve entre Ron e Hermione, há a primeira menção a Azkaban, a prisão dos feiticeiros, o Salgueiro Zurzidor, vemos a Mão da Glória pelos olhos de Draco Malfoy, e temos uma menção a um "armário valioso" que Peeves deixa cair, convencido por Nick-Quase-Sem-Cabeça que, podemos supor que é o armário de aparição (?) usado igualmente por Draco Malfoy no decorrer da série. E, há, pela primeira vez, a utilização do tão importante feitiço de desarmamento: Expelliarmus. E, no último capítulo uma menção a que Harry começava a ficar realmente muito bom naquilo.
Mas, tal como em Harry Potter e a Pedra Filosfal, tenho algumas questões. Uma rápida pesquisa permitiu-me constatar que, não há uma data certa para o nascimento de Petúnia, apenas para Lily (30 Janeiro de 1960), MAS, Petúnia refere em Harry Potter e a Pedra Filosofal que a irmã mais nova chegava a casa com ovos de rã nos bolsos, pelo que, em algum ponto do tempo, Petúnia e Lily tiveram de viver na mesma casa enquanto Lily ainda andava em Hogwarts. A minha questão é: não saberia Petúnia que Lily não estava autorizada a fazer magia fora da escola, tal como Harry não estava autorizado? Mas enfim, as regras podiam ter mudado, entretanto, ou talvez ela simplesmente não quisesse admitir o quanto sabia? Outra questão que me incomoda é o facto de que o primeiro instinto de Harry e de Ron é o de voarem ilegalmente num carro quando a passagem se fecha, facto que reitera que, daí em diante, Hermione esteja presente no planeamento de qualquer plano louco.
Depois há questões de origem mais física. Como é que deram a poção de mandrágoras ao Nick-Quase-Sem-Cabeça? Na festa dos mortos a comida era levada ao extremo da podridão para que eles a pudessem saborear, ainda que minimamente. Como é possível? Sabemos que Peeves é diferente uma vez que se trata de um poltergeist e não de um fantasma mas, a bebida inclui-se no catálogo do: podemos?
Mas, uma das frases que não compreendo de todo é de Dumbledore, no último capítulo, no qual ele refere que a mudança de Tom Marvolo Riddle para Lord Voldemort foi uma sugestão sua. «Muitas poucas pessoas sabem que Lord Voldemort se chamou em tempos Tom Riddle. Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos, em Hogwarts». Tentei lembrar-me se, no sexto livro, em alguma memória, Dumbledore fez essa sugestão porque recordo-me muito vagamente de uma conversa em torno do nome quando Voldemort regressou para uma entrevista para o cargo de professor. Humm questiono-me...
O grupo de personagens começa a aumentar e a aumentar e, mais uma vez, para além do trio de heróis, a personagem que mais se destacou para mim - foram duas na verdade - foi Gilderoy Lockhart e Dobby. Lockhart pela sua estupidez e narcisismo, entrando muito no núcleo cómico do livro, aliviando alguma da "carga mais pesada" e Dobby por ser o Dobby. É o primeiro contacto que temos com elfos dométicos e com o seu imenso poder que, na minha opinião, é capaz de rivalizar com os dos feiticeiros. A minha frase favorita mais uma vez, pertence a Dumbledore - acho que vão pertencer todas - São as tuas escolhas Harry, que mostram quem de facto tu és, mais do que as tuas capacidades - e um dos meus capítulos favoritos foi o Herdeiro de Slytherin.

It is our choices, Harry, that show what we truly are, far more than our abilities.





2 Comentários

  1. Eu gosto imenso deste livro, gostei muito de ler a tua opinião :) Boa questão, a do como deram a poção ao Nick! Também fiz agora a releitura e apontei essa questão, bem como algumas outros pormenores.

    Deixa-me só 'corrigir' a primeira frase, o Neville faz anos a 30 de Julho e não a 31 :)
    Vou ler as opiniões do resto da série!

    Mariana Leal
    http://thebooknitpicker.blogspot.pt/

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  2. Obrigada pela correcção e pelo comentário :D

    Beijinhos!

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