Sinopse: Com dezasseis anos, Cinder é considerada pela sociedade como um erro tecnológico. Para a madrasta, é um fardo. No entanto, ser cyborg também tem algumas vantagens: as suas ligações cerebrais conferem-lhe uma prodigiosa capacidade para reparar aparelhos (autómatos, planadores, as suas partes defeituosas) e fazem dela a melhor especialista em mecânica da Nova Pequim. É esta reputação que leva o príncipe Kai a abordá-la na oficina onde trabalha, para que lhe repare um andróide antes do baile anual. Em tom de gracejo, o príncipe diz tratar-se de um «caso de segurança nacional», mas Cinder desconfia que o assunto é mais sério do que dá a entender. 
Ansiosa por impressionar o príncipe, as intenções de Cinder são transtornadas quando a irmã mais nova, e sua única amiga humana, é contagiada pela peste fatal que há uma década devasta a Terra. A madrasta de Cinder atribuiu-lhe a culpa da doença da filha e oferece o corpo da enteada como cobaia para as investigações cínicas relacionadas com a praga, uma «honra» à qual ninguém até então sobreviveu. Mas os cientistas não tardam a descobrir que a nova cobaia apresenta características que a tornam única. Uma particularidade pela qual há quem esteja disposto a matar. 

Book Trailer: 

Opinião: Cinder faz parte de uma série de quatro livros "As Crónicas Lunares" um conjunto de retailings de alguns dos mais populares contos de fadas. Esses livros são: Cinder, Scarlet, Cress e Winter, havendo já uma novella Fairest: Levana's History, publicada. Em Portugal apenas estão traduzido os primeiros três.
Cinder é o retailing de Cinderela e, para ser honesta, não é o meu conto de fadas favorito MAS, a forma como Marissa Meyer deu a volta ao conto popular é, simplesmente, fantástica e, apesar de completamente diferente da "Cinderela" habitual, é divertido ver as ligações que a autora faz com o original.
Cinder é uma cyborg e, normalmente, evito livros com referências a robots. Mas uma cyborg, neste mundo, não é um robot, no bom entender da palavra, para isso há os androides como a simpática Iko. Cinder, uma cyborg, é uma humana com partes metálicas - um braço e um pé - para além de uma espécie de painel de controlo que lhe permite pesquisar na Net com um simples pensamento ou detectar mentiras através da retina. É muito evoluído. Para além disso, o mundo passou por uma Quarta Guerra Mundial e há pessoas a viver na Lua, os Lunares que, supostamente são humanos com poderes e, apesar de popularmente referirem-se a eles como mágicos, eles "apenas" são capazes de controlar a actividade bioeléctrica , pelo que conseguem controlar o que os outros - não lunares - sentem ou vêem - muito científito - e, a rainha, a líder da Lua e dos Lunares é a Rainha Levana, muito temida pelo povo terrestre por ser conhecida como uma ditadora. A Rainha Levana foi provavelmente a personagem mais interessante e desde o momento em que o nome da Rainha foi mencionado, soube que ela viria à Terra.
Cinder passa-se na Nova Pequim, na Comunidade Oriental, liderada pelo imperador Rikan que está a morrer com uma praga, semelhante à peste negra, trazida pelos Lunares, e achei extremamente interessante a interligação entre esta doença e outras mais conhecidas pelo povo terrestre. O próximo reinante é o príncipe Kai e, com o conhecimento da história original, não esperava gostar dele. Mas Marissa Meyer apresenta-nos o príncipe nas primeiras páginas e ele é, de facto, uma personagem curiosa e o facto de haver uma dualidade de pontos de vista entre Kai e Cinder é positivo porque permitiu-me afeiçoar à personagem.
Para além disso, é incrivelmente divertido ler sobre um conto que conhecemos e com o qual podemos fazer ligações, desde o carro alaranjado (abóbora) até ao Festival (baile) e à forma como termina (com um pé que se perdeu) e à constituição da própria família. Por outro lado, embora todo o conceito se torne incrivelmente entusiasmante, a história, talvez por ser um retailing, torna-se previsível. Não sei se por conhecer a história e saber que Cinderela no fim torna-se uma princesa, se por Cinder, de Marissa Meyer, não ter qualquer conhecimento do seu passado antes do acidente que a transformou numa cyborg, soube imediatamente que ela seria a Princesa Selene, embora não seja fã da forma como a autora escolheu dar a conhecer a informação com base no seu DNA. A Princesa Selene era uma Lunar, cujos pais morreram há dezasseis anos. Como é que o Doutor Earland tinha amostras que a confirmassem como a princesa, pertencente à casa real?
Mas, outra coisa que adorei foi a pequenina ligação com Cress. Cress, a rapunzel, apareceu sob a forma de uma hacker, com o seu longo cabelo louro e o facto da sua senhora ser a taumaturga Sybil faz-me pensar que Sybil é a "rainha má" que aprisionou rapunzel e que Levana, devido à sua animosidade com espelhos, seja a "rainha má" de Branca de Neve? Porque, sinceramente não me lembro de haver uma antagonista em Cinderela para além da Madrasta, pelo que penso que Levana tem de se relacionar com os outros livros e sendo Scarlett a Capuchinho Vermelho e Cress, rapunzel, resta Winter, a sua sobrinha, pelo que percebi. Será Winter, a Branca de Neve? Esperar para ver.
Regra geral foi uma leitura algo demorada pela escassez de tempo que o mês de Junho me tira, mas que, mal tinha tempo pegava. Um dos pontos negativos e, provavelmente o único, foi mesmo a previsibilidade da história, porque, de resto, não há nada de negativo a apontar. Marissa Meyer introduziu também alguns elemento da cultura oriental, desde a forma como se tratam pelo apelido e depois pelo nome até às roupas o que foi mais um ponto interessante. Foi um início muito promissor para uma série que, sem dúvida, vou seguir, pelo que podem esperar por mais opiniões - não agora - das Crónicas Lunares.
Outros títulos das Crónicas Lunares
*Cinder
*Scarlet
*Cress
*Winter

*Fairest: Levana's History


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