Sinopse: Quentin Jacobsen e Margo Roth Spiegelman são vizinhos e amigos de infância, mas há vários anos que não convivem de perto. As suas personalidades não podiam ser mais opostas e foram justamente a irreverência e o espírito de aventura de Margo que sempre seduziram um Quentin muito mais tímido e reservado. Agora que se reencontraram, nas vésperas do baile de finalistas da escola que ambos frequentam, as velhas cumplicidades são reavivadas, e Margo consegue convencer Quentin a segui-la num engenhoso esquema de vingança. Mas Margo, sempre misteriosa, desaparece inesperadamente, deixando a Quentin uma série de elaboradas pistas que ele terá de descodificar se quiser alguma vez voltar a vê-la. Só que, quanto mais perto Quentin está de a encontrar, mais se apercebe de que desconhece quem é verdadeiramente a enigmática Margo. 

OpiniãoPrimeiro que tudo, eu adoro a escrita de John Green, sobretudo a forma como ele, de alguma maneira, consegue chegar até aos adolescentes e àquilo que é ser um verdadeiro adolescente porque, acreditem, que já li, e certamente que o mesmo já aconteceu a alguns de vós, lerem algum um livro sobre a perspectiva de um adolescente mas que soa a forçado, como se o autor não soubesse o que é ser um adolescente, ou porque se esqueceram.
Li um artigo, algures, que afirmava que John Green não entendia, de todo, os adolescentes, porque todas as suas personagens parecem mais maduras do que os verdadeiros adolescentes, quase como se fossem adultos. John Green deu a resposta de que: os adolescentes não são burros. E eu concordo plenamente com ele. Em Cidades de Papel há mostras, bastante claras, da estupidez adolescente, mas há igualmente uma noção de vulnerabilidade e profundidade emocional que muitos rapazes ou raparigas de dezassete anos têm porque nem todos têm e passo a citar: «a profundidade emocional de uma colher de chá».
Quando comparamos Cidades de Papel com outros livros de John Green (os que eu li) como A Culpa é das Estrelas ou À Procura de Alaska, Cidades de Papel assumiu o primeiro lugar, à frente de À Procura de Alaska e A Culpa é das Estrelas. Cidades de Papel adquire um tom cómico com as personagens de Ben, Radar e Quentin e não consegui parar de rir em algumas das cenas que, digo com toda a confiança, são brilhantes. E, uma das coisas mais geniais que John Green fez com Cidades de Papel, foi criar esta imagem de Margo, cujo amor e devoção de Quentin passa facilmente para o leitor, para depois nos mostrar uma rapariga um tanto ou quanto egoísta, revelando o verdadeiro significado do que é ser uma "Rapariga de Papel". Qual é a linha que separa a imagem que temos de uma pessoa daquilo que ela verdadeiramente é? O que é que Quentin amava? A rapariga ou a imagem que tinha dela? Há esse conflito durante, grande parte do livro e, quantos de nós já não passaram por isso? Amar a imagem que se tem, ou Amar a pessoa? O que é que fazemos quando a pessoa não corresponde às nossas expectativas? Isso também é extremamente bem traduzido na relação entre Quentin e Ben e àquilo que o primeiro esperava do segundo e vice-versa e à imagem de Lacey e ao que a rapariga acaba por ser: uma rapariga doce e prestável.
Cidades de Papel quase que acaba por ser um mistério, com as pistas deixadas por Margo e John Green fez um óptimo trabalho a dar-me cabe do juízo porque na parte em que Whitman, no poema diz, qualquer coisa como: encontrar-me-às debaixo das tuas botas, referindo-se a uma das muitas metáforas mas, mais concretamente à erva, como aconteceu com a porta eu pensei que Margo referia-se DE UMA FORMA LITERAL e que a morada do sítio onde ela se encontrava estava debaixo das botas de Quentin e acreditei piamente nisso até ao encontro com Margo que se revelou um tanto ou quanto decepcionante porque, ela não queria ser encontrada, as pistas eram para que Quentin "ficasse" com o sítio dela, o centro comercial sinistro, uma espécie de herança.
Admito que há algumas partes a roçar o aborrecido, sobretudo as cenas com os pais, mas confesso, por motivos mais pessoais, mas são poucas e passam depressa. O início é "chocante", com o aparecimento do morto e uma das minhas partes preferidas é certamente a viagem de carro, nas últimas páginas. É rir do princípio ao fim. E uma das melhores aptidões de John Green são os diálogos que oscilam entre o divertimento e a introspecção, sobretudo no final, com o encontro de Margo e Quentin em que, deixei de ler toda a conversa como um "diálogo" e mais como se eles fossem um só, uma espécie de narrativa, como o poema: Quentin tornou-se Margo e Margo tornou-se Quentin, achei que naquele momento, eram um só, a contar exactamente a mesma história, um momento que nos faz pensar sobre as cidades de papel e as pessoas de papel e não vi linha entre os dois, quase como se não houvesse nada que os separasse.
É uma leitura excelente, é divertida, não é, de todo, lamechas. John Green, captura na perfeição o que é ser jovem e ter dúvidas e ser obrigado a fazer escolhas porque, no fundo, quer queiramos ou não, aceitemos ou não, Margo e Quentin fizeram uma escolha, como Ben e Radar, e Lacey, fizeram e em Cidades de Papel, ao contrário de A Culpa é das Estrelas e À Procura de Alaska, encontrei muitas verdades que são facilmente relacionáveis.
Outros títulos do autor: 
*Cidades de Papel
*A Culpa é das Estrelas
*À Procura de Alaska
*Will Grayson, Will Grayson
*Teorema de Katherine


2 Comentários

  1. eu já ouvi falar muito bem e muito mal do autor e de certos livros ,dele, como este. Dele li o "básico" A Culpa é das Estrelas, quando saiu de moda, mas fiquei curiosa para com os outros.
    Não sabia que diziam isso dele, dos adolescentes...

    Eu mesmo em adolescente era madura, tanto que a minha mãe ainda diz "és nova mas tens alma de velha", pois só eu sei o que já passei e passo... Mas agora terei de ver por mim mesma se é como dizem, se é bom ou mau os livros dele, e tirar a minha própria conclusão.

    Gostei da tua opinião, que me fez decidir realmente arriscar em aventurar-me em mais livros dele, começando por este ;)

    ResponderExcluir
  2. Para muita gente Cidades de Papel não é o melhor livro de John Green. Eu, por acaso, realmente gostei do aspecto da "amizade" e de ser uma "roadtrip". Mas, há pessoas que não gostam desse género de humor. E, para ser sincera, A Culpa é das Estrelas não é, de todo, o meu livro preferido de John Green, pelo contrário. Se quiseres experimentar outro, aconselho vivamente, À Procura de Alaska!

    ResponderExcluir

Tens uma opinião? 3,2,1 GO