Sinopse: Ethan Wate costumava pensar em Gatlin, a vila sulista a que sempre chamara casa, como um sítio onde nunca nada mudava. Foi então que conheceu Lena Duchannes, uma misteriosa recém-chegada que lhe revelou um mundo secreto, que sempre estivera oculto à vista de todos. Uma Gatlin que albergava segredos ancestrais por detrás dos seus carvalhos cobertos de musgo e de passeios gretados. Uma Gatlin onde, há gerações, uma maldição tinha marcado a família de Lena repletp de poderosos poderes sobrenaturais. Uma Gatlin onde acontecem situações impossíveis, mágicas e capazes de mudar o rumo de uma vida. E, por vezes, capazes de lhe pôr termo. 
Juntos conseguem fazer face a tudo o que Gatlin lhes apresenta mas, depois de sofrer uma perda trágica, Lena começa a retrair-se, guardando segredos que põem a relação dos dois à provca. E, agora que os olhos de Ethan foram abertos para o lado mais obscuro de Gatlin, não há volta a dar. Assombrado por estranhas visões que só ele tem, Ethan é ainda mais atraído para a história rocambolesca da sua vila e vê-se preso na perigosa rede de passagens subterrâneas que atravessam o Sul de um modo interminável e, onde nada é o que parece. 

OpiniãoComo podem ver aqui, a minha opinião sobre Criaturas Maravilhosas foi positiva, uma das minhas leituras favoritas, blá, blá, mas Trevas Maravilhosas, não faz justiça ao primeiro volume. A verdade é que o universo criado por Kami Garcia e Margareth Stohl é extenso e fantástico, mas até os mais maravilhosos mundos têm de ter os seus limites. O facto é que um mundo extenso é ótimo em termos de imaginação, mas há uma linha que separa a criatividade da facilidade. É mais ou menos como, adicionar uma coisa aqui, tirar aqui, fazer isto ou revolver isto, para criar um conflito cheio de facilitismo ou até mesmo para resolver o conflito e, para ser sincera, não é coisa que aprecie.
E a verdade é que em Trevas Maravilhosas, não vemos as nossas perguntas respondidas, pelo contrário, só se tornam mais extensas e mesmo as perguntas que surgiram durante a leitura, não vejo futuro para possíveis respostas porque não vejo como é que podem voltar a surgir nos próximos volumes, porque são questões que surgem em pequenos momentos. Há muitas questões que são colocadas e situações que não são explicadas (facilitismo) e que vou explorar mais abaixo, porque, sinceramente, Trevas Maravilhosas não é dos meus favoritos.
Ao contrário de Criaturas Maravilhosas em que havia remanescências a Genevieve e a Ethan Carter Wate e à guerra civil, em Trevas Maravilhosas assistimos à continuação, em primeira mão da guerra civil que abarca a família Duchannes/Ravenwood e o facto de Lena, ao contrário do que seria esperado em Criaturas Maravilhosas não respondeu ao seu chamamento, pelo que ainda tem de escolher entre as Trevas e a Luz com consequências desastrosas para um dos lados da família porque no momento em que Lena escolher a Luz os Encantadores das Trevas da sua família morrem ou vice-versa.
Lena Duchannes está diferente. Após a morte de Ethan/Macon, alguma coisa dentro dela mudou, visível nos seus olhos, agora dourados, característicos dos Encantadores das Trevas apesar de ela não ter respondido ao chamamento. Lena culpabiliza-se pelo que fez e, à medida que os seus poderes crescem e ao pensar que pode magoar mais alguém, afasta-se de todos aqueles que ama, incluindo Ethan e, a verdade é que é um afastamento típico de adolescentes e não posso deixar de pensar que Lena agia como uma verdadeira "cabra". Mas o sofrimento só pode justificar parte das suas ações. Sinceramente, penso que este seria um livro muito mais interessante se narrado por Lena, ao invés de Ethan porque, apesar das visões psicadélicas dele, há uma parte de Lena a que não conseguimos chegar porque parte das suas ações, apesar de movidas pelo pesar da morte/culpa, também se relacionam com a possibilidade da não-aceitação, de não ser nada, de não saber onde pertence e à sua busca por um local sem juízos de valor.
Para além disso há a introdução de novas personagens, Olívia Durand e John Breed, Mortal e Encantador/Íncubo (?) que surgem como novos possíveis interesses amorosos para Ethan e Lena, Mortal e Encantadora. Há uma grande barreira à relação de Ethan e Lena, o facto de não poderem estar fisicamente juntos, sem a morte do Mortal, pelo que o aparecimento de Olívia e John não é uma surpresa. Ele é o que Ethan nunca poderá ser. Ela é o que Lena nunca poderá ser. Há, pela primeira vez, a introdução do ciúme e vemos Lena a sucumbir às emoções adolescentes, cega pelo sofrimento e, apesar de John ser uma espécie de bad boy, de origem desconhecida e de motivações duvidosas, Liv é uma personagem adorável, inteligente e divertida, pelo que cheguei ao ponto de torcer por Ethan-Liv. Mas aqui surge outra questão. Liv é a assistente de Marian na biblioteca e aprendiz de Guardiã, mas como é que as Guardiãs são escolhidas? Como é que Liv apareceu e estuda a história dos Encantadores desde os 5 ou 6 anos de idade? A quem é dado esse privilégio? Quem se contacta? Ou é-se escolhido?
Macon, por outro lado, apesar de inicialmente morto, continua muito presente porque, ao contrário de Criaturas Maravilhosas em que tínhamos visões do passado de Genevieve, agora temos visões relativas a Abraham e a Macon, mais do último. E, relembrando algumas das palavras de Macon no volume anterior, só me apercebi quem Macon realmente amava - a mãe de Ethan - por volta da página 83 «Fosse porque razão fosse, Lena transportava com lealdade os nossos fantasmas com ela, os dela e os meus, recusando-se a retirar qualquer um deles. A mãe que eu perdera e o tio que ela perdera, presos em círculos de ouro e de platina e outros metais preciosos, pendendo por cima do seu colar de amuletos e escondidos em camadas de algodão que não lhe pertenciam». São nos dadas pistas, em Criaturas Maravilhosas e mesmo em Trevas Maravilhosas, aquando do funeral, não associei o local de enterro e a persistência de Macon a Lila Evers Wate.
E aqui surge-me uma das primeiras questões, eu seria capaz de reconhecer os meus pais em qualquer fotografia a partir da sua adolescência mas Ethan... Ethan tem uma visão de Macon e de uma rapariga chamada Jane que ele não reconhece como a sua mãe. É negação? Não pareceu. Marian conta páginas à frente que Lila e Macon conheceram-se na faculdade pelo que os traços e a voz dela deveriam ser reconhecíveis para o filho que a amou tanto. Certo? Como é que ele não reconheceu a mãe?
Depois há situações caricatas, como na Feira Municipal, no Concurso de Tartes, no incidente, Lena, Ridley e John em que Amma tira a colher de pau da carteira e segura-a bem alto sobre a cabeça, fazendo desaparecer os bicharocos. Tirando a parte de Amma, a erguer a Ameaça de um Só Olho como se fosse o Albus Dumblerdore, é a primeira evidência da relação entre Ridley, Lena e John a agir como um trio.
Há também, pela primeira vez, uma explicação para o poder que Ethan apresentou em Criaturas Maravilhosas, um poder diferente dos Encantadores. Ethan é um Guarda do Caminho e basicamente, parece ser alguém capaz de encontrar aquilo que está perdido, neste caso Lena, embora no final ficou a dúvida se seria de Lena ou Macon? Mas, considerando a ligação com Lena, talvez Lena?
E, voltando a Macon e à sua morte. Tantas dúvidas. Lena agarrou-se ao corpo de Macon em Criaturas Maravilhosas, Amma viu o seu corpo e disse qualquer coisa sobre como é que iria ser capaz de aguentar o peso do mundo sozinha. Então como é que um espírito/fantasma/desviado, neste caso a mãe de Ethan, Lila, conseguiu pegar no Arco Luz e enclausurar Macon? Em Criaturas Maravilhosas há uma menção de Ethan a: não sei onde guardaram o corpo. Mas Macon estava preso. Mas Lena e Amma viram-no morto. Mas Lila enclausurou-o. Como? É um final emocionante quando relacionamos as visões em que Lila promete que irá usá-lo quando tivesse de chegar a altura e ela fê-lo quando o filho estava em perigo e precisava da ajuda dele, precisava dele. E aqui fiquei ligeiramente triste por Mitchell porque não é só a sua falecida mulher que parece envolta no mundo dos Encantadores, mas também o filho que parece precisar mais de Macon do que dele. Ele é quase um peso morto.
Em Trevas Maravilhosas há uma ação muito maior por parte de Ridley e, embora uma Encantadora das Trevas é uma personagem dúbia que oscila entre boas e más ações. E neste volume há um plot twist que me irritou. Sarafine tirou, na sua unica aparição "falante" os poderes a Ridley, pelo que, apesar de continuar a ser perigosa, há a ideia de que deixou de ser Encantadora para se tornar Mortal, mas Link, o seu óbvio interesse amoroso, torna-se um Íncubo ou 1/4 de Íncubo. Por uma fracção de segundo houve uma possibilidade, para ela ser desfeita logo de seguida. Eles estavam e voltaram a estar na mesma posição de Lena e Ethan, e de Genevieve e Ethan e de Macon e Lila. Há impossibilidade de uma relação amorosa.
E isto leva-me para o precoce chamamento de Lena, e a sua escolha. Eu percebo a premissa. Todos temos dentro de nós Luz e Trevas e Lena, durante todo o volume acreditou que pertencia à última, e fez coisas más, das quais não se orgulha e escolhas erradas e blá, blá, mas ela, de dentro todas as personagens, podia ter acabado com tudo se escolhesse a Luz. No ponto em que se encontrava, ela não sabia que Macon tinha regressado sobre a forma de Encantador da Luz/Íncubo (?), mas sabia que havia uma forte possibilidade de Ridley ser mortal, pelo que ao fazer a sua escolha, se tivesse escolhido a Luz, ao invés de ser das Trevas e da Luz, poderia ter morto: Sarafine, Hunting, Larkin e Abraham, e mesmo assim tenho uma questão: a maldição coloca-se para os Íncubos já que eles não são Encantadores? Sim? Não? Talvez? A maldição levou Twyla e Larkin, os dois Encantadores. Haveria a possibilidade de ter levado um Íncubo? Em Criaturas Maravilhosas há a ideia de que Lena ao escolher a Luz, provoca a morte de Macon, mas seria mesmo assim? Qual a diferença entre o Íncubo e Encantador? O Livro das Luas consegue diferenciar? Mas ao mesmo tempo foi o Livro das Luas que amaldiçoou Ravenwood e a linhagem de Íncubos/Súcubus.
O final revelou-se cheio de decisões parvas(?). Os quatro, Lena, Ethan, Ridley e Link enterraram o Arco Luz, a única arma capaz de fazer frente a um Íncubo. Fizeram-no para proteger Link. Mas todos eles sabem como fazer o Encantamento para o tirarem de lá, ou podiam aprendê-lo. Então porquê enterrar a única coisa que podia protegê-los, a única arma que podia utilizar contra Abraham ou Hunting?
Para além disso e, para terminar a secção gigante de questões, haverá limites para os Mortais que criaram Ethan e que conhecem o mundo dos Encantadores? A Tia Prue? A Thelma? Até a gata, Lucille Ball? Poderá até a Srª Lincoln conhecer a verdadeira Gatlin, mas escondê-la por pensar que deve mantê-lo escondido? Haverá essa possibilidade? E agora, com a Ordem das Coisa quebrada, representada na quebra da lua, o que é que isso quer dizer? E, a canção das dezoito luas, significa que Lena, apesar dos esforços e dos dois volumes AINDA não foi chamada? E o que é que Link fez na cave da Amma quando tinha nove anos?
Trevas Maravilhosas é uma continuação de Criaturas Maravilhosas não tão bem conseguida. Uma das minhas partes preferidas, ainda que confesso, irritantes, é o conflito adolescente que se estabelece entre Ethan e Lena, revelado na sinopse, característico SEMPRE no segundo livro deste género. No meio da magia, dos Encantadores e das Luas de Chamamento e do caos, é uma corda que nos relembra de que estamos na cabeça de um protagonista de dezasseis anos.
Outros títulos da colecção Crónicas Encantadoras
*Criaturas Maravilhosas - adaptação cinematográfica aqui.
*Trevas Maravilhosas
*Caos Maravilhoso
*Redenção Maravilhosa
*Beautiful Creatures: The Untold Stories #1 #2 #3 #4

*Dangerous Creatures
*Dangerous Deception

*Dangerous Dream
*Dream Dark


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