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Opinião: Por muito que eu quisesse, não consegui ver o filme como "filme". A minha cabeça não parava de procurar por similaridades com o livro homónimo de Verónica Roth e encontrei poucas. A verdade é que a história que é traduzida nas páginas do livro está lá - a sua essência. Mas aquilo que o torna especial não aparece ou se apareceu é muito rápido e desleixado. Foi, desde Criaturas Maravilhosas e Instrumentos Mortais, uma das piores adaptações cinematográficas, na minha opinião. Estou a falar enquanto adaptação de livro para filme e não da sua qualidade. É importante saber diferenciar.
Foi, notoriamente, dada uma maior importância aos efeitos especiais. Enquanto Divergente mantinha-se simples e realista, Insurgente aparece como um espectáculo, sobretudo nas simulações que têm o de dever parecer real. Mas uma casa voadora, nada tem de real.
Não há explicações para a mudança de atitude de Peter, interpretado muito bem por Miles Teller. Basicamente é preciso saber interpretar as emoções para o perceber, sobretudo na cena da simulação. Houve somente um "agora estamos quites". Quites de quê? No livro é porque Tris salvou-o acidentalmente, ela fê-lo no filme? Se sim, não reparei ou não foi dada importância. Foi porque ela salvou-o na simulação? Porquê? Do mesmo modo, a explicação para a mudança de Caleb foi limitada a duas frases.
A cena do suicídio, no filme, Christina era uma das raparigas em risco de queda, uma queda que, ao contrário do livro não é do cimo de um prédio, mas de um muro do que parece ser 6 metros de altura. Era suposto ser um elemento de perdão entre duas personagens que no filme têm uma relação quase forçada, uma vez que a separação foi quase nula. O elemento de perdão devia ser dado porque Christina via pela primeira vez a impotência face a uma simulação e NÃO porque Tris salva-a. Christina já tinha estado antes numa simulação e à sua maneira, Tris salvou-a.
Aqui, não foi dada importância aos personagens secundários como Uriah, Marlene, Hector ou os outros. Eles não passaram de um cenário para enriquecer as relações para além da principal Tris-Quatro. E mesmo essa, pareceu errada. No livro é dada importância às cenas entre os dois porque, pela primeira vez, eles têm conflitos e problemas de confiança, mas no filme é só paz e amor, literalmente, com uma cena de sexo que não me lembro de ler.
Podemos passar para os sem-facção. A comida com que Evelyn os recebe, ao invés da partilha, com as camas bastante aconchegantes. A mim parece-me que mais valia ser um sem-facção do que viver por exemplo no quartel general dos intrépidos com aquelas camas de ferro. Eles estavam bastante bem alojados. A escolha de Naomi Watts é um tanto ou quanto questionável porque parecia que ela estava bastante bem conservada, com maquilhagem e tudo, dando-lhe uma aparência mais nova que o filho. E com a personagem de Evelyn posso concluir que a história de Tory e do seu irmão não vai ser desenvolvida em Convergente uma vez que quem assassinou Jeanine foi Evelyn, o que fez todo o sentido, tirando o facto de que nunca, em momento algum, vimos os sem-facção a tomar o poder. O que vemos depois da mensagem, que ninguém refere como sendo uma antepassada de Tris porque obviamente isso não é importante, é centenas de pessoas a correr em direção ao pôr-do-sol. Que sentido que isso faz? Nenhum.
Podia escrever durante horas sobre as simulações, mas sinceramente, revoltam-me ao ponto de nem querer pensar nelas. Não há a explicação para o que é ser divergente. Não há máquinas de TAC, não há explicação. Parece que são apenas seres humanos com alguma espécie de super-poderes. E aparentemente Tris tinha de passar por 5 simulações relativas a 5 facções para abrir a misteriosa caixa que os pais de Tris tinham escondido na sua própria casa mas que Jeanine não sabia o que era. Que sentido é que isso faz? Nenhum. Jeanine procura por divergentes por uma razão. Ela não quer que o sistema de facções acabe. Ela sabe o que contém a mensagem. Ponto.
A cena nos Cândidos, a forma como Jack Chang nem sequer aborda Jeanine, a morte de Eric onde não há a escolha de novos líderes. Nada é explorado neste filme a não ser a pancadaria e efeitos especiais. Podia dar um desconto ao Stress Pos-Traumático de Tris mas é realmente bem explorado? No livro ela mal é capaz de pegar numa arma mas 15 minutos depois do filme começar, Tris dispara como o Rambo. E ainda nos Cândidos, Tris não foi imune ao soro. Ela não escolheu contar a verdade. Jack disse-lhe "Quanto mais resistires, maior é a dor" e ela respondeu, "não posso contar", em relativa dor, pelo que fica a questão: Se Tris não foi imune ao soro da verdade, é suposto ela ser imune ao soro da morte em Convergente? Mas suponho que não estejam preocupados com o assunto.
A verdade é que é um ótimo filme/entretenimento. A coroa vai, sem dúvida para os actores, principalmente Shailene Woodley que faz um papel magnífico com Tris e com as suas flutuações de sentimentos. O mesmo para Theo James. Por outro lado, Kate Winslet parece monótona, sempre com as mesmas reações/posições, mas podemos associar isso à própria personagem que não perde o controlo em nenhuma situação. Insurgente está bem elaborado, recheados de cenas de ação e de conflito, mas não é a adaptação mais fiel que por aí existe e, por isso, sendo eu uma aficionada por livros, fui incapaz de o apreciar na sua plenitude pelo que nem sequer me vou dar ao dar uma classificação. Talvez vá ver uma segunda vez, mas acho pouco provável. Não sou capaz de eliminar o background que Veronica Roth criou e, o pior de tudo, é que Insurgente é, para mim, o melhor dos três volumes e as expectativas estavam no topo. 



Outros títulos das colecção
*Divergente  - adaptação cinematográfica aqui
*Insurgente - adaptação cinematográfica aqui
*Convergente - adaptação cinematográfica aqui.

*Quatro 




Por Raquel Pereira.

2 Comentários

  1. Vi ontem o filme e deixou tanto a desejar.
    Se eu só visse os filmes se calhar gostava, mas como li as coisas não faziam muito sentido. Mas pensando melhor, se não tivesse lido se calhar ainda gostava menos porque parece não haver conexão com o filme anterior, as reações das personagens não estão explicadas de todo...
    Fui com uma pessoa que não leu os livros (só viu o divergente) e essa pessoa perguntou-me se acabou a história porque não conseguia perceber o que podia vir a seguir e que para ela a história acabava ali, com eles a ir em "liberdade". Istou deixou-me a pensar. Realmente estivémos meses e meses a sonhar com um filme, a ser bobardeados em todo o lado com campanhas de marketing para o filme que é uma valente... desculpa a palavra, porcaria!

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    1. Obrigada, por um momento achei sinceramente que era a única que via o problema porque quando fui ver, fui com uma pessoa que não lê, mas que também já não se lembrava bem do divergente e que adoro efeitos especiais, portanto gostou, mas mesmo as outras pessoas não apareciam nada aborrecidas, enquanto eu fervia por dentro pelas razões que disseste! Foi uma explosão de marketing com este filme, o minimo que podia fazer era torná-lo fiel, mas nem sequer senti que alguns dos personagens o fossem.

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