Sinopse
- Deixem passar a condenada à morte - dizem os rapazes. 
- Conta-nos o teu segredo - sussurram as raparigas.
Eu sou aquela rapariga. 
Eu sou o espaço entre as minhas coxas, a luz do sol a derramar-se entre elas. 
Eu sou a auxiliar de biblioteca que se esconde na "Fantasia". 
Eu sou a aberração de circo enclausurada em cera. 
Eu sou os ossos que eles querem, ligados num molde de porcelana.   

OpiniãoDemorei pouco mais de um dia a terminar a leitura. Não é uma leitura de todo fácil, especialmente porque é (pelo menos para mim) difícil de sentir algum tipo de empatia para com a protagonista. Não simpatizei minimamente com o tipo de escrita da autora. É uma experiência sensitiva, sem dúvida. Tudo possui um cheiro, uma cor, alguma coisa relacionada. Mas é uma narrativa repetitiva, própria da doença, aceito, mas é uma narrativa pobre, não há outra palavra para descrever. Percebo que haja a necessidade de dar um determinado "conceito" ao livro pela temática que aborda: anoréxia e bulimia, mas não há qualquer tipo de desenvolvimento, não há uma história em si, pelo menos no contexto da palavra.
Aqui, as personagens secundárias não evoluem. E mesmo as que existem são tristes na sua existência, até Emma, a "irmã emprestada", uma criança. Para além disso, há o sentimento de revolta não só para com a protagonista, mas pela família em si, pelo quase "fechar os olhos" ou "ignorância" e questiono-me de quantas raparigas como Lia há por aí com famílias que não vêem, só olham.
Do mesmo modo, há situações irreais, não percebo a existência de Elijah. Não percebo a mentalidade por detrás das passagens dos "fóruns". Percebo que isso deve-se ao facto de eu não sofrer desta doença mas, parece-me doentio. É um retrato doentio de uma realidade doentia. E isso é de louvar. Não houve um romanticismo pela parte da autora. Isto é a realidade.
Mas não sou capaz de dizer que gostei da narrativa, porque não gostei. Não há um crescimento. Há um decorrer de acontecimentos que culminam no que todos prevíamos e que em parte levou-me a ler o livro tão depressa. Queria ver a família a reagir. Queria vê-la perceber a doença. Queria que o livro terminasse.
Outros títulos da autora: 
*Speak
*Fever 1793
*The Impossible Knife of Memory
*Twisted
*Catalyist
*Prom


2 Comentários

  1. Também comentei este no meu blgo, porque depois de ler o outro livro da autora: "Grita!" tive de arranjar mais.
    São algo diferentes, os dois. Este é mais tipo "relato" e o outro é mais mexido, mas ambos demonstram o que eu considero mestria os sentimentos das personagens de uma forma que até arrepia.

    Também não consegui sentir simpatia por esta personagem, mas li o livro até ao fim pois é de facto interessante (e algo repulsivo) ver a realidade de situações que se passam na vida real, à nossa volta...

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  2. Eu, por muito que desgoste de um livro, sinto obrigação de o ler até ao fim. Sou adepta de "é preciso conhecer para ter uma opinião". Grita é um dos livros que quero ler no próximo ano :)
    Mais uma vez, obrigada por todos os comentários. ;)

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