| Review | A Seleção de Kiera Cass

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Sinopse: Para trinta e cinco raparigas, A Seleção é a oportunidade de uma vida. É a possibilidade de escaparem de um destino que lhes está traçado desde o nascimento, de se perderem num mundo de vestidos cintilantes e joias de valor inestimável e de viverem num palácio e competirem pelo coração do belo Príncipe Maxon. No entanto, para America Singer, ser selecionada é um pesadelo. Terá de viver as costas ao seu amor secreto por Aspen, que pertence a uma casta abaixo da sua, deixar a sua família para entrar numa competição feroz por uma coroa que não deseja, e viver num palácio constantemente ameaçado pelos ataques violentos dos rebeldes. Mas é então que America conhece o Príncipe Maxon. Pouco a pouco, começa a questionar todos os planos que definiu para si mesma e percebe que a vida que sempre sonhou pode não ter comparação com o futuro que nunca imaginou.  
SynopsisFor thirty-five girls, the Selection is the chance of a lifetime. The opportunity to escape the life laid out for them since birth. To be swept up in a world of glittering gowns and priceless jewels. To live in a palace and compete for the heart of gorgeous Prince Maxon. But for America Singer, being Selected is a nightmare. It means turning her back on her secret love with Aspen, who is a caste below her. Leaving her home to enter a fierce competition for a crown she doesn't want. Living in a palace that is constantly threatened by violent rebel attacks. Then America meets Prince Maxon. Gradually, she starts to question all the plans she's made for herself—and realizes that the life she's always dreamed of may not compare to a future she never imagined.


Disclaimer: Esta é a segunda opinião. A Seleção foi a primeira opinião publicada do DeliriousBeautifulMind no dia 1 de Janeiro de 2015 e era, sobretudo um resumo. Nesta nova leitura, espero que a opinião seja mais pertinente. 

Opinião: Trinta e Cinco candidatas. Um príncipe. Uma coroa. É esta a premissa de A Seleção de Kiera Cass. Uma premissa que facilmente compreendemos, não só pela sua simplicidade mas também por ser algo inerente na nossa sociedade ao nível dos Reality Shows - vejamos o exemplo de The Bachelor. A Seleção, é um livro que está catalogado como uma distopia e o motivo é óbvio. Kiera Cass criou um mundo onde os Estados Unidos da América, agora Ílea, está dividido em Castas de Um a Oito, sendo que cada uma das Castas tem as suas próprias características, funções e condições de vida, no entanto, seria mentira se não afirmasse a verdade: Kiera Cass criou fundamentalmente um romance. 
Uma da grandes falhas por detrás da escrita da autora é a construção mal formatada, mal explorada e demasiado contida do mundo. Não há grandes explicações, não há uma ideia complexa por detrás de Ílea ou, para ser completamente sincera, credível. Uns Estados Unidos distópico. É uma ideia interessante e com um potencial imenso e que já mostrou dar frutos - como no caso de Delirium de Lauren Oliver. Porém, Kiera Cass rapidamente coloca a construção do mundo de parte para se focar nas emoções e no romance. 
A autora, no entanto, oferece ao leitor um presente: America Singer. A protagonista é uma força que obriga o leitor a avançar nas páginas. Com uma personalidade aditiva e simultaneamente exasperante, faz a história avançar a um bom ritmo fornecendo conteúdo a um mundo construtivamente pobre. Mesmo ao nível dos personagens secundários, salvo raras excepções, a autora caí nos estereótipos comuns, com personagens como Celeste e muitas das vezes, o número elevado de pessoas à volta da protagonista faz com que apareçam apenas como clones de outras personagens mas com nomes diferentes, não havendo nenhum tipo de diversidade que valha a pena mencionar.
Por outro lado, apesar de extremamente talentosa na mistura de emoções, na criação de um romance credível e de um livro que acaba por actuar como "chocolate para a alma", a autora não dá espaço para a desconfiança ou para a criação de suposições visto que, desde o primeiro minuto que A Seleção é um livro previsível e, grande parte dos defeitos do livro - à excepção da construção do seu universo - está centralizado única e exclusivamente no personagem de Aspen. A autora vende-nos a ideia de um altruísmo que não existe e tudo o que o rodeia é demasiado previsível e pior: fácil. Tudo, desde o momento da despedida ao reencontro, provoca um desenvolvimento anti-natural que serve apenas para criar um triângulo amoroso cuja resolução nos é dado nos primeiros capítulos.  
À semelhança do mundo, as histórias secundárias são igualmente mal executadas, dadas rapidamente através de diálogos de uma ou duas páginas de forma quase "cuspida". E, mais uma vez, Kiera Cass evidencia neste volume a principal fraqueza da sua escrita: o desenvolvimento para lá das emoções do coração. Num mundo de desiguais, a autora possui uma oportunidade brilhante de transformar a protagonista numa campeã do povo mas, o que Os Jogos da Fome possui num equilíbrio perfeito, A Seleção peca em falta. As medidas rígidas e a fome, não actua como um motivador, pelo contrário. A rebelião que a autora lentamente introduz é-nos dada por detrás de quatro paredes blindadas e, mais uma vez, o leitor é deixado apenas para ver o lado romântico da questão. 
Ainda assim, A Seleção é um bom livro, com uma boa história e, uma vez no seu mundo, é difícil coloca lo de lado. Apesar de ser a minha segunda leitura, foi, mais uma vez, uma leitura aditiva e rápida como a primeira, mexendo com as emoções a cada capítulo. Não é a obra mais desenvolvida mas, consegue, sem dúvida, captar o leitor do início ao fim. 

Review: Thirty-five candidates. A prince. A crown. This is the premise of The Selection. A premise we easily understand, not only for its simplicity but also for something inherent in our society at the level of Reality Shows - let's take the example of The Bachelor. The Selection, is a book that is cataloged like a dystopia and the reason is obvious. Kiera Cass has created a world where the United States of America, now Ílea, is divided into Castes from One to Eight, each Caste having its own characteristics, functions and living conditions, but it would be a lie if I did not state the truth: Kiera Cass has created a romance.
One of the major flaws behind the author's writing is the poorly-shaped, poorly exploited, and over-restrained construction of the world. There are no great explanations, there is no complex idea behind Ílea or, to be completely honest, credible. A dystopian United States. It is an interesting idea and with big potential and has already proven to be a successful idea - as in the case of Lauren Oliver's Delirium. However, Kiera Cass quickly puts aside the construction of the world to focus on the emotions and romance.
The author, however, offers the reader a gift: America Singer. The protagonist is a force that forces the reader to go through the pages. With an additive and simultaneously exasperating personality, it makes the story move forward at a good pace by delivering content to a constructively poor world. Even at the level of the secondary characters, with rare exceptions, the author fell into the common stereotypes, with characters like Celeste and many times, the high number of people around the protagonist makes them appear only as clones of other characters but with different names, there being no diversity of worth mentioning.
On the other hand, although extremely talented in the mix of emotions, in creating a credible novel and in a book that ends up acting as "chocolate for the soul", the author does not give room for mistrust or for the creation of assumptions seen that from the very first minute that The Selection is a predictable book, and much of the book's shortcomings - other than the construction of its universe - are centered solely and exclusively on the Aspen character. The author sells us the idea of ​​an altruism that does not exist and everything that surrounds it is too predictable and worse: easy. Everything, from the moment of farewell to the reunion, provokes an anti-natural development that serves only to create a love triangle whose resolution is given in the first chapters.
Like the world, the secondary stories are equally poorly executed, given quickly through one- or two-page dialogues in an almost "spitting" way. And again, Kiera Cass shows in this volume the main weakness of her writing: the development beyond the emotions of the heart. In a world of unequals, the author has a brilliant opportunity to transform the protagonist into a champion of the people but, what The Hunger Games has in perfect balance, The Selection misses. Rigid measures and hunger, does not act as a motivator, on the contrary. The rebellion that the author slowly introduces is given to us behind four armored walls and, once again, the reader is left only to see the romantic side of the issue. Still, The Selection is a good book, with a good story, and once in this world, it's hard to put it aside. Despite being my second reading, it was, once again, an additive and quick reading like the first one, moving with the emotions in each chapter. It is not the most developed work, but it can undoubtedly capture the reader from beginning to end.

It's always the fear of looking stupid that stops you from being awesome.




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