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Opinião: Alan Turing não é, como tantos outros, um herói de guerra reconhecido e a sua história permaneceu oculta durante cinquenta anos. O foco do filme não é a guerra, pelo que as cenas de atentados são poucas e minimamente realistas. O foco do filme é sim a Enigma, uma máquina encriptada alemã que, caso descodificada, poderia dar, entre outros, as posições dos submarinos e navios de guerra alemães que, durante o período de 1939 a 1945 destruíram e provocaram a morte a dezenas de milhares de pessoas, incluindo de modo indireto, com a destruição de barcos de carga com alimentos. 
Baseado em factos verídicos, o filme começa com uma remanescência a um passado longínquo em 1928, apresentando um Alan introvertido e cuja infância foi marcada pela violência dos colegas de escola pelo facto de ser diferente o que o permitiu chegar à conclusão que viria a alentá-lo anos mais tarde de que a violência só dura enquanto a vítima se debate, porque ver a sua reação sabe bem. É aqui, num passado posterior e anterior à guerra que nos é apresentado Christopher, e aquela que podia passar por uma amizade, reflete-se no primeiro amor e na primeira evidência da orientação sexual de Alan. 
Como era de esperar, Benedict Cumberbach é incrivelmente verossímel no papel de um homem egocêntrico, arrogante com graves problemas ao nível do relacionamento. Uma das partes mais "divertidas" é ver Alan a procurar colmatar a sua incapacidade social com os colegas de trabalho, orientado e incentivado pela personagem interpretada por Kiera Knigthtley, Joan Clarke.A relação que se estabeleceu entre os dois é incrivelmente comovente e enternecedora, baseada numa amizade pura. São duas mentes brilhantes que se completam. Uma relação baseada no intelecto. 
Um apaixonado (obcecado) pelo seu trabalho e pelos puzzles e enigmas do dia-a-dia Alan e a sua equipa conseguiram quebrar o código da Enigma com a máquina construída e pensada por Alan, chamada Christopher. Foi com a descodificação da Enigma que os Aliados conseguiram vencer a guerra, antecipando os ataques alemães - incluindo o famoso Dia D. E, apesar da racionalidade e arrogância que Benedict Cumberbach mantém incólume até ao fim, em nenhum momento somos capazes de deixar de simpatizar com a personagem criada e, por isso, o fim do filme, anos após o final da guerra (1959) é nada menos do que chocante para aqueles que, como eu, desconheciam a existência deste homem brilhante porque Alan Turing  cometeu o crime de ser homossexual e, por isso, foi-lhe dado a escolher entre dois anos de prisão ou castração química. Para poder continuar o seu trabalho, Alan escolheu a segunda opção. Suicidando-se anos depois. Alan Turing cujo trabalho permitiu encurtar a guerra em 2 anos e que estima-se que salvou mais de 24 milhões de pessoas.
No fim é-nos dado a saber que, em 2013, a Rainha Isabel II concedeu-lhe perdão.
Fica a questão: porque é que ele tinha de ser perdoado se não cometeu nenhum crime? 
Recomendo vivamente. 


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