Sinopse: Para Rhine de dezassete anos, a arriscada fuga do casamento polígamo parece ser o princípio do fim. A evasão leva Rhine e Gabriel a uma armadilha sob a forma de uma feira popular, cuja dona mantém várias raparigas prisioneiras, Rhine acaba por fugir de uma prisão dourada para se meter noutra ainda pior. 
A jovem acaba por percorrer um cenário tão sombrio como o que deixou há um ano - que reflecte os seus sentimentos de medo, desespero e desesperança. 
Com Gabriel a seu lado está decidida a chegar a Manhattan para se encontrarem com Rowan, o irmão gémeo, mas a viagem é longa e perigosa e o que Rhine espera que seja uma segurança relativa revelar-se-á muito diferente. 
Num mundo onde as raparigas só vivem até aos vinte anos e os rapazes até aos vinte e cinco, o tempo é precioso e Rhine não tem como escapar nem iludir o excêntrico sogro Vaughn que está determinado a levá-la de novo para a mansão... a todo o custo. 

Opinião: Enquanto Raptada tem um desenvolvimento lento, Delírio passa à velocidade da luz. Há uma maior variedade de acontecimentos, de ambientes e de personagens. Não estamos limitados à mansão e a Linden, Deirdre, Cecily e Vaughn. Se Raptada era uma experiência sensitiva Delírio não é, de todo, diferente. Há a exposição a realidades cruas e ainda mais duras que não são frequentes neste género literário, pelo menos de maneira tão exposta. E, se em Raptada a acção é maioritariamente interior, em Delírio há um balanço entre o conflito interior e exterior.


Rhine conseguiu aquilo que queria. Não pensei por um minuto que seria uma fuga fácil, ou que Linden ou Vaughn iriam deixar a vida e os pensamentos da protagonista, no entanto e, apesar de Lauren DeStefano nos ter apresentado de forma leve essa realidade através de Jenna, não pensei ver Rhine num bordel, transformando o que era uma realidade leve numa autêntica bofetada na cara onde a protagonista é forçada a atuar com Gabriel para satisfação sexual de outros.
Aqui, outros personagens tomam lugar, entre os quais Lilac, uma das raparigas, Maddie, a filha malformada de Lilac e Jared, um guarda relativamente bondoso, se tal palavra é permitida neste mundo criado e pensado de forma bruta. E, apesar da revelação final de quem Lilac realmente é, espero sinceramente saber mais sobre ela e Jared no último volume, assim como Maddie. Tal como estes três, outros personagens surgem de forma fugaz como Claire e Silas e até Annabelle e há a compreensão de fugacidade. Tudo é fugaz. O mundo está a terminar. E há a probabilidade de termos visto o fim destes personagens.
Cada um surge com um propósito: para representar força, compassividade, empatia, preconceito e crueldade. No meio disto tudo, Rowan continua a ser um personagem ausente na sua figura, mas mais presente do que nunca nas ações e nos pensamentos de Rhine e Annabelle aparece como a personificação do choque com a realidade da nova pessoa de Rowan que irá ser para Rhine, penso eu, no próximo volume. Ele está mudado. É o que lhe quer dizer. Há também a ideia de um segredo por parte dos pais de Rhine, de que, talvez, Rhine e Rowan sejam diferentes, num mundo de iguais.
Gabriel é uma presença igualmente forte neste volume onde, ao contrário de outros "amantes" que seguem quase cegamente a protagonista, ele questiona e há um ressentimento, ainda que quase disfarçado, pela ilusão criada de Rhine de um mundo bom quando na verdade ele está estragado. A relação entre os dois é fascinante porque, apesar dos azares, do ressentimento e da culpa, mantêm-se juntos. Ainda não os consigo ver como um casal. Acredito sim que o mundo os manteve juntos. A necessidade e sobrevivência e não o amor.
O reencontro com Deidre dá-nos a ideia de que cada ação tem uma consequência e que cada ação de Rhine irá continuar a ter um impacto sobre os outros. Cecily aparece cada vez como uma personagem mais dúbia. Ora ajuda, ora mantém-se fiel a Vaughn. É uma criança que brinca aos adultos. Uma criança que espera por outra criança, num mundo onde ser criança já não é permitido. Do mesmo modo, Linden é confrontado, finalmente, pelas acções do pai e a sua reacção não podia ser mais decepcionante.
É sem dúvida uma continuação brilhante, exponencialmente melhor do que o primeiro volume, não só ao nível do ambiente, variado e rico em pormenores, mas igualmente em personagens e exploração das ações e dos sentimentos humanos perante um mundo trágico onde nada dura para sempre e os mais fracos são facilmente dispensados. Lauren DeStefano faz um trabalho fantástico.
Outros títulos da colecção: 
*Raptada
*Delírio
*Separação


Deixe um comentário

Tens uma opinião? 3,2,1 GO