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Opinião: Sempre fui da opinião de que as adaptações, sejam cinematográficas ou televisivas, perdiam parte do seu conteúdo original, perdendo em qualidade para o seu material homónimo mas, e apesar de chegar bastante tarde à fandom, a adaptação televisiva de A Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin repete, quase palavra por palavra, o conteúdo/diálogo do livro a um nível que para mim é surreal. Para alguém que, como eu, foi avançando nas páginas ao mesmo tempo que avançava nos episódios, é fascinante ver a nossa imaginação tornada realidade. Uma adaptação de qualidade precisa de actuar como uma expansão do livro, dar ao leitor aquilo que ele nem sabia que queria e David Benioff e D.B.Weiss com esta primeira temporada de A Guerra dos Tronos conseguiram deixar, não só os leitores satisfeitos como atrair uma montanha de não-leitores para um mundo de fantasia complexo e magnífico.
A Guerra dos Tronos é um universo extenso e no primeiro livro tive alguma dificuldade em reconhecer os nome para lá dos personagens principais. George R. R. Martin criou um conjunto de personagens eclético que na série ganham um rosto e um corpo, facilitando a imaginação daqueles que, como eu, se perderam nos nomes e nos títulos, transformando tudo num grande borrão de tinta. Agora, mais familiarizada com a história e o mundo, consigo compreender na sua plenitude o porquê de A Guerra dos Tronos ser uma das melhores adaptações de sempre.
Fiquei impressionada com a capacidade de transcrição histórica. O ambiente de Westeros, da Muralha,  de Essos é tão importante como a linha temporal porque caso não fossem locais visualmente credíveis, penso que a série não teria tido a adesão em massa que acabou por ter. A realidade transcrita, por vezes perturbadora, outras sumptuosa, seja através de cenas de carácter sexual ou violência, seja através da apresentação da mítica Muralha, dá-nos uma sensação de realismo que presenciei poucas vezes mesmo quando se trata de adaptação cinematográficas.
A primeira temporada de A Guerra dos Tronos baseia-se no primeiro livro com o mesmo título e, em Portugal - devido a uma divisão que não compreendo, - baseia-se nos primeiros dois volumes: A Guerra dos Tronos e A Muralha de Gelo e é tudo aquilo que eu esperei e mais. O casting é, a meu ver, perfeito, desde Lena Headey como Cersei Lannister, a Sophie Turner como Sansa Stark, a Maise Williams como a pequena, mas letal, Arya Stark, Emilia Clarke como Daenerys Targaryen ou Peter Dinklage como Tyrion Lannister. O casting funciona maravilhosamente e numa co-existência perfeita com o que é apresentado nos livros, cujo ponto de vista muda, à semelhança da adaptação. A primeira temporada, com 10 episódios com pouco menos de uma hora cada um, dá-nos momentos de choque, de enternecimento, tristeza e de alívio cómico.
David Benioff e D.B.Weiss conseguiram um passing perfeito. Não há momentos mortos e cada momento serve um propósito para completar o arco de cada um dos personagens. A própria apresentação de cada uma da famílias, dos próprios lemas, dos brasões, são bem representadas e mais importante, facilmente compreendidas num universo onde o que está nas entrelinhas é igualmente importante. No final da temporada conseguiram deixar-me de coração apertado - apesar de conhecer o final pela leitura do livro - pela escolha de fotografia e de momentos com ausência de som.  Pela primeira vez, vou referir-me também há abertura da série, agora icónica, que mostra na perfeição não só a geografia do mundo criado por George R. R. Martin como também a complexidade do seu universo.
A Guerra dos Tronos acaba por ser uma série inteligente e bem executada e, penso que mesmo as pessoas ou leitores que não são adeptos de fantasia podem apreciar a beleza e o realismo do mundo de Westeros e do mundo para lá dele. Esta primeira temporada, fiel à sua adaptação actua apenas como uma preparação, quase uma apresentação, do que está para vir e, embora tenha adorado cada minuto, nada retira a experiência de ler onde, pequenas pistas são apresentadas, aqui e ali, onde teorias são formadas no meio do caos de palavras e de nomes. Em resumo, a HBO conseguiu levar avante uma das melhores séries de fantasia e torná-la real e amada por muitos, algo que muitos outros, falharam em conseguir.
Outros títulos da colecção
*A Guerra dos Tronos - Volume I  - adaptação televisiva: aqui
*A Guerra dos Tronos - Volume II - adaptação televisiva: aqui
*A Muralha de Gelo - Volume I  - adaptação televisiva: aqui
*A Muralha de Gelo - Volume II - adaptação televisiva: aqui
*A Fúria dos Reis 
*O Despertar da Magia 
*A Tormenta de Espadas
*A Glória dos Traidores
*O Festim dos Corvos
*O Mar de Ferro
*A Dança dos Dragões
*O Reino do Caos 
*The Winds of Winter (2017/2018)
*A Dream of Spring (sem previsão de data)


Sinopse: Helena Hamilton tem dezasseis anos e passou a vida inteira a tentar esconder o facto de ser muito diferente, o que não é tarefa fácil numa ilha tão pequena e resguardada como Nantucket. E está a tornar-se ainda mais difícil. Pesadelos com a travessia desesperada num deserto fazem com que acorde desidratada e com os lençóis estragados de sujidade e pó. Na escola, é assombrada com alucinações de três mulheres a chorarem lágrimas de sangue... e, quando se cruza pela primeira vez com Lucas Delos, não percebe que estão destinados a desempenhar os papéis principais numa tragédia que as Parcas insistem em repetir ao longo da história. 
À medida que Helena vai desvendando os segredos da sua ascendência, compreende que alguns mitos são mais do que simples lendas. Mas mesmo os poderes de semideuses poderão não ser suficientes para desafiar as forças que compelem Lucas e Helena a juntar-se... e que, ao mesmo tempo, tentam separá-los.

Book Trailer:


Opinião: Predestinados de Josephine Angelini é um livro sobre um amor impossível e de duas pessoas que estão condenadas a repetir a história, por mais trágica que ela seja. Helena Hamilton, a protagonista, é uma adolescente belíssima que passou a vida a tentar esconder o facto de ser diferente num mundo de iguais - literalmente. É um livro romântico com personagens belos, fortes e inteligentes, onde a perfeição encontra um caminho na vida daqueles que partilham um elo com os deuses, agora chamados de Rebentos. 
Josephine Angelini criou uma história com uma premissa simples e um fio condutor ainda mais simples - um amor condenado desde o início da primeira página - inovado pela mitologia que rodeia as personagens que, para mim, foi um dos pontos mais fortes. A mitologia grega eleva-se como um vulcão no meio de um prado - esplendoroso e impossível de desviar o olhar. A forma como a autora intercalou o romance entre Helena e Lucas com personagens da mitologia já conhecidas é o que dá poder a Predestinados e o realça no leque de romances YA.  Para além disso, gostei da forma como a autora brinca com o conceito de destino e como ridiculariza os termos absolutos como "nunca" e "sempre".  
Por outro lado, ao mesmo tempo que nos dá uma mitologia e um background interessante, a autora perde no mundo real, afundando-se em estereótipos ridículos para fazer sobressair a protagonista - ainda mais. As raparigas, exceptuando as personagens habituais são mesquinhas, infantis, egoístas, egocêntricas e, à falta de melhor palavra, idiotas. Por outro lado, os rapazes para lá dos personagens centrais, são meros sacos de carne recheados de hormonas. Não há um meio termo. Não há a possibilidade de conhecimento ou de redenção. São meros acessórios. 
Um ponto muito negativo seria realmente o clímax de Predestinados que é automaticamente perdido, páginas depois quando a autora se contradiz na grande revelação, mostrando que não estava disposta a correr o risco com o leitor. Foi realmente uma pena porque tirou qualquer piada ao sofrimento que o leitor pudesse vir a sentir com a "possível" proibição de um amor como o de Helena e Lucas. Foi visível que Josephine Angelini não estava disposta a correr riscos. Um pouco à semelhança do que aconteceu com a adaptação cinematográfica de A Cidade dos Ossos de Cassandra Clare.
Notou-se uma simplicidade na escrita da autora. Josephine Angelini mostrou possuir um humor negro, a roçar a ofensa em pequenos pedaços de diálogo, incluindo interno. Infelizmente, enquanto os POV de Helena foram bem descritos, detalhados, outros como de Creonte, foram pobremente aperfeiçoados. Não havia profundidade. Não havia subtileza. No entanto, diverti-me. Dei por mim a passar cada vez mais tempo em Nantucket, na cabeça de Helena, devorando cada pedaço de linha. A mitologia, tão intensamente  enraizada, ajudou. É a minha justificação para a classificação. Predestinados acaba por ser um guilty pleasure.

Outros títulos da colecção
*Predestinados
*Sonhos Esquecidos
*Deusa


SinopsePara lá da muralha de gelo, uma força misteriosa manifesta-se de maneira sobrenatural. E quem vive à sombra da muralha não tem dúvidas: os Outros vêm aí e o que trazem com eles é bem pior do que a própria morte... Ainda mais perto, na Corte, as conspirações continuam e o ódio entre as várias casas aumenta. Quando parece que nada poderia piorar, o rei é ferido numa caçada. Terá sido um acidente ou uma tentativa de assassinato?  

Opinião: E começou. Agora sim, o Inverno está a chegar. Até agora, A Muralha de Gelo revelou-se o meu favorito. Os nomes, anteriormente, confundidos num grupo demasiado grande de personagens, finalmente começou a fazer sentido. A confusão foi ultrapassada por uma necessidade abismal de saber mais. Foi o primeiro livro de George R. R. Martin que aproveitei na sua totalidade.
Mais uma vez, seguimos o curso de um núcleo demasiado grande de personagens mas George R. R. Martinc criou o equilíbrio perfeito de acontecimentos e de atenção a cada um dos intervenientes, agora um, para sempre desaparecido. A Muralha de Gelo culmina com o aparecimento de três criaturas maravilhosas e com o corte de cabeça de uma personagem importante para o desenvolvimento da história. As intrigas aumentam, há novos reis e rainha por todo o Westeros mas, pela primeira vez, não é difícil de acompanhar.
Para além disso, neste volume, George R. R. Martin mostra que não só é capaz de criar um mundo complexo capaz de vergar o mais simples dos mortais à sua vontade, como é exímio na arte de descrever batalhas. Uma pequena amostra daquilo que sei que estará por vir. As teorias começam a surgir entre pequenos pedaços de linhas e as ideias formam-se. George R. R. Martin deixou pequenas pistas aqui e ali não só em relação à progenitura de Jon Snow, como dos homens que irão acompanhar Daenerys Targaryen na sua (possível) conquista pelo Trono de Ferro.
Houve um à vontade muito grande com as ideias, as descrições, os personagens e os acontecimentos e, para os fãs da série televisiva da HBO, aconselho vivamente a leitura visto que há pormenores - se os há! - que são capazes de chamar a atenção para possíveis acontecimentos na nova temporada que chega em Julho deste ano.

Outros títulos da colecção
*A Guerra dos Tronos - Volume I  - adaptação televisiva: aqui
*A Guerra dos Tronos - Volume II - adaptação televisiva: aqui
*A Muralha de Gelo - Volume I  - adaptação televisiva: aqui
*A Muralha de Gelo - Volume II - adaptação televisiva: aqui
*A Fúria dos Reis 
*O Despertar da Magia 
*A Tormenta de Espadas
*A Glória dos Traidores
*O Festim dos Corvos
*O Mar de Ferro
*A Dança dos Dragões
*O Reino do Caos 
*The Winds of Winter (2017/2018)
*A Dream of Spring (sem previsão de data)


Sinopse: Estes são dias negros para Robert Baratheon, rei dos Sete Reinos. Do outro lado do mar, uma imensa horda de selvagens começa a formar-se com o objectivo de invadir o seu reino. À frente deles está Daenerys Targaryen, a última herdeira da dinastia que Robert massacrou para conquistar o trono. E ainda mais perto, na Corte, as conspirações continuam e o rio entre as várias Casas aumenta... 

Opinião: A Guerra dos Tronos de George R. R. Martin é uma história complexa, dominada pelas intrigas políticas, por mentiras e por jogos de poder e, neste primeiro volume de A Muralha de Gelo, que culmina com a ida de Robb em direcção às hostes de Tywin e Jamie Lannister e o aprisionamento de Eddard Stark vemos em primeira mão o acontecimento catalisador que vai colocar Westeros em movimento. Neste primeiro volume de dois vi, pela primeira vez, a evolução de algumas das personagens como Jon Snow, Arya e Robb Stark, assim como de Daenerys Targaryen. A voz que George R. R. Martin usa para cada interveniente é de tal modo única que é - agora - fácil de compreender as diferentes motivações, personalidades e passado. 
O que não mudou, no entanto, foi o número de personagens que ainda se misturam no meu imaginário. Para além do núcleo principal, os Lords e as Ladys, acabam por se tornar uma única personagem grande e de rosto cinzento. Alguém cujos traços e personalidade sou incapaz de reconhecer. Mas, ao mesmo tempo, George R. R. Martin criou um mundo de personagens substanciais e de acontecimentos de tal modo perfeitamente descritos que por, uma fracção de segundo, quase que acredito que Westeros é um local real que faz parte da nossa história enquanto humanidade. 
A Muralha de Gelo - Vol. I de II, foi uma leitura que consegui aproveitar. Pela primeira vez, senti-me mais à vontade com as descrições, com os protagonistas e com os acontecimentos e, apesar de ainda haver momentos em que tudo culmina num único borrão de tinta, dei por mim a gostar muito mais. Mantenho a minha opinião de que a leitura de A Guerra dos Tronos não é para toda a gente mas, a história certamente o é. 

Outros títulos da colecção
*A Guerra dos Tronos - Volume I  - adaptação televisiva: aqui
*A Guerra dos Tronos - Volume II - adaptação televisiva: aqui
*A Muralha de Gelo - Volume I  - adaptação televisiva: aqui
*A Muralha de Gelo - Volume II - adaptação televisiva: aqui
*A Fúria dos Reis 
*O Despertar da Magia 
*A Tormenta de Espadas
*A Glória dos Traidores
*O Festim dos Corvos
*O Mar de Ferro
*A Dança dos Dragões
*O Reino do Caos 
*The Winds of Winter (2017/2018)
*A Dream of Spring (sem previsão de data)


Opinião: 13 Reasons Why ou, Por Treze Razões, retrata a história de Hannah Baker, uma adolescente que decidiu tirar a própria vida e, através de Clay Jensen, o protagonista e narrador, conhecemos as razões - mais concretamente as treze razões, que levaram à sua decisão. É uma história baseada no livro original de Jay Asher, uma história difícil que toma uma abordagem diferente no ecrã, uma abordagem mais realista, mais forte e mais crua, pelo que a discrição é aconselhada, para pessoas que sofrem de depressão ou de outras doenças do foro psicológico, ou que tenham, ou já tenham tido tendências suicidas. Nesse caso, aconselho vivamente a não ver a série. 
O suicídio e as suas consequências ganham vida em 13 Reasons Why. Ao contrário do livro que é unicamente limitado à perspectiva de Clay, a série ganha um novo tom, uma nova vida, com a introdução de personagens como os pais de Hannah ou dando maior ênfase à vida dos intervenientes das cassetes que Hannah utiliza para contar a sua história. As cassetes foram, a meu ver, uma inovação, Jay Asher usou um meio de comunicação fácil e simples para contar uma tragédia e, para mim, continua a ser um dos pontos mais fortes da história.  
Na altura, a minha leitura foi ávida, queria saber mais, no entanto, o mesmo não se passou com a série. Queria estendê-la durante o máximo de tempo que conseguisse. Conhecendo o final, queria, desejava ardentemente por um fim diferente, por uma esperança que parecia já não existir. Queria manter-me presa nos momentos felizes e amorosos e saltar as partes más, cruéis e fúteis. Tentei, novamente, manter-me o mais possível afastada das palavras de Hannah mas, fazê-lo tornou-se mais complicado à medida que me embrenhava mais na interpretação de Katherine Langford ou de Dylan Minnette, ambos simplesmente fantásticos. A cinematografia estava fabulosa, intercalada entre momentos literalmente mais coloridos que representavam a vida de Hannah, e momentos nebulosos, rodeados de incerteza e de grande tristeza, após a morte de Hannah. As feridas de Clay usadas para situar o espectador foram um adereço inteligente e que serviu um propósito. 
Infelizmente, considerando a sinopse, a história não se alterou e a premissa da série manteve-se intacta. Hannah atribuiu a sua decisão a um determinado número de pessoas e quer fazê-los compreender o impacto que pequenas maldades podem fazer na vida de uma pessoa. Mas, muitas das vezes, senti que, quer no livro, quer na série, as atitudes de Hannah foram pura e simplesmente feitas com base numa vingança, não no sentido de ver a sua história reposta. Porém, ao contrário do livro, onde a palavra "egoísmo" pairava sobre a minha mente, com a série a palavra "impotência" dominou o meu mundo. Hannah, desde o primeiro segundo do primeiro episódio que já não existia, e com ela levou qualquer esperança de um final feliz.
Penso que a série destacou-se na apresentação das emoções da Hannah, na sua crueza para com os elementos principais que levaram ao suicídio de uma rapariga, como tantas outras, que devia ter a vida toda pela frente. Mas, ao mesmo tempo, acaba por, de alguma forma, dar uma ideia de glamour à palavra suicídio. Uma ideia de vingança, de algum poder, porque, mesmo morta, Hannah conseguiu fazer-se ouvir. Ao mesmo tempo, senti que o livro deu mais uma "sensação de educação". 
Infelizmente, em qualquer um dos casos, quer no livro, quer na série, não há uma resposta para Hannah. Não há uma ajuda concreta. Todas lhe falharam. Os pais não repararam. Os professores ignoraram. Os colegas de escola desprezaram. Uma série como esta que despertou o interesse em milhares de pessoas deveria oferecer algum tipo de resposta, alguma ajuda, mostrar alguma solução. 13 Reasons Why deu a entender que a situação de Hannah não poderia ter uma solução mas, do mesmo modo que as nossas palavras e os nossos gestos podem magoar, fracturar, destroçar e destruir, podem ajudar, curar e reconstruir uma pessoa. O que podemos fazer para prejudicar alguém não tem fim mas, do mesmo modo, o que podemos fazer para ajudar alguém é infinito. 
Outros títulos do autor: 
*Por Treze Razões - adaptação televisiva: aqui.

*Antes do Futuro




Comprados. Oferecidos. Cedidos.
Fantasia. Ficção Científica. Contemporâneo.
Português. Inglês. 
Autores Nacionais. Autores Estrangeiros.
Editorial Presença. Chiado Editora. Entangled Publishing.  Bloomsburry Publishing. Hodder & Stoughton General Division. Nuvem de Tinta.

Mors Tua, Vita Mea
Se Eu Fosse Tua
Última Estrela
Before I Fall
A Court of Thorns and Roses

#um agradecimento especial a Vanessa Santos por, muito gentilmente, me ter cedido o seu livro


SinopseSou a Sara, e estou agoniada, desesperada, com suores frios, o mundo ganhou profundidade, está calor, não, é frio, estou tonta. Tirem-me daqui, por favor.
É assim que se inicia o relato de Sara, a rapariga mais comum da cidade de Leiria. É-lhe transmitido pelo seu chefe um segredo de família que lhes trará dificuldades e mudanças.
Em pouco tempo, Sara verá a sua vida dar uma volta de 180º, viverá momentos de pânico, medo e de pura paixão.
Trata-se de um relato divertido, que descreve o desenrolar da trama de uma forma leve, dando a conhecer o ponto de vista de uma jovem na casa dos vinte anos e no auge da sua imaginação, descrevendo as cenas que vive com à-vontade e humor.

Opinião: Mors Tua, Vita Mea de Vanessa Santos pareceu-me, durante um número considerável de páginas, um livro a pender para o humor e para o divertido, considerando a própria sinopse e o próprio começo, algo caricato mas, à medida que a história se desenvolve as parecenças com algo humorístico desvanecem-se no ar. A verdade é que desconhecia a escrita de Vanessa Santos, pelo que, a título pessoal, fico grata pela possibilidade de não só dar a conhecer autores portugueses, como de ficar em contacto com o seu trabalho. 
O meu conhecimento de livros de mistério ou de acção é pouco, quase a roçar a nulo, mas penso que tenho capacidade suficiente para julgar o Mors Tua, Vita Mea, enquanto livro, e enquanto história e, a verdade é que, infelizmente, não me puxou, de todo. Em primeiro lugar, o primeiro capítulo possui 332 páginas, logo isso corta a fluidez da leitura, o passing torna-se penoso. Para além disso, a presença de erros deixou-me de coração nas mãos porque eram desnecessários com uma revisão acertada e a verdade é que não me consigo desligar das falhas gramaticais assim que as vejo. 
Mors Tua, Vita Mea, é um livro grande, são 540 páginas de investimento numa história que devia levar o leitor a querer mais, mas infelizmente até mais de metade das páginas, isso não aconteceu, daí o tempo prolongado de leitura. Não ajudou o facto de Sara, a protagonista, ser alguém infantil, com o seu quê de egocentrismo e inconsciente. Uma protagonista com a qual não me identifiquei minimamente e, mesmo os seus defeitos, que podem salvar um personagem quando bem executados, não me fizeram querer saber mais da sua vida ou sequer importar. E a ausência de emoção é a morte do livro. Tal sentimento durou até à página 407 onde os capítulos curtos e concisos, o desenrolar da história, a própria mudança de pontos de vista, aceleraram o passing, mostraram como o livro devia ter sido desenvolvido desde o princípio - uma constante mudança de personagens, de cenários, de acontecimentos. 
Mors Tua, Vita Mea, melhora para o final e sou a primeira a afirmar que tem uma conclusão forte que despertou uma emoção em mim, mas durante as 540 páginas, a autora divaga demasiado, vai buscar assuntos que não interessam para: 1. o desenvolvimento da história 2. desenvolvimento da protagonista 3. para o passing. São meras divagações sobre mulheres polícias, sobre um ex-namorado cujo nome era fish. No início os próprios diálogos são fracos e tolos e senti que houve vários juízos de valor ao longo do livro. 
Penso que se Mors Tua, Vita Mea, tivesse sido coeso, como nas últimas cem páginas, o livro teria um maior impacto no leitor. Há demasiadas pontas soltas: chegaram a remover as câmaras da antiga casa de Sara? Da biblioteca? E claro, posso não ser a melhor apreciadora de livros de mistério e de acção mas, toda o envolvimento mais dramático do "submundo" pareceu-me algo saído de hollywood e não realístico. 
Mors Tua, Vita Mea melhorou com a mudança de protagonista, ganhou ritmo, embora os erros continuassem lá, a existir e a aparecer sobre as mais diversas formas e, apesar de as mudanças de ponto de vista muitas das vezes não tivesse identificada nem com um espaçamento entre parágrafos, deu para perceber a ideia e, mais importante, deu para aproveitar a leitura. Só tenho pena que tenha sido nos últimos momentos e não desde o início.

Outros títulos da autora:
*Mors Tua, Vita Mea 


Sinopse: Numa galáxia dominada pela corrente, todos têm um dom. 
Cyra é a irmã do tirano cruel que governa o povo de Shotet. O dom-corrente de Cyra confere-lhe dor e poder, que o irmão explora, usando-a para torturar os seus inimigos. Mas Cyra é muito mais do que uma arma nas mãos do irmão; é resistente, veloz e mais inteligente do que ele pensa. 
Akos é o filho de um agricultor e do oráculo de Thuvhe, a nação-planeta mais gelada. Protegido por um dom-corrente invulgar, Akos possui um espirito generoso e a lealdade que dedica à família é infinita. Após a captura de Akos e do irmão, por soldados Shotet inimigos, Akos tenta desesperadamente libertar o irmão, com vida, custe o que custar. 
Então Akos é empurrado para o mundo de Cyra, onde a inimizade entre ambas as nações e famílias aparenta ser incontornável. Ajudar-se-ão mutuamente a sobreviver ou optarão por se destruir um ao outro

Book Trailer:

Opinião: Gravar as Marcas de Veronica Roth é um livro de ficção científica rodeado de conceitos e de ideias simultaneamente originais e diferentes. É o primeiro livro da autora depois do sucesso de Divergente e, não podia ser o mais distinto. Seguimos as mesmas pisadas de mundos diferentes, ou melhor, uma galáxia distópica, mas a ideia por detrás de Gravar as Marcas é, a meu ver, mais complexa. 
Gravar as Marcas possui dois pontos de vista distintos: Cyra e Akos e a linha temporal é extensa. No espaço de dois anos, ou duas estações, vemos as personagens a evoluir e a desenvolver-se. No entanto, para mim, o início, as primeiras páginas, foram confusas. Somos bombardeados com conceitos estranhos, nomes fictícios para planetas, para uma religião, para locais imaginários sem qualquer aviso. Veronica Roth descreve o universo de Gravar as Marcas como se nós, enquanto leitores, já o conhecêssemos de antemão, o que não acontece. Isto pode ter dois efeitos diferentes no leitor: ou o entusiasma, ou o deixa frustrado. Até ao segundo capítulo a frustração dominou o meu pensamento porque, pura e simplesmente, não compreendia. Os nomes baralhavam-se e as ideias chegavam misturadas. 
Apesar de ser diferente do seu primeiro trabalho, Veronica Roth manteve algumas das mesmas linhas: uma protagonista forte, órfã, com um irmão que deseja por poder e conhecimento, uma relação fraterna que deixa um tanto ou quanto a desejar. Mas, apesar das familiaridades, para mim, Gravar as Marcas distinguiu-se de Divergente pela complexidade e pela carga emocional dos protagonistas. Cyra, uma mistura de Tris com Juliet de Shatter Me, deixou-me fascinada com o seu dom e Akos, deixou-me interessada na sua história. Pólos apostos que se atraem e que me levaram a continuar com a leitura quando já não o desejava.
Veronica Roth cria com Gravar as Marcas algo novo, um novo conceito de destino, levando-o literalmente à letra. Este foi um dos pontos que mais gostei e que mais me puxou para o livro. A história familiar que rodeia os destinos é igualmente interessante mas apesar de original no seu conteúdo, cai nos clichês habituais e, até determinado ponto do livro fui capaz de prever a maior parte dos acontecimentos, desde a primeira morte, habitual no género YA, até ao romance que sabíamos que iria desabrochar. Não me interpretem mal, foi uma viagem divertida e interessante mas com o seu quê de previsível. 
Gravar as Marcas é um livro onde as páginas voam se, e apenas se, estiverem no humor correcto para a história. Penso que, apesar da escrita fácil e fluída, há demasiadas variáveis que podem fazer a leitura um martírio mas acredito que se ultrapassarem os primeiros capítulos, as páginas começam a ser interessantes e o mundo fica subitamente diferente. 

Outros títulos das colecção:
*Divergente  - adaptação cinematográfica aqui
*Insurgente - adaptação cinematográfica aqui
*Convergente - adaptação cinematográfica aqui.
*Quatro 

Outros títulos da autora:
*Gravar as Marcas


Opinião: A Fonte Misteriosa ou Tuck Everlasting, na versão original, é um filme juvenil que descreve o acto de crescer e das mudanças que acontecem com esse crescimento (viva a redundância) uma delas sendo a percepção da morte e do que ela realmente representa. Winnifred Foster, uma rapariga naturalmente inteligente e curiosa mas protegida pelo dinheiro e pelo prestígio do seu próprio nome vê-se, de repente, no meio de uma família com um estilo de vida mais simples, mas com um segredo: os Tuck não envelhecem e não são capazes de morrer.
A Fonte Misteriosa é contada quase como um conto-de-fadas, a própria narração, simples e doce, mostra-nos que algo de fantástico está prestes a acontecer, que a mudança está ao virar da esquina. Não foi um livro com excessos e o mesmo acontece com a adaptação cinematográfica: tudo, desde a banda sonora, aos actores, ao ritmo da acção está em perfeita harmonia.
Mas, há diferenças óbvias entre o filme e o livro, quanto mais não seja pela idade da protagonista. No entanto, são mudanças que são bem-vindas uma vez que possibilitaram uma maior maturação nas diferentes relações e uma maior percepção da dor passado dos Tuck, o que por consequência aumenta a carga emocional que nos atropela nos últimos minutos do filme. Mas, ao mesmo tempo, ao possibilitar uma relação diferente daquela que é relatada no livro, entre uma menina de dez anos e um rapaz de dezassete, faz com que utilize uma formula já muito usada, ou seja, o romance que surge não é novidade.
À semelhança do seu material original, dá-nos uma ideia do que é uma vida não vivida, de que a morte não deve ser encarada com medo porque no fundo, faz parte de todas as coisas. A Fonte Misteriosa é um filme juvenil, uma adaptação de um clássico e que serviu o seu propósito de entretenimento, pelo que aconselho vivamente.

Don't be afraid of the dead Winnie, be afraid of the unlived life.
Outros títulos da autora:
*A Fonte Misteriosa - adaptação cinematográfica aqui.


SinopseBeing connected to Daemon Black sucks… Thanks to his alien mojo, Daemon’s determined to prove what he feels for me is more than a product of our bizarro connection. So I’ve sworn him off, even though he’s running more hot than cold these days. But we’ve got bigger problems.
Something worse than the Arum has come to town…

The Department of Defense are here. If they ever find out what Daemon can do and that we're linked, I’m a goner. So is he. And there's this new boy in school who’s got a secret of his own. He knows what’s happened to me and he can help, but to do so, I have to lie to Daemon and stay away from him. Like that's possible. Against all common sense, I'm falling for Daemon. Hard.
But then everything changes…
I’ve seen someone who shouldn’t be alive. And I have to tell Daemon, even though I know he’s never going to stop searching until he gets the truth. What happened to his brother? Who betrayed him? And what does the DOD want from them—from me?
No one is who they seem. And not everyone will survive the lies…

Opinião: Onyx é o segundo livro da série Lux de Jennifer L. Armentrout e, apesar de as minhas expectativas se situarem na estratosfera, não fiquei desiludida, pelo contrário. Onyx é, como Obsidian antes dele, um livro encantador, diferente no seu conteúdo paranormal e divertido! Desde a primeira à última página que sentia uma vaga de adrenalina e de felicidade sempre que tinha algum tempo para dedicar à leitura. Onyx é tudo o que um livro deve ser.
Katy, a protagonista, é uma de nós: possui um blog de livros, filma, faz opiniões, bookhauls e o seu amor por livros domina parte do seu pensamento e das suas ações mas, são os sentimentos que ela transmite, as emoções que passa e a sua personalidade divertida com as suas saídas sarcásticas e directas que fazem com que ler Onyx se torne um prazer. Katy é uma heroína forte, determinada, independente e facilmente relacionável e isso não mudou neste segundo volume. Katy é uma adolescente, agora de dezoito anos de idade que parece uma adolescente e não uma idosa num corpo mais jovem, o que faz com que seja uma personagem muito bem pensada.
Na série Lux a componente fantástica situa-se no espectro do extraterrestre, o que é uma novidade e, em Onyx, os nossos conhecimentos aprofundam-se, as complicações adensam-se e Katy vê-se metida numa confusão ainda maior mas que deu conteúdo à história e um propósito para lá do romance. A forma como Jennifer L. Armentrout delineou a narrativa para servir de complemento ao primeiro livro está muito bem feita, havendo espaços para surpresas, algumas desagradáveis e outras de cortar a respiração. A relação entre Daemon e Katy pareceu mais real a cada avanço de página, avançando a um ritmo perfeito, mas por vezes, frustrante e, apesar de apelar aos olhos, desde Obsidian que a relação dos dois roça a luxúria, em Onyx a ligação aprofunda-se com momentos de fazer chorar as pedras da calçada.
No entanto, ao contrário de Obsidian, onde tudo foi do meu gosto, em Onyx, o aparecimento de Blake fez-me revirar os olhos. Por momentos pensei que estava na presença de um "síndrome do segundo livro" onde os protagonista se iriam afastar para dar credibilidade a algum triângulo amoroso de segunda categoria. Mas, Jennifer L. Armentrout surpreendeu-me com as suas segundas intenções.
Mas o que não posso deixar de mencionar é o facto de algumas acções, alguns aparecimentos serem demasiado previsíveis. Sim, há o factor de choque em vários momentos mas, o previsível arruina a surpresa da história. O bom de tudo é que, sendo um segundo livro, já estamos familiarizados com a autora e com as personagens pelo que há espaço para o desenvolvimento das relações e da história, pelo que o elemento surpresa por vezes eliminado, é rapidamente ultrapassado.
Jennifer L. Armentrout possui uma escrita simples (mesmo em inglês) que se lê com facilidade e, tal como com Obsidian, houve momentos em que pura e simplesmente esqueci-me de que estava a ler noutra língua. A história flui com rapidez e prende o leitor da primeira há última página. Para alguém que queira arriscar conhecer a história de Katy, ou que se queira aventurar na leitura em inglês, Obsidian é um excelente começo e Onyx, um segundo volume ainda melhor.




Outros títulos da colecção
*Obsidian 
*Onyx 
*Opal
*Origin 
*Opposition
*Oblivion 
*Shadows (prequel)
*Obsession (sequel)

Outros livros da autora
*Covenant Series (7 livros)
*Titan Series (3 livros) 
*Dark Elements (4 livros)
*Wicked Trilogy (3 livros) 


Opinião: Elementos Secretos ou Hidden Figures é um filme baseado na obra de Margot Lee Shetterly, lançado em 2016 que relata a história até agora desconhecida de três mulheres afro-americanas que tiveram posições de destaque na NASA no início da década de 1960, nomeadamente, na missão de colocar o homem em órbita com o planeta Terra e, mais tarde, na ida do homem à lua.
O filme não assume completamente o seu lado dramático havendo imensos momentos de alívio cómico. No entanto, os momentos mais dramáticos, aqueles onde vemos em primeira mão a verdade por detrás de uma vivência segregada, são poderosos. O racismo, assim como o machismo são trabalhados intensamente e criam no espectador uma sensação de impotência e de revolta que acaba por ser atenuado por personagens como a de Kevin Costner que está à frente do seu tempo, vendo para além do género e da cor. Aqui na NASA todos fazemos chichi da mesma cor.
Enquanto espectador, celebramos as pequenas vitórias e choramos com as derrotas. Baseado em factos verídicos é difícil não gostar das três protagonistas, sendo que Janelle Monáe e Octavia Spencer possuem actuações mais secundárias mas com o propósito de testar os limites da sociedade branca. Ambas as actuações são actuações de valor e com mensagens que, infelizmente, ainda servem para os dias de hoje. Se fosse um homem já o seria.
Elementos Secretos prende o público do início ao fim. O desenvolvimento espacial mistura-se na perfeição com o estado político do país na década de 60 e as descobertas das formulas matemáticas transita com facilidade para uma vida familiar difícil e para a violência a que os afro-americanos estavam - e ainda estão - sujeitos. É impossível não sentir algum tipo de emoção ao ver três mulheres inteligentes, discriminadas não só pelo seu género mas também pela sua cor a conquistar o mundo dos homens, a abrir a passagem para outras tantas como elas.

Here at NASA we all pee the same colour



Outros títulos da autora


OpiniãoNeste momento vivemos numa época em que as séries dominam o tempo livre da maior parte das pessoas. Com canais como o SyFy, Fox, e plataformas como Netflix, Hulu, Tv Series é difícil não nos deixarmos embrenhar no mundo dos policiais, da aventura, do romance e da fantasia. Num mundo onde tudo está ao nosso dispor, é impossível não criar comparações, principalmente no que toca à qualidade do material, não só a nível visual como a nível da narrativa.
A primeira temporada de Shadowhunters foi vítima - ou não - de críticas não muito favoráveis - desde a perda da linha da narrativa, a erros criados pela própria produção às interpretações não muito apelativas, a série acabou por perder um grande número de espectadores por falhar no mais básico: não deu aos fãs aquilo que eles queriam.
Mas isso é realmente necessário?
Não.
Mas, se não criam uma empatia imediata com o espectador não podem esperar que ele fique para os próximos episódios pelo que, nesse caso, a série vai-se apoiar nos fãs do material original. Um dos exemplos mais simples é a opinião dos episódios. Aqueles que seguem de forma mais ou menos fiel os livros, são os preferidos. No caso desta segunda temporada, houve uma melhoria considerável. Neste momento consigo situar-me na história e estou mais ou menos confortável com o que esperar da próxima temporada 2B.
Isto é algo que me faz imensa confusão, mesmo quando se trata de adaptações cinematográficas. Porquê mudar de forma drástica a essência de um personagem quando não há qualquer razão para tal? Será que os produtores ainda não se aperceberam do quanto mais distante dos livros, menor é o sucesso?
É a nostalgia, são as frases como “I would have killed you” "I would’ve let you”, é o juramento de parabatai, diálogos tirados directamente do livro que criam uma ligação com o espectador. Não é mudarem o yin fen para ser veneno de vampiro que vai aumentar a satisfação, quanto mais, aumenta o ultraje porque roça com a base fundamental de outra parte do mundo dos Caçadores de Sombras que, neste momento, não quero que sequer refiram mas que insistem em colocar à disposição, para e passo a expressão, “ver se cola”.
Nesta segunda temporada houve uma mudança a partir do episódio 4. Os escritores mudaram e, com isso, mudaram os diálogos e a própria narrativa. Não notei grandes diferenças a não ser a partir do episódio 5 "Dust and Shadows", onde o sarcasmo natural de Jace - que devia existir desde o primeiro minuto da primeira temporada - começou a surgir, onde há mais um sentido do que é uma conversa real do que o que havia na primeira temporada - pelo menos, já não me encolho quando eles abrem a boca. No entanto, algo que se manteve nesta segunda temporada, foi a falta de sentido para a existência de algumas personagens. Como referi na minha opinião da primeira temporada, Lydia Brandwell apareceu apenas para ser um obstáculo à relação de Alec e de Magnus, tanto que a sua importância ao longo dos episódios foi diminuindo para ser substituída por Aldertree.
Infelizmente, esta segunda temporada de Shadowhunters manteve diferenças que não consigo compreender. Estando especialmente sintonizada com os livros, foi-me difícil ver Jocelyn a não reconhecer Jace e senti que a revelação final dada por Valentine não teve, de forma nenhuma, o mesmo impacto que nos livros e aqui a série perde igualmente ao deixar as maiores revelações para momentos rápidos, quase transitórios. Não cria o impacto esperado. Nos livros a emoção, a infelicidade, a dor dos personagens - que neste momento não existe - que se vêem impedidos de se amar livremente é o que nos leva a desejar de alma e coração um futuro melhor, é o que nos motiva a continuar, na série esse sentimento perde-se.
Mas, ao contrário da primeira temporada, nem tudo foi mau e houve, inclusive surpresas inesperadas que mostram, mais uma vez, que não podemos esperar conhecer todos os pormenores porque a série consegue dar-nos a volta. A principal seria, obviamente, a morte de uma das personagens principais que motivou um dos momentos mais emotivos e que permitiu à protagonista brilhar - a sério - pela primeira vez, assim como a criação de novas relações que levam os espectadores e fãs dos livros a questionarem-se e a formar novos gostos. O que é sempre uma experiência positiva. Do mesmo modo, a relação entre Clary e Simon, mais explorada nesta segunda temporada, atinge patamares que não sabia que desejava. A química funciona e é um dos motivos pelos quais estou ansiosa pela próxima temporada.
Há partes novas do mundo dos Caçadores de Sombras que conhecemos e, mais do que nunca, a fidelidade aos livros deveriam estar em primeiro lugar. Conhecemos as Irmãs de Ferro, Ithuriel e, FINALMENTE, os poderes de Clary começam a ser mais e mais explorados de uma forma que funciona!
Penso que Shadowhunters ganhava em explorar melhor os efeitos especiais e menos avanço tecnológico que, a meu ver, chega a ser verdadeiramente ridículo. Do mesmo modo, penso que deviam abrandar ligeiramente o desenvolvimento dos personagens, nomeadamente de Clary que, no espaço de dois episódios domina na perfeição a arte da guerra que devia demorar anos a desenvolver-se. O facto de Clary ser uma protagonista preferida por muitos está relacionado com o facto de ser uma maria-rapaz, desajeitada mas que sobressai pela sua teimosia e sentido de justiça e lealdade, desajustado para alguém do seu tamanho.
A verdade é que, quando visto o quadro geral, Shadowhunters melhorou imenso e, tendo em conta o final do último episódio, posso afirmar que estou, mais ou menos desejosa pelo retorno da segunda parte da temporada. Esta é uma opinião pessoal e até certo ponto, generalizada mas, para quem quer conhecer ao pormenor outras opiniões mais específicas, aconselho vivamente EmmaBooks, deixo o link aqui. Cada opinião é uma opinião e é válida de qualquer maneira. Não pretendo de modo nenhum, passar uma mensagem de ódio para com a série porque não é essa a minha intenção MAS, também não faço questão de relativizar o que, para mim, está errado e, neste caso, penso que ainda é possível evoluir - e muito - na esperança de que chegue a uma terceira temporada.
Outros títulos das Crónicas dos Caçadores de Sombra por Cassandra Clare
*A Cidade dos Ossos - adaptação cinematográfica: aqui; adaptação televisiva aqui


*Lord of Shadowns (sem data de publicação)
*Queen of Air and Darkness (sem data de publicação)

*Chain of Thorns (sem data de publicação)
*Chain of Gold (sem data de publicação)
*Chain of Iron (sem data de publicação)

*The Wicked Power #1 (sem data de publicação)
*The Wicked Power #2 (sem data de publicação)
*The Wicked Power #3 (sem data de publicação)

*Tales from the ShadowHunter Academy (publicado em short-stories - por enquanto)
*The Shadowhunter Códex

Outros livros da autora
*A Manopla de Cobre
*Magisterium #3
*Magisterium #4
*Magisterium #5